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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Federações e entidades reguladoras não fazem sentido nos eSports

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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

25/07/2021 12h00

Para quem não é "nativo" dos esportes eletrônicos e está acostumado à lógica das modalidades tradicionais, uma pergunta recorrente é: "Quem são a CBF e a FIFA dos games?". A questão é bem mais profunda do que se imagina. A criação de confederações é uma polêmica de longa data. Afinal, faz ou não sentido ter um órgão "regulador" do setor?

A discussão já chegou no Senado Federal. Em 2019, em um debate proposto pela parlamentar e ex-jogadora de vôlei Leila Barros, deu para notar que a maioria dos envolvidos que queriam falar sobre eSport pouco ou nada conheciam do tema. Há a PLS 383/2017, de autoria de Roberto Rocha, ainda em tramitação e "aguardando inclusão de ordem do dia de requerimento". Na Assembleia Legislativa de SP, corre a PL 1512, de Alexandre Pereira, tramita desde 2015. O objetivo de ambas é o mesmo: regulamentar os eSports, que caminham sendo uma propriedade privada de cada publisher. Cada empresa tem o seu respectivo jogo, lógica e regras.

Muitos não entendem o básico, como o fato de que todo eSport é um game, mas nem todo game é um eSport. Outros apelam para o argumento desgastado que associa games à violência - a ideia de que jogos com troca de tiros, por exemplo, tornam seus adeptos mais propensos ao uso de armas. E, no geral, todos desconsideram o óbvio: o eSport caminha com as próprias pernas.

É praticamente impossível, ao menos no Brasil, encontrar um só pro player, dono de organização ou executivo de publisher que veja sentido na regulamentação. Uma rápida passagem pelo perfil da CBDEL (Confederação Brasileira de Desporto Eletrônico) no Twitter dá o tom: a conta tem 91 seguidores no momento em que este texto é escrito e, ainda que se diga uma "entidade de administração", é ignorada pela comunidade como um todo.

"Os jogos são propriedades intelectuais de alguma empresa. Propor uma gestão por confederações com membros que não fazem parte do cenário é perigoso, pois podem ser criadas leis que afastem publishers e dificultem a organização de torneios ou a criação de times. Consequentemente, poderemos ter menos oportunidades para jogadores e fãs", afirmou Yuri "Fly" Uchiyama, CEO da Gamers Club e diretor do MIBR, diretamente envolvido nesse tema em Brasília.

Independentemente da intenção das confederações envolvidas nessas discussões, generalizar diferentes comunidades e realidades das publishers sob uma mesma entidade não parece uma solução razoável a longo prazo. Hoje, é claro e evidente que os eSports não precisam disso. Quem vive o dia a dia, seja na cobertura jornalística ou trabalhando dentro do ecossistema, sabe disso. Não há projetos ou resultados que justifiquem uma ordem reguladora.

A discussão tem de partir de quem investe no cenário competitivo, luta por ele diariamente e está inserido em posições que justifiquem que suas respectivas opiniões sejam tomadas como relevantes. Parecer entendido do assunto para o grande público não é uma tarefa difícil. Há números e fatos que podem ser repetidos como argumento. Agir de forma efetiva e, de fato, fazer a diferença é um caminho bem mais longo - que já vem sendo trilhado por muitos nos Esports.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL