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Cheat e hack: por que as pessoas trapaceiam nos games?

PUBG Mobile - Divulgação/PUBG
PUBG Mobile Imagem: Divulgação/PUBG
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

19/07/2021 04h00

Um dos maiores combates das publishers de games é contra as trapaças. Os cheats atrapalham a vida de quem busca diversão ou simplesmente uma experiência justa nos jogos. O hack em um jogo individual, privado, para a diversão exclusiva do jogador, é uma coisa. Quando ele acontece numa partida coletiva, e muitas vezes competitiva, que podem render premiação e carreira, aí são outros 500.

Extremamente popular no Brasil por sua acessibilidade, o Free Fire começou o ano revelando que, em 2020, mais de 30 milhões de jogadores foram banidos por hack ou cheat - a maioria, por usar auxílio de mira. O número é assustador, mas a prática continua a se proliferar por todo tipo de game. Em junho, o battle royale da Garena removeu mais 2 milhões de contas.

O mesmo ocorreu no PUBG Mobile: foram 37 milhões de jogadores excluídos somente no primeiro semestre, motivadas por hacks de mira automática (23%) e visão raio X (22%), entre outras justificativas. E as produtoras seguem apertando o cerco: no VALORANT, surgiu o rígido Vanguard - sistema antitrapaça que alguns até consideram invasivo além da conta.

Para além do óbvio, como se explica, psicologicamente, que alguém ache válido usar essa forma ilegal para chegar na frente? Estabelecer um diagnóstico geralizado é complicado, mas há diversas hipóteses. O GGWP ouviu Natália Zakalski, psicóloga da Vorax Liberty, do Fluxo e do São Paulo eSports para comentar o assunto polêmico.

"Cada caso é individual e diferente. Porém, uma teoria que podemos formular é algo como um 'complexo de inferioridade', em que a pessoa tem questões bastante sérias em relação a sua autoestima e acaba buscando esses cheats e trapaças como forma de compensar esse sentimento", afirma.

"É uma faca de dois gumes, porque por mais que a pessoa tenha essa satisfação momentaneamente, ela ainda sabe que não foi um resultado seu, podendo até mesmo piorar essa sensação de inferioridade e prejudicar ainda mais sua autoestima", continua.

Entender esses motivos e buscar um trabalho de educação a longo prazo é uma missão das publishers e também das organizações do cenário competitivo. Obviamente, há jogadores que hoje são profissionais e que já se utilizaram de mecanismos ilegais. Por isso, é necessário discutir o tema, moldar exemplos e, acima de tudo, fazer todos entenderem que esse não é o caminho e nem a lógica correta.

"É preciso sempre incentivar os jogadores a melhorarem por si mesmos, condenando as práticas de cheat e trapaças. Talvez buscar mais tutoriais e explicações de como jogar melhor, mostrando que a evolução é possível, mesmo que seja lenta", reforça Natália. "Também buscar a orientação para jogadores que já participaram ou participam dessas práticas, trazendo uma psicoeducação de por que isso é prejudicial. Muitas vezes, é necessário também o acolhimento psicológico para entender melhor os motivos de isso ocorrer".

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL