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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Clubes de futebol nos eSports: qual o melhor caminho a seguir?

Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

13/06/2021 10h00

Clubes de futebol no esporte eletrônico: você certamente já ouviu diversas teorias, para o bem e para o mal. Alguns acreditam que a entrada dos "titãs" da modalidade mais tradicional do mundo seja apenas oportunismo. Outros preferem avaliar pelo lado positivo: um holofote como nunca antes visto no ambiente dos games. Fato é que, cada vez mais, essa iniciativa se mostra um caminho natural (e, de certa forma, irreversível) para todas as grandes marcas do esporte.

Um ponto a ser explorado, e que os torcedores precisam entender, é: os eSports não vão atrapalhar a vida de outras modalidades. Isso ficou bem evidente com o Cruzeiro, que vive uma situação delicadíssima no futebol, atravessando um pesadelo na Série B do Campeonato Brasileiro, mas que não deixou de investir no esporte eletrônico - mesmo após o fim da licença com a E-Flix e a consequente saída do sistema de franquias do CBLOL.

"A intenção sempre foi retomar esse projeto de eSports dentro do clube. Agora ele volta com mais vigor, mais vibrante e inserido em algumas das principais modalidades praticadas no Brasil. A expectativa nas redes sociais sempre foi imensa e, hoje, mesmo sem atividades, nossos canais de eSports acumulam mais de 150 mil seguidores. Agora, essa comunidade tem tudo para voltar a crescer e levar o nome do Cruzeiro ainda mais longe", disse Rodrigo Moreira, diretor de marketing e inovação do clube.

Certamente, os eSports ainda têm muitas barreiras a serem quebradas. Tendo convivido o ambiente dos clubes profissionais e seus bastidores, posso afirmar que ainda há muitos dirigentes retrógrados entre as maiores instituições do Brasil. Figuras que estão há décadas nas equipes e não entendem a necessidade de modernização e, especialmente, rejuvenescimento da marca e dos fãs. Acreditar que tudo será eterno, simplesmente por grandeza, é mera ingenuidade e desconhecimento.

Há diversos caminhos a serem seguidos. Outro exemplo é o do Vasco, que fechou parceria com a Black Dragons para sua gestão do departamento de eSports. Nicolle "Cherrygumms", CEO da organização, comemorou a ligação entre as duas marcas em redes sociais. Um rumo que o rival, Flamengo, já havia feito anteriormente com a americana Simplicity - responsável por cuidar, entre outras marcas, do Memphis Grizzlies, na NBA, e do Swansea City, clube do futebol inglês.

Existem vantagens e desvantagens para ambos os lados. Obviamente, em um mundo ideal, com amplo interesse de todos os clubes, veríamos gestões próprias de esporte eletrônico por parte de cada um deles, com profissionais especializados no assunto e prontos para ampliar a competitividade todos os dias. Porém, ainda se trata de um processo de evolução. Temos de nos ater à realidade, e não projetar o que não está no escopo alcançável.

Aos poucos, com o envolvimento das grandes marcas, com a natural disseminação do assunto na mídia e com o investimento se tornando tão recorrente quanto qualquer outra modalidade esportiva, é provável que todos se envolvam. Já há todos os indícios necessários de que é o futuro, mas o retrocesso de posturas tradicionais faz com que os passos, muitas vezes, sejam "de tartaruga". Tenho confiança de que chegaremos lá. Definitivamente, não é só um joguinho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL