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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Games de luta dão recado sobre representatividade ao cenário

Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

09/06/2021 14h00

Os jogos de luta foram o "ritual de iniciação" de muitos fãs de games que viveram a década de 1990. Os fliperamas faziam sucesso à época, e títulos como Street Fighter, The King of Fighters e Mortal Kombat eram uma autêntica mania. Com a emancipação dos consoles e dos computadores voltados a esportes eletrônicos, os fighting games podem até ter perdido o espaço de protagonismo, mas continuam nutrindo uma comunidade forte, unida e, acima de tudo, representativa.

No último sábado, foi decidida a Liga Latina de Mortal Kombat 11. Ao vencedor, estava destinada uma vaga no Mundial do jogo. Além da transmissão online, o evento também ganhou espaço no canal Space. Frente a frente, dois brasileiros. Konqueror, que já detinha o título anterior, e uma revelação do cenário, Beatriz "Baka". O confronto foi extremamente equilibrado, decidido a favor de Konqueror somente na última luta possível, mas há muitas reflexões a serem feitas em cima desse duelo.

Konqueror é preto. Em um país no qual lemos notícias lamentáveis sobre racismo todos os dias, e no qual a palavra representatividade ainda pouco significa para muitas pessoas, é maravilhoso ver que um pro player pode ser uma figura de inspiração para tantos outros que sonham em viver dos games. Aliás: o maior jogador da história dos fighting games, SonicFox, é preto, não binário e furry. Um tapa na cara do preconceito.

Voltando à final sobre qual falávamos: a adversária de Konqueror era Baka. Uma mulher. Representante de tantas e tantas outras que diariamente lutam contra toxicidade em jogos eletrônicos e buscam provar que o lugar da mulher é onde ela quiser, e não o que uma cultura misógina busca impor todos os dias. Uma gigante que varreu todo e qualquer estereótipo para se provar e mostrar que era capaz.

A premissa do esporte eletrônico é colocar todos em pé de igualdade, independentemente de cor, gênero ou qualquer outra característica, mas sabemos que não é assim. É necessário entender a estrutura e o status quo do país em que vivemos. Konqueror e Baka carregam não só um significado enorme, mas também anos e anos de luta para que todos tenham, de fato, as mesmas condições de estar inserido no cenário competitivo.

No dia a dia, vemos evolução neste sentido. Hoje, há seis mulheres inscritas no CBLOL, o campeonato mais popular de eSports no país. É sim, uma evolução, mas que não deve ser comemorada de forma efusiva. Todos os inseridos no ecossistema, de jogadores a organizações, passando por jornalistas, criadores de conteúdo ou simples entusiastas, devem lutar por mais. E tudo começa na postura no dia a dia.

Em breve, a Riot Games deve divulgar mais detalhes do Projeto L - seu jogo de luta, sobre o qual ainda sabemos poucos detalhes. A experiência da publisher em montar um cenário bem estruturado pode ser um divisor de águas que os fighting games precisam para colocar em evidência o que tem de mais incrível, atraindo os mais diversos públicos e tornando os eSports mais inclusivos. Estaremos todos na torcida por isso!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL