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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mundiais de eSports repletos de brasileiros deixam sentimento duplo

Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

05/05/2021 14h00

O mês de maio reserva uma série de campeonatos mundiais de esportes eletrônicos para os fãs do cenário competitivo. No League of Legends, o Mid-Season Invitational reúne os campeões regionais em Reykjavik, capital da Islândia, até o dia 22. O mesmo local receberá o Masters de VALORANT logo na sequência: de 24 a 30. No dia 11, Paris assistirá ao Six Invitational, torneio mais importante do calendário do Rainbow Six Siege. Por fim, Singapura será casa da Free Fire World Series, grande mundial do battle royale da Garena, entre os dias 22 e 29.

O Brasil estará bem representado. No MSI, temos a paiN Gaming. No R6, são seis equipes: Team Liquid, Team oNe, FaZe Clan, FURIA, Ninjas in Pyjamas e MIBR. No Masters de VALORANT, serão apenas duas, a serem definidas pela Final Brasileira, que rola neste fim de semana. E no Mundial de Free Fire, também duas: LOUD e Fluxo.

Claro que a gente vai torcer muito. Mas a iminência desses torneios também gera um outro sentimento.

Em meio à pandemia do coronavírus, sabemos que a realização de qualquer evento público enfrenta enormes complicações. Porém, no Brasil, parecemos estar um passo atrás. Basta observar, nos outros países, o ritmo de aplicação de vacinas, a volta gradual do público aos estádios (especialmente na Europa) e as medidas que colaboram para que as pessoas, dentro de um plano consciente, possam novamente sair de casa.

É sintomático ver tantos jogadores brasileiros deixando nossas fronteiras para representar o país em outros cantos do mundo, quando, na verdade, o próprio Brasil sempre foi um solo extremamente fértil para eventos de esportes eletrônicos. Porém, hoje, estamos longe de reunir as condições ideais para campeonatos presenciais. O próprio Mundial de Free Fire, originalmente, aconteceria no Brasil. Assim como o Major de CS:GO, outra competição que perdemos em meio à incompetência de gestão pública diante da pandemia.

"Mas tantas pessoas morrendo e você pensando em campeonato de eSports?". Não se trata aqui de uma valorização rasa de um elemento de entretenimento, como alguns podem propor em um recorte básico. É necessário entender como todos os microcosmos da sociedade, incluindo as competições profissionais de games, refletem o quanto parecemos não sair do lugar em meio a uma das maiores crises sanitárias da história - com 410 mil mortos.

Ao longo de todos estes meses em que estamos limitados às nossas casas, assistimos ao crescimento de streamers e dos campeonatos de eSports. Uma pesquisa da Statista, empresa alemã de estatísticas, estima que, em 2022, 644 milhões de pessoas ao redor do mundo estarão assistindo ao cenário competitivo de games. Já é parte do nosso entretenimento. E é uma pena ver como o Brasil está, de certa forma, perdendo tempo em diversos aspectos desse mercado - especialmente os torneios presenciais.

Nosso país é conhecido justamente por ter uma das torcidas mais empolgadas do mundo, em todos os esportes. Hoje, a atenção que recebemos do resto do mundo é por causa do caos na nossa saúde pública. Não é o que merecemos e, muito menos, o que queremos. A torcida neste próximo mês, além de ser para os times brasileiros nos mundiais de eSports, será para que tenhamos dias melhores e possamos, em breve, ver de perto nossos ídolos jogando.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL