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paiN Gaming dá lições de fidelização de torcida nos eSports

paiN Gaming lineup 2021 - Divulgação/paiNGaming
paiN Gaming lineup 2021 Imagem: Divulgação/paiNGaming
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

20/04/2021 09h00

Se há uma peculiaridade há ser destacada nos esportes eletrônicos perante às modalidades tradicionais, é a forma de torcer. As organizações de eSports, em geral, têm uma séria dificuldade de fazer com que o público se fidelize a elas - e não aos jogadores. Normalmente, há mais fãs que "migram" de acordo com os caminhos dos seus ídolos, do que torcedores, de fato, apegados às camisas. Mas há alguns exemplos, no Brasil e lá fora, que transcendem essa regra. Um deles é a paiN Gaming.

No último domingo, a equipe conquistou seu terceiro título do Campeonato Brasileiro de League of Legends, em uma transmissão que rendeu recordes de audiência para a Riot Games. Foi assunto dominante nas redes sociais com sua hashtag #gopaiN. O troféu encerrou um jejum de seis anos sem títulos para a organização no CBLOL - e mais uma vez deu provas de como lapidar a imagem de um time a longo prazo pode surtir efeitos.

A paiN é a segunda equipe a ter conquistado um título da história do CBLOL. Foi campeã pela primeira vez em 2013. Venceu o segundo caneco em 2015, na épica final realizada no Allianz Parque, considerada um divisor de águas para o League of Legends nacional. E agora volta a levantar o troféu, seis anos depois, na primeira edição do torneio no formato de parcerias a longo prazo com 10 organizações.

"É um privilégio estar em mais uma final, ainda mais em um momento como esse, não só para o CBLOL, mas para o ecossistema inteiro de esports no Brasil", firmou Thomas Hamence, CEO da paiN, em entrevista durante a transmissão oficial da final. "Sentimos os jogadores, os técnicos, todo mundo que participa do ecossistema mirando a longo prazo."

Há diversos fatores a serem observados nessa caminhada, e um deles é a indissociável ligação entre a paiN e Felipe "brTT", que agora acumula seis títulos e tem mais troféus que qualquer organização do LoL nacional. O jogador estava presente em todas as vezes em que a equipe saiu campeã. É uma união inteligente: popularidade do ídolo, atrelada à tradição do time, formando um combo extremamente eficiente e midiático.

O lema de que "a paiN não é modinha, a paiN é tradição", de fato, se aplica. A organização foi rebaixada ao Circuito Desafiante, antigo equivalente à "segunda divisão" do LoL nacional, falhou na primeira tentativa de voltar à elite, mas não se abalou no quesito torcida. A relação com brTT, que teve saída conturbada em 2016, não tirou a equipe do patamar em que ela já estava antes. Uma prova de força e consistência.

Converter sucesso em torcida é uma missão complicada nos eSports. Diferentemente do futebol, onde títulos e uma consistência em desempenho se transformam em atenção, marketing e, consequentemente, dinheiro, vencer no cenário competitivo de games é apenas um passo para uma complexa tarefa de atrair quem se identifique, de fato, com a tag, e não apenas com jogadores ou momentos.

Valorizar a própria marca, construir em torno dela uma imagem vencedora e fazer com que os fãs tenham ali uma "casa" é um trabalho de anos, e não apenas meses ou dias. A própria paiN que o diga - assim como outras organizações ao redor do mundo, tal qual Team Liquid ou G2, por exemplo. O processo dos eSports neste sentido ainda está sendo desbravado, mas tem cada vez mais significados a nos serem ensinados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL