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As aposentadorias de Pengu e Canadian: uma nova era para o Rainbow Six

Pengu Rainbow Six Siege - Bruno Alvares/Rainbow Six
Pengu Rainbow Six Siege Imagem: Bruno Alvares/Rainbow Six
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

21/03/2021 09h00

Se você gosta do cenário competitivo de Rainbow Six Siege, certamente foi impactado nas últimas semanas pela aposentadoria de duas das maiores lendas da história do jogo. Niclas "Pengu", heptacampeão mundial, e Troy "Canadian", presente nos torneios internacionais desde que o FPS da Ubisoft começou sua trajetória, não estarão mais nos palcos nos quais tanto nos acostumamos a vê-los. E será bem curioso ver essa "transição de geração".

O Rainbow Six apareceu para o mundo em 2016. No ano seguinte, viveu a primeira edição daquele que se tornaria o seu principal torneio mundial: o Six Invitational, vencido duas vezes por Pengu e Canadian. Há muitos jogadores que sempre estiveram presentes entre os grandes ídolos a serem observados no cenário - incluindo brasileiros, como Gabriel "cameram4n" e Leonardo "Astro", por exemplo, que disputaram todas as edições do Invitational.

- Já se passaram cinco anos. Cinco anos vivendo meu sonho de infância e podendo experimentar as coisas mais incríveis. Mal posso esperar para mostrar o que o futuro reserva. Mas para agora. temos que ser pacientes - escreveu Pengu, em seu post de despedida.

- Este foi um capítulo importante da minha vida, mas sei que é a decisão certa dar um passo atrás por agora e descobrir algumas coisas por mim mesmo antes de decidir com o que vou me comprometer a seguir. Espero continuar tendo o apoio de todos vocês no que quer que seja - afirmou Canadian em uma carta publicada nas redes sociais.

Ao lado de Leo "Zigueira", que também foi campeão mundial pela Team Liquid e parou de competir posteriormente, Pengu e Canadian foram personagens do documentário "Em Busca da Vitória" - que mostrou bastidores da vida de todos eles, o que os levou a começar a jogar Rainbow Six profissionalmente e como isso moldou a vida de cada um. Uma boa indicação, inclusive, para entender a rotina de um pro player.

Nas modalidades tradicionais, quem está na casa dos 20 ou 30 anos, já tem como algo usual ver jogadores que acompanhamos em tempos áureos se aposentando. No esporte eletrônico, ainda não é algo tão natural assim. Lee "Faker" Sang-hyeok, o melhor de todos os tempos no League of Legends, segue na ativa. O mesmo vale para Felipe "brTT", o maior campeão do CBLOL, atualmente com 30 anos. Não há uma "idade média" para traçar estimativas. No próprio R6, André "Nesk" segue na ativa como um dos principais jogadores do mundo, embora ainda jovem, começou no ano um do game e continua sendo referência aos 25 anos de idade.

Nessa onda de criação de novos ídolos, no Rainbow Six Siege, especificamente, há diversos nomes a serem observados. Kurtz (W7M), Neskin (Team oNe), Fntzy e R4RE (FURIA), Kondz (Santos)... Um outro nome é Léo "Kyno", que se tornou o primeiro jogador do país a disputar um torneio Tier 1 fora da região LATAM. Contratado pela Oxygen Esports, o pro player, que está nos Estados Unidos desde 2017, é mostra da força brasileira no FPS.

- É uma sensação incrível, estou vivendo um sonho. A equipe me ajuda como jogador e como pessoa. A experiência do elenco está facilitando minha adaptação, faz uma diferença enorme. O objetivo da Oxygen é me moldar e me transformar em um suporte e ao mesmo tempo desenvolvendo skill de mecânica boa - afirmou.

Competir em alto nível é uma pressão constante. Conhecemos os impactos psicológicos e como é importante se cuidar nesse sentido. Certamente foi algo que pesou na decisão de Pengu, Canadian, Zigueira e tantos outros. Os eSports não são mais "algo novo", mas ainda passam por processos que as modalidades tradicionais iniciaram há algum tempo. Há semelhanças e peculiaridades com as quais certamente continuaremos lidando.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL