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Rainbow Six Siege promete fazer história no Circuito Feminino

Rainbow Six Siege cresceu no cenário feminino - Divulgação/Ubisoft
Rainbow Six Siege cresceu no cenário feminino Imagem: Divulgação/Ubisoft
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

21/02/2021 09h00

Qual o jogo que mais incentiva o cenário feminino nos esportes eletrônicos? Temos visto cada vez mais iniciativas espalhadas pelo país, tanto no ambiente de pro players, quanto de casters e outras profissionais do ecossistema gamer. Poucos títulos, porém, trouxeram um impacto tão forte e uma dedicação tão intensa quanto o Rainbow Six Siege. Ao longo desta temporada, em 2021, a Ubisoft distribuirá R$ 300 mil em premiações para as mulheres, em uma marca recorde no país. Algo que deveria ser visto com naturalidade, mas que infelizmente ainda é exceção não só no Brasil, mas no mundo inteiro.

- Estou muito hypada com esse novo circuito feminino. A vitória da Fury ano passado, derrotando a grande campeã Black Dragons, que havia vencido todas as edições, mostra que as equipes estão mais competitivas e isso deve se repetir esse ano. Ainda mais com as mudanças que foram anunciadas, eu espero as meninas mais motivadas e também novas equipes surgindo. Fico feliz também que muitas organizações estão investindo pesado para o circuito desse ano, então isso reflete com certeza no que veremos delas dentro do servidor. Acho que esse ano teremos uma profissionalização gigantesca no cenário e não vejo a hora de ver isso na prática durante as partidas. Portanto podemos esperar equipes disputando de igual para igual - afirmou Victória "Viic" Rodrigues, comentarista e analista de Rainbow Six Siege.

Viic - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Viic, comentarista de Rainbow Six Siege
Imagem: Reprodução/Twitter

Profissionalização: a palavra citada por Viic parece ser mágica, mas precisamos falar do básico quando tratamos de um cenário competitivo que, em boa parte das vezes, não é encarado com a seriedade que merece. Seja nos comando de voz nas partidas casuais ou no que diz respeito às chances em grandes organizações, as mulheres sofrem para se inserir no esporte eletrônico. Por isso, a iniciativa da Ubisoft é, além de tudo, um recado para quem insiste no preconceito.

- O campeonato nem começou e já vimos na prática como isso já afetou o cenário como um todo. Novas organizações estão surgindo, estamos vendo já projetos de game office para as meninas, salário e investimento. Tudo isso pode parecer simples e comum, mas não era uma realidade no cenário feminino. Portanto, essa premiação é exatamente o que faltava para profissionalizar ainda mais o circuito feminino e quem sabe revelar grandes jogadoras para a elite do Rainbow Six Siege. Não quero nem entrar no mérito de discussões polêmicas, mas o que posso dizer é que essa premiação ajuda o cenário e a comunidade como um todo, não só o feminino. Isso ajuda o jogo que a gente ama a ficar cada mais forte e profissional - completou Viic.

Nas palavras de Márcio Canosa, diretor de Esports da Ubisoft para a América Latina, trata-se de "continuar a oferecer uma vitrine para as jogadoras mostrarem seu talento". De fato, será uma grande vitrine, tendo em vista que o circuito competitivo foi distribuído em cinco etapas, começando em março e indo até setembro. Em cada uma das etapas, a equipe campeã leva R$ 20 mil. Na final, R$ 50 mil. Um incentivo ao trabalho a longo prazo e ao fomento à modalidade.

Parece uma insistência óbvia, mas a mudança de mentalidade parte de nós. Óbvio que o incentivo da publisher é o alicerce para tudo, mas a comunidade precisa responder à altura de uma iniciativa tão nobre. Toxicidade não é aceitável em nenhum nível competitivo, esteja você no cobre ou treinando em um time profissional. Todo tipo de postura discriminatória e misógina deve ser denunciado e punido adequadamente, para que se torne exemplo na sequência.

Ter todos os jogos transmitidos em estúdio, uma premiação que chama a atenção e uma estrutura de olho no crescimento deveria, sim, ser o básico de qualquer esporte eletrônico para as mulheres. Sabemos que o caminho é longo, e que ainda há muita coisa a ser feita, mas celebrar as vitórias e entender como isso pode significar a construção de algo maior perante a concorrência é parte do processo. Que seja um grande ano para o Circuito Feminino!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL