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Com futebol, Fortnite quebra mais uma barreira no videogame

Futebol agora está inserido na cultura do Fortnite - Divulgação/Epic Games
Futebol agora está inserido na cultura do Fortnite Imagem: Divulgação/Epic Games
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

23/01/2021 09h00

Fortnite já deixou de ser apenas um jogo de videogame há muito tempo. Além de ter se transformado em um esporte eletrônico que distribui milhões de dólares todos os anos, o game virou uma referência no que diz respeito a entretenimento e crossovers culturais impressionantes. O anúncio desta semana, com a chegada de uniformes de clubes do mundo inteiro, deu mais uma prova de como a Epic Games sabe olhar fora da própria bolha e inovar ainda mais, mesmo quando não parece possível criar uma nova camada de público.

E não parou por aí: os tradicionais gestos do Fortnite, popularmente conhecidos como "dancinhas", englobaram nada menos que o épico soco no ar feito por Pelé, o melhor jogador de futebol de todos os tempos, durante a comemoração de um gol. Um sinal de que o Battle Royale não se contenta com pouco. Não basta uma simples parceria, uma simples referência. É preciso ir além. Marcar espaço. Mostrar relevância. Mostrar o tamanho da importância.

- É impressionante, porque na realidade foi uma explosão de alegria que me levou, naquele momento, depois do gol, a sair dando um soco no ar. Foi uma jogada muito bonita. Se me perguntar se foi uma das coisas mais importantes da minha vida, eu vou dizer que foi. Até hoje eu fiz vários movimentos em outros gols, gols diferentes, mas esse ficou registrado no mundo inteiro. Foi uma explosão - disse o Rei do Futebol, sobre o gesto reproduzido no jogo.

Manchester City, Juventus, Milan, Inter de Milão, Roma, Seattle Sounders, Atlanta United, Los Angeles FC, Santos, Wolves, West Ham, Sevilla, Sporting, Borussia Mönchengladbach, Schalke 04, Wolfsburg, Rangers, Celtic, Cerezo Osaka, Melbourne City, Sydney FC, Western Sydney Wanderers e Bahia: nada menos que 23 clubes de 10 países diferentes integraram o programa do Fortnite neste momento inicial. Um alcance de nível global.

É raríssimo ver publishers que se preocupem em balancear entretenimento com sistema competitivo. É realmente difícil encontrar o ponto ideal para ter atenção, ao mesmo tempo, com o que diz respeito à venda de itens colecionáveis, skins e toda a parte cosmética do jogo, e com tudo do jogo enquanto esporte eletrônico. A Epic Games sempre teve suas particularidades, defendendo um cenário aberto, acessível a todo e qualquer jogador, e vai colhendo os frutos da própria inteligência no decorrer do tempo.

A legitimação do esporte eletrônico perante o grande público passa, e muito, por outras áreas da cultura. Os crossovers com cinema, música e outras modalidades esportivas é um caminho inteligente a ser seguido. Buscar novos públicos. Desmistificar o videogame. Mostrar que é possível juntar diferentes áreas de interesse. Vale a pena quebrar as barreiras e "espalhar a palavra" para pessoas que ainda não tenham sido atingidas e não entendam o tamanho dos eSports e como eles englobam novas gerações.

Para quem joga, independentemente do gênero preferido, vale a pena abrir a mente e permitir que outras categorias recebam a devida atenção. Mesmo que para entender as peculiaridades ou por que o sucesso vem - a curto, médio ou longo prazo. Todo mundo tem um game favorito, e não há problema nisso. Não há motivo para fechar a cabeça. O cenário de esportes eletrônicos precisa de pessoas que o apoiem integralmente - assistindo, jogando e falando sobre. O tempo inteiro, como o mainstream que eles merecem ser.