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Reformulação do humor na Globo deve causar mais de 150 demissões

"Escolinha do Professor Raimundo" também acabou - Reprodução / Internet
"Escolinha do Professor Raimundo" também acabou Imagem: Reprodução / Internet
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

16/10/2020 00h27

O fim dos programas "Zorra", do "Fora de Hora", da "Escolinha", do quadro "Isso a Globo Não Mostra" e a reformulação do departamento de Humor da TV Globo, como publicado ontem pelo colunista Maurício Stycer, do UOL, levará a efeitos negativos em cascata.

Funcionários da casa ouvidos na tarde e noite de ontem (15) pela coluna calculam que haverá a demissão de entre 150 e 180 pessoas, entre atores, produtores, redatores e demais áreas envolvidas.

Houve uma comoção nas horas seguintes ao anúncio pela Globo, o que a coluna confirmou em grupo de mensagem de funcionários e já ex-funcionários da casa (veja mais abaixo).

Um novo dia, um novo tempo

No ano que vem a emissora diz que lançará um novo projeto de humor:

"Vamos oferecer para o espectador o melhor de cada gênero (humor), num programa variado e com muitas possibilidades de desdobramentos futuros. Será um verdadeiro laboratório de formatos e talentos que poderá nos trazer mais novidades", anunciou a própria Globo.

Esse novo projeto, disse uma fonte ouvida sob a coluna sob anonimato, até deve reabsorver novamente profissionais que ora serão demitidos. Mas, devem ser poucos.

A esperança para outros é a de serem reaproveitados, em 2021, em produções do Globoplay, o serviço de streaming do grupo.

Mas, a forma de contrato dessa força de trabalho deve mudar: saem os profissionais efetivos e registrados em carteira, entram os chamados "contratos por obra ou temporada".

Outra categoria que será profundamente afetada com o fim dos humorísticos será a dos figurantes.

Embora não contratados pela emissora, e pagos por dia de gravação por agências contratadas pela TV, eles tinham no humor uma de suas grandes chances de trabalho.

Boa parte é formada de atores amadores ou em curso.

Choro e ranger de dentes no whats

Nos grupos de whats havia tristeza misturada com perplexidade sobre a decisão. E reclamações de que não houve "aviso prévio" sobre a saída dos programas do ar.

No entanto, alguns lembraram que as demissões no "Zorra" já eram previstas desde o final do ano passado em continuidade ao projeto "Uma Só Globo".

Trata-se de um gigantesco plano de enxugamento de custos e cargos em todos os níveis no grupo da família Marinho.

Os rumores de que algo grande (e negativo) estava a caminho cresceram após a demissão de Marcius Melhem dois meses atrás.

Ele era o "chefe" do humor da Globo. Seu cargo agora pode ser ocupado por Marcelo Adnet.

Outro lado

Na tarde desta sexta-feira (16) a Globo, por meio de sua central de Comunicação, enviou a seguinte mensagem à coluna:

"Não procede de forma alguma que terão essas demissões. Outra informação importante: não há um cargo vazio a ser ocupado no humor, pois o diretor da dramaturgia - semanal, diária e humor - é o Silvio de Abreu, como informamos em agosto."

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL