Conteúdo publicado há 2 meses

Defante defende humor 'sem sentido': 'Todo mundo precisa esvaziar a cabeça'

Diogo Defante ganhou notoriedade nas redes sociais no papel do "Repórter Doidão". Em lugares como filas de shows, portões do ENEM, blocos de Carnaval, o personagem aborda os entrevistados com perguntas inusitadas que rendem interações bizarras. A receita deu tão certo que o comediante arrebanhou milhões de seguidores, furou a bolha e hoje faz parte do elenco do Domingão com Huck.

No último ano, Defante investiu na carreira de músico e, claro, colocou nela o humor absurdo que faz sucesso em seus vídeos. Em entrevista a Splash no Planeta Atlântida, o humorista fala de suas inspirações, da reação do público às suas músicas e do novo trabalho na TV aberta.

Ele defendeu a importância do humor "sem sentido". "Todo mundo precisa esvaziar a cabeça. Tem coisas que não têm sentido porque tudo tem que ter sentido o tempo inteiro, isso cansa. O cara chega em casa e só quer ver alguma coisa meio idiota. Então, eu preciso fazer isso profissionalmente, com dedicação. É sério. É sério, porém não é."

Defante, que agora integra o elenco do Domingão com Huck apresentando um humor mais "leve", garante que não vai deixar de lado a comédia que faz no YouTube. "O Domingão com certeza é uma experiência diferente, para um público de massa, além de ter uma classificação etária para o conteúdo que tá rolando na TV. Então, obviamente que não vou fazer o 'Repórter Doidão' do meu canal. É um desafio. Gosto também de passear por ali, mas nunca vou abandonar minhas paradas."

Com músicas sobre pelos pubianos que não querem ser depilados e um padeiro obcecado por pênis, Defante diz que se inspira principalmente para cantar coisas "loucas". "No início, eu queria fazer umas coisas meio engraçadas. Hoje tô numa vibe de fazer uns temas malucos, não explorados. Eu não tenho mais compromisso de fazer um negócio que: 'Ai, que bagulho engraçado'. É mais: 'Caraca, onde que ele foi, mano?'. É nisso que penso quando começo a escrever."

O carioca temeu não ser levado a sério na música por ser comediante. "O tempo inteiro faço as pessoas entenderem que a comédia tem que ser levada a sério porque ela salva muita gente. Comecei a receber muita mensagem da galera falando: 'Eu tava numa situação muito triste e teu vídeo me tirou dessa parada.' Eu falei: 'Caralh*, é muito importante eu continuar fazendo isso e é muito importante que isso seja feito de uma forma profissional, para que eu consiga continuar fazendo.' [...] Tem toda uma estrutura para fazer aquilo muito bem feito para ficar compreensível, ter qualidade, a galera conseguir entender."

Defante também conta que parte do público demorou para entender que seus shows eram de música, e não de stand-up. "Ainda rola muito da galera achar que é stand-up. Faz parte, porque sou comediante, então a galera associa mais rápido a isso. Mas aos pouquinhos tô trabalhando pra galera entender que tô na música e fé. É uma parada que amo e não é aleatória. [...] Foi a primeira coisa artística que fiz na minha vida, então tô revivendo isso aproveitando essa caminhada de comédia."

Empolgado com seu primeiro show em um festival, Defante tirou fotos e distribuiu simpatia nos bastidores do Planeta. Ele foi ao evento um dia antes de sua apresentação e, animado, interagiu e gravou vídeos com o público. "Muita gente tá curtindo [minhas músicas] também. Os shows estão lotando e eu tô felizão, tô curtindo", comemorou.

Ele conta que não descarta produzir músicas com letras mais "tradicionais", mas seu negócio é mesmo explorar temas excêntricos. "Eu não gosto de me prender a nada. Se eu quiser escrever sério e lançar uma música séria, eu vou fazer, não tenho problema com isso. É que eu gosto muito de passear por temas não explorados, mas não necessariamente idiotas. O que eu menos me vejo fazendo é [uma música sobre] um tema clichê sério. Talvez seja sério. Só que falando uma maluquice, uma coisa muito louca."

Deixe seu comentário

Só para assinantes