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Slash toca na turnê brasileira música que o Guns nunca mostrou ao vivo

Bastou soar o primeiro riff de "The River is Rising" na célebre Gibson Les Paul e o público do Arena Hall vibrou: a potente faixa inicial do álbum 4 também foi escolhida para abrir o show de Slash e Myles Kennedy & The Conspirators, que começaram na segunda passada (29), em Belo Horizonte, uma turnê de quatro datas pelo Brasil (passa hoje, 31/1, por São Paulo; amanhã, 1º/2, pelo Rio; e no domingo, 4/2, por Porto Alegre).

Lançado em 2022, o disco gravado ao vivo em estúdio parece ganhar ainda mais força na versão sobre os palcos, com apoio da plateia que cantou junto em boa parte das faixas.

Começando pontualmente às 21h, o roteiro do espetáculo revisitou em mais de duas horas toda a carreira do guitarrista e compositor, com uma setlist que pode surpreender fãs desavisados por não se demorar quase nada no repertório do Guns N' Roses. A banda acabou representada por uma raridade quase inédita ao vivo, uma joia escondida de um dos álbuns mais célebres.

Slash se apresenta ao lado da banda Myles Kennedy & The Conspirators em passagem de turnê por BH
Slash se apresenta ao lado da banda Myles Kennedy & The Conspirators em passagem de turnê por BH Imagem: Letycia Cavalcante/Divulgação 30e

Após mais de 12 anos, o público parece bem familiarizado com a colaboração entre um dos maiores mestres da guitarra de todos os tempos e os músicos norte-americanos liderados pelo vocalista Myles Kennedy, que também encabeça a Alter Bridge. Extraídas do primeiro disco que Slash lançou com os Conspirators, Apocalyptic Love (2012), "Halo" e a faixa-título foram recebidas pela multidão com entusiasmo digno de hits clássicos.

Apesar de não terem chegado a lotar a arena para 5.000 pessoas na capital mineira, os seguidores de Slash que estiveram por lá se emocionaram com a interpretação de "Back from Cali", faixa do debut solo do guitarrista que também marcou sua primeira colaboração com Myles, ainda em 2010.

Econômico na troca de palavras com o público, o vocalista se mostrou empolgado com a recepção e já naturalizado com o calor das plateias brasileiras. Além de uma ou outra expressão em português, Myles incentivava os presentes a puxarem palmas e prestava as devidas reverências a Slash antes de cada solo, atuando como uma espécie de mestre de cerimônias.

O ícone da guitarra, por outro lado, faz jus à aura de mistério que o cerca desde os anos 1980 e só cumprimenta o público de maneira enxuta. Quem está presente entende estar diante de um mestre.

Slash mostra no Brasil por que é considerado um dos mestres da guitarra
Slash mostra no Brasil por que é considerado um dos mestres da guitarra Imagem: Letycia Cavalcante/Divulgação 30e
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Em "C'est La Vie", do novo álbum, Slash recorre a um dispositivo que é velho conhecido dos fãs de Guns. Trata-se de um talkbox, ferramenta de modulação usada junto à guitarra para criar uma distorção parecida com vocais robóticos. O músico opera o aparelho com a boca, como se estivesse soprando através de um tubo, um gesto que ficou eternizado em improvisações marcantes nos enormes concertos de sua banda mais famosa.

Depois de incentivar a plateia a acompanhar com palmas o refrão de "Actions Speak Louder Than Words", do álbum novo, Myles deixa o palco e cede os vocais para o carismático baixista canadense Todd Kerns. O músico encara a missão de interpretar a consagrada parceria de Slash com Lenny Kravitz, "Always on the Run".

O hard rock feito por Slash pós-Guns volta a entrar em cena com "Speed Parade", composição da banda Slash's Snakepit lançada em 2000 e que trazia Rod Jackson nos vocais originais.

O baixista Todd Kerns também assumiu os vocais no show do Slash em BH
O baixista Todd Kerns também assumiu os vocais no show do Slash em BH Imagem: Letycia Cavalcante/Divulgação 30e

Em seguida, "We Will Roam", do primeiro álbum com Myles e os Conspirators, abre caminho para a única interpretação de Guns N' Roses da noite: "Don't Damn Me", faixa do icônico disco Use Your Illusion I (1991) que jamais foi tocada em um show do próprio Guns.

O baixista Todd Kerns volta a assumir os vocais para essa rendição da composição de Slash com Axl Rose e Dave Lank. Recebida com fervor pela plateia, "Don't Damn Me" é uma adição recente ao repertório: a música só havia sido tocada nos dois shows anteriores da turnê The River is Rising, em Cidade do México e Bogotá.

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Em "Wicked Stone", do terceiro álbum com Myles e os Conspirators, Slash faz uma de suas raras movimentações pelo palco. Pela primeira vez no concerto, o artista deixa o lado direito e avança na direção oposta, enquanto um arranjo especial da canção arma condições para que ele ofereça, de pertinho, um solo estendido em mais de seis minutos para o lado esquerdo da plateia.

Depois de "April Fool" e "Fill My World", ambas do álbum 4, Myles volta a deixar o palco e libera o retorno de Todd Kerns nos vocais para uma versão de "Doctor Alibi". A faixa do primeiro álbum solo de Slash trazia na versão original o vocalista Lemmy Kilmister (1945-2015), do Motörhead.

A banda volta a se reunir com Myles para "You're a Lie" e "World on Fire", esta última também em versão estendida para garantir que Slash tenha tempo de solar em cada cantinho do palco antes de se despedir do público.

Fãs vibram com a apresentação de Slash em BH, na última segunda (29)
Fãs vibram com a apresentação de Slash em BH, na última segunda (29) Imagem: Letycia Cavalcante/Divulgação 30e

Para o bis, os artistas retornam com um honesto cover de Elton John em "Rocket Man". Aos 58 anos, Slash faz sua única aparição sentado enquanto toca na técnica slide, acompanhado por um arranjo quase minimalista que enfatiza os vocais de Myles e a singeleza de uma das guitarras mais versáteis já conhecidas pelo público.

Apesar de apoteótico, o cover ainda é sucedido por uma interpretação de "Anastasia", faixa do primeiro álbum de Slash com a banda, que serve de encerramento para os shows desde 2018.

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Confira a setlist do primeiro show no Brasil da turnê: The River Is Rising; Driving Rain; Halo; Apocalyptic Love; Back From Cali (do álbum solo Slash, 2010); Whatever Gets You By; C'est la vie; Actions Speak Louder Than Words; Always on the Run (Slash/Lenny Kravitz, 1991); Bent to Fly; Sugar Cane; Spirit Love; Speed Parade (cover da banda Slash's Snakepit); We Will Roam; Don't Damn Me (Guns N' Roses); Starlight (do álbum Slash, de 2010); Wicked Stone; April Fool; Fill My World; Doctor Alibi (do álbum Slash, de 2010); You're a Lie; World on Fire; Rocket Man (cover de Elton John); Anastasia.

Turnê The River is Rising, de Slash e Myles Kennedy & The Conspirators
Quando
31/1 (São Paulo); 1º/2 (Rio de Janeiro); e 4/2 (Porto Alegre)
Ingressos à venda no site da Eventim

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Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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