Conteúdo publicado há 8 meses

Jurados do Jabuti dizem não saber de ilustração IA; livro é desclassificado

Um livro foi desclassificado da categoria Ilustração do Prêmio Jabuti pelo uso de inteligência artificial (IA).

A polêmica começou ontem, quando os finalistas foram divulgados. Dentre os dez finalistas na categoria Ilustração, estava "Frankenstein", de Mary Shelley, lançado pela editora Clube de Literatura Clássica em 2022. Em seu perfil, a editora anuncia a edição como a primeira vez em que um clássico é "inteiramente ilustrado por inteligência artificial". No livro, os créditos da ilustração são do designer Vicente Pessôa e Midjourney — nome de um serviço de inteligência artificial.

Profissionais do ramo editorial criaram um abaixo-assinado contra a indicação de "Frankenstein". A carta aberta à CBL (Câmara Brasileira do Livro), organizadora do Prêmio Jabuti, já tem mais de 1.200 assinaturas. Nela, os profissionais argumentam que as inteligências artificiais criam imagens e textos com base em obras já existentes, sem a autorização dos autores: "Arte é trabalho, que deve ser valorizado e remunerado como tal".

Dois dos três jurados da categoria disseram que, quando votaram, não sabiam que as ilustrações foram feitas com IA. No Twitter, André Dahmer afirmou: "Não conheço os nomes de ferramentas de inteligência artificial, nem quero conhecer. A organização do prêmio, ao me enviar o livro, também desconhecia o nome desta ferramenta".

Em entrevista ao Estadão, o jurado Eduardo Baptistão declarou: "Quem atua como jurado sabe que isso iria acontecer em algum momento. Infelizmente, aconteceu cedo. Falo por mim, não sei o voto dos outros jurados. Evidente que eu não teria selecionado o livro se tivesse essa informação. As ilustrações me impressionaram pela qualidade, e havia uma unidade estética entre elas. Eu não tinha como saber que foram feitas por IA".

O artista que usou inteligência artificial diz não se incomodar com a polêmica. "Estou achando legal demais. Gosto de polêmica, gosto de gente chorando, esperneando, rasgando as vestes. Divulga meu nome e o Clube. Eu só acho que os ilustradores que estão achando realmente ruim vão ficar para trás. O IA está aí e veio para ficar", afirmou em entrevista ao Estadão.

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Hoje, a organização do prêmio anunciou a desclassificação do livro. Confira a nota enviada a Splash pela CBL:

A Câmara Brasileira do Livro (CBL), organizadora do Prêmio Jabuti, informa que a obra "Frankenstein", editada pelo Clube de Literatura Clássica, que utilizou ferramentas de inteligência artificial (IA), foi revista e desclassificada. As regras da premiação estabelecem que casos não previstos no Regulamento sejam deliberados pela Curadoria, e a avaliação de obras que utilizam IA em sua produção não estava contemplada nessas regras.

A utilização de ferramentas de inteligência artificial tem sido objeto de discussão em todo o mundo, em razão dos princípios de defesa dos direitos autorais. Considerando a nova realidade de avanços dessas novas tecnologias, a organização do prêmio esclarece que a utilização dessas novas ferramentas será objeto de discussão para as próximas edições da premiação.

André Neves, Bruna Ximenes, Chris Eich, Daniel Kondo, Fayga Ostrower, Fran Matsumoto, Letícia Lopes, Odilon Moraes, Odilon Moraes e Rogério Coelho seguem na disputa agora.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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