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'O Golpista do Tinder' conta história de esquema de milhões de dólares

O Golpista do Tinder
O Golpista do Tinder
Divulgação/Netflix

De Splash, em São Paulo

05/02/2022 13h42

Ele parecia o cara perfeito no Tinder: um perfil com fotos em vários lugares e uma rotina agitada com jantares caros e muito estilo. Em busca do 'conto de fadas' ou apenas de diversão, elas acreditaram nele e acabaram caindo em um golpe complexo e arquitetado.

O que poderia ser o roteiro de um filme é a história do documentário "O Golpista do Tinder", lançado na última quarta-feira (2) na Netflix. O filme, dirigido por Felicity Morris, conta em detalhes os golpes financeiros e emocionais dados pelo homem que se apresentava como Simon Leviev.

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Ele dizia ser herdeiro de um magnata dos diamantes, um homem com a vida atarefada e luxuosa. Por isso, o que oferecia era quase sonho: viagens, festas e restaurantes caros, e a promessa de um amor "de cinema".

No filme, a norueguesa Cecilie Fjellhøy conta como foi vítima do golpe. Depois do 'match', ele rapidamente a convidou para tomar um café no hotel em que estava hospedado, em Londres —onde ela morava.

Netflix/Reprodução - Netflix/Reprodução
Cecilie Fjellhøy, uma das personagens entrevistadas em "O Golpista do Tinder"
Imagem: Netflix/Reprodução

Ela foi ao encontro dele no hotel de luxo, mas sabia que o encontro seria rápido. Ele precisaria sair da cidade no mesmo dia, para uma viagem de negócios para a Bulgária.

Por "impulso", ele a convida para a viagem, e Cecilie se junta a ele e seu time no jatinho privado.

Afinal, ele era exatamente quem parecia ser no aplicativo.

A vida de riqueza e luxos, no entanto, era mentira —algo que Cecilie só descobriria depois de alguns meses e uma dívida bancária de US$ 250 mil.

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Como ele aplicava o golpe?

Simon oferecia às mulheres o que elas queriam. Para algumas, dizia que estava apaixonado, que gostaria de se casar e ter filhos. Para outras, oferecia festas e agitação. Por causa de seu trabalho, ele explicava que viajava muito, e mantinha contato com elas por WhatsApp.

Reprodução/Netflix - Reprodução/Netflix
Homem se apresentava como Simon Leviev para aplicar golpes no Tinder
Imagem: Reprodução/Netflix

A história se complicava quando ele contava estar sofrendo ameaças e correndo risco de vida. Ele disse a Cecilie, por exemplo, que não podia usar seus cartões de crédito porque poderia ser encontrado pelas pessoas que queriam matá-lo.

Então, ele pede para usar o cartão de crédito dela por duas semanas, enquanto não consegue resolver seu problema. Ela cede e, a partir disso, ele começa a pedir altas quantias de dinheiro em cédulas. Cecilie passa a fazer empréstimos para ajudá-lo.

Enquanto contava a ela que precisava se esconder e que poderia ser morto, Simon estava na verdade passando férias de verão com outra de suas conquistas do Tinder -em quem aplicou o mesmo golpe alguns meses depois.

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Este era o seu 'modus operandi'. Cecilie se afundou em dívidas após fazer 9 empréstimos em bancos diferentes, e notou que havia algo de errado quando o cheque que ele deu a ela para pagar pela quantia não foi compensado por seu banco.

Ela entrou em contato com uma das empresas em que tinha feito o empréstimo, e contou toda a verdade. Os agentes pediram para ver uma foto de Simon e, quando ela mostrou, eles disseram: "É ele. É esse cara e este é um dos muitos nomes que ele usa."

Divulgação/ Netflix - Divulgação/ Netflix
Imagem: Divulgação/ Netflix

Quem é Simon, de verdade?

Simon era Shimon Yehuda Hayut, nascido em 1991 em Bnei Brak, Israel. Ele começou a usar o nome Simon Leviev em 2017, para seguir cometendo suas fraudes.

Na verdade, ele jamais teve conexão com Lev Leviev e os magnatas dos negócios de diamantes.

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Ele foi condenado?

Sim, mas soube escapar. Hayut havia sido condenado em 2015 na Finlândia, sob o nome de batismo, mas seguiu aplicando o golpe como Simon Leviev.

A farsa chegou ao fim após uma reportagem do jornal VG, que revelou seu nome real. Depois disso, ele passou a usar David Sharon para fugir.

Como ele foi preso?

Eventualmente, uma das namoradas de "longa data" de Hayut, Ayleen Koeleman, viu a reportagem do jornal e ajudou as autoridades. Ela descobriu que ele estava indo para a Grécia e deu as informações do voo para a polícia. Ele foi preso em 2019, sentenciado a 15 meses por fraude.

Estima-se que ele Hayut tenha roubado US$ 10 milhões no total.