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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'Peacemaker' segue 'Esquadrão' com mais sexo e violência do que a Marvel

Fernanda Talarico

De Splash, em São Paulo

13/01/2022 04h00

"Esquadrão Suicida" foi lançado em 2016 e deixou um gosto amargo na boca dos fãs da DC. Com apenas 26% da aprovação da crítica no Rotten Tomatoes — agregador de notas de filmes —, o longa dirigido por David Ayer não agradou e obrigou a Warner Bros. a se esforçar para melhorar as produções seguintes. Então, em 2021, um novo filme foi lançado, servindo como continuação e reinicialização ao mesmo tempo. Comandado agora por James Gunn, "O Esquadrão Suicida" foi um sucesso, com 90% de aprovação também do Rotten Tomatoes.

No entanto, mesmo sem saber que o novo longa seria querido pelo público, a HBO Max se adiantou e anunciou uma série derivada do novo filme. Criada, dirigida e roteirizada também por James Gunn, o personagem Pacificador ganhou uma produção para chamar de sua: "Peacemaker". E Splash já assistiu aos dois primeiros episódios.

Interpretado por John Cena, o anti-herói nos é apresentado como uma espécie de soldado criado para trazer a paz. Em meio a personagens como Bloodsport (Idris Elba), Rick Flag (Joel Kinnaman) e Harley Quinn (Margot Robbie), o Pacificador não ganhou tanta evidência no longa, algo que obviamente é mudado com a série.

John Cena em cena de 'O Esquadrão Suicida' - Divulgação - Divulgação
John Cena em cena de 'O Esquadrão Suicida'
Imagem: Divulgação

A Marvel viveu o seu ano de ouro das séries de TV em 2021, quando lançou "WandaVision", "Falcão e o Soldado Invernal", "Loki" e "Gavião Arqueiro" no Disney+. A DC não poderia ficar para trás e, mesmo com algumas produções de suas propriedades lançadas pela CW, nada chegava aos pés do sucesso feito pelas séries dos super-heróis da concorrente. Assim, "Peacemaker" também é uma aposta da DC e da HBO Max para poder bater de frente com o que tem sido feito pela Disney.

+18

E, mesmo com poucos episódios, é possível dizer que todas as escolhas feitas para lançar esta primeira produção derivada de "O Esquadrão Suicida" foram acertadas. A HBO, famosa por entregar o combo sexo e sangue em suas produções, mantém o padrão com "Peacemaker", algo que pode chocar o público mais desavisado que espera algo parecido com as séries da Marvel. Afinal, é diferente na maioria dos aspectos.

A série do Pacificador conta uma história própria que, por mais que se inicie depois dos acontecimentos de "O Esquadrão Suicida", não segue a mesma narrativa. Claro, alguns eventos são citados durante o título, como a famigerada morte de Rick Flag pelas mãos do agora protagonista. No entanto, "Peacemaker" tem vida própria e não depende do filme como apoio, apenas continua o seu legado.

A mistura de humor, sexo e violência é o que chama a atenção na série da HBO Max e, com a primeira leva de episódios estreando hoje na plataforma, a produção preenche todos os requisitos para se tornar uma queridinha entre os fãs, assim como aconteceu com "The Boys", título do Amazon Prime Video que apresenta uma equipe de super-heróis não recomendada para menores de idade.

Que dupla!

São duas pessoas que têm o mérito da série: John Cena e James Gunn. O primeiro, por ser protagonista, se entrega muito bem ao personagem do homem bonito e tonto, sem medo de passar vergonha, uma espécie de Johnny Bravo com poderes. O ex-lutador da WWE entrega momentos divertidos, mas também é dramático na medida certa.

Já James Gunn consegue exprimir o necessário para se distanciar dos filmes e séries da Marvel — mesmo já tendo dirigido "Guardiões da Galáxia". Um dos mais competentes diretores do momento, ele é conhecido por entregar as mais diferentes produções, desde o roteiro do ótimo "Scooby Doo" (2002), aos recentes filmes de super-heróis que comandou.

Se "Peacemaker" conseguir manter a mesma qualidade de "O Esquadrão Suicida" por todos os seus oito episódios, ela pode se tornar um marco para a DC, assim como o filme que a originou, trazendo frescor ao universo cinematográfico, com boas atuações e uma produção divertida, que dá vontade de continuar assistindo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL