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Zabelê faz versões pop de Novos Baianos e lembra SNZ: 'Criadoras do TikTok'

Zabelê lança "Auê", seu segundo disco solo - Fernando Young/Divulgação
Zabelê lança 'Auê', seu segundo disco solo Imagem: Fernando Young/Divulgação

Renata Nogueira

De Splash, em São Paulo

09/12/2021 04h00Atualizada em 09/12/2021 12h14

O ano era 2000 e, se você era um adolescente, provavelmente dançou muito ao som do girl group brasileiro SNZ, formado por Sarah Sheeva, Nãna Shara e Zabelê. Mais de 20 anos depois, as irmãs trilharam caminhos diferentes na música, e Zabelê é a única que continua dedicada ao secular.

Buscando unir os fãs daquela época e apresentar um pouco da história da música brasileira para a nova geração, a cantora lança hoje "Auê", seu segundo disco solo. O álbum conta com regravações e novas versões mais pop de canções que brilharam em outros tempos com os pais dela, Pepeu Gomes e Baby do Brasil, e os Novos Baianos.

"Com esse projeto minha intenção foi fazer releituras de músicas que marcaram uma época, que marcaram um tempo, minha infância e minha construção musical, e trazê-las para o momento de agora, com releituras mais modernas, mais atuais", explica a cantora em entrevista a Splash.

"Masculino e Feminino", do clássico e ainda atual verso "ser um homem feminino não fere o meu lado masculino", por exemplo, ganhou nova versão com Zabelê e Ney Matogrosso.

Sobre os parceiros, Zabelê foi cirúrgica. "Queria que fossem pessoas que tivessem de alguma forma conexão com essas músicas, esse tempo, os Novos Baianos, com a obra dos meus pais."

"Preta Pretinha", lançada anteriormente como single, tem parceria com Carlinhos Brown. Zabelê só lamenta não ter tido tempo de mostrar sua versão para Moraes Moreira, que morreu em abril de 2020.

Eu queria que ele tivesse visto a minha regravação de 'Preta Pretinha', que é uma música dele com o Galvão, que é o poeta dos Novos Baianos. Zabelê sobre Moraes Moreira

"Auê" viria depois de um novo álbum de inéditas (ela havia lançado "Zabelê" em 2015), mas a perda repentina de Moraes, vítima de um infarto agudo, fez a cantora entender que não deveria esperar mais para homenagear os Novos Baianos.

"Eu já estava no processo do disco e tive a certeza que eu deveria continuar. Eu queria muito reverenciá-los e mostrar para essa nova geração de alguma forma essas músicas com uma releitura, com a cara também da Zabelê. Senti no meu coração que era a hora."

Uma nova geração, aliás, que recuperou o SNZ e concedeu um título justo ao grupo que começou em 1997 e encerrou definitivamente os trabalhos em 2009.

"Ouvi que o SNZ é considerado o TikTok raiz, as criadoras do TikTok por causa das nossas dancinhas. Fiquei sabendo isso esses dias, tem uma semana", conta a cantora, surpresa.

Ela, no entanto, reconhece o legado. "Tantas coisas surgiram depois do SNZ. A gente realmente abriu caminho para muita gente que está aí hoje em dia fazendo o que a gente fazia."

O mesmo legado que construiu a carreira dela e ela procura honrar. Além de Ney e Brown, "Auê" traz colaborações de Mestrinho, Dadi, Evandro Mesquita e até mesmo Walter Casagrande, que narra a parte final de "Toda Donzela". Fã de Novos Baianos, o ex-jogador chegou a namorar Baby e hoje é grande amigo da família.

"O disco é uma forma atual e pop do momento. Para que as pessoas que não conheciam possam conhecer da minha forma, no meu estilo. No estilo Zabelê que começou no SNZ. É uma conexão de gerações. Esse resgate a gente tem que manter vivo."

Resta a Zabelê seguir a herança musical deixada pelos pais e pelo SNZ. Suas irmãs hoje se dedicam ao gospel. A mais velha, Sarah Sheeva, é pastora e criadora do Culto das Princesas. A mais nova, Nãna Shara, é pastora nos Estados Unidos.

"Nossa relação hoje é de irmãs. A gente tinha uma relação de trabalho durante muito tempo e depois continuamos com o relacionamento de irmãs. A gente entende que cada uma seguiu o seu caminho e que foi um tempo muito valioso", resume Zabelê.

snz - Divulgação - Divulgação
As irmãs Nãna, Sarah e Zabelê na época do SNZ
Imagem: Divulgação

Para ela, o essencial é que cada uma delas tenha se encontrado em suas próprias escolhas.

"A gente pode cada um seguir o seu caminho da sua forma. As meninas estão no gospel, eu estou no secular, mas é um direito de cada uma seguir da forma que quer seguir. Não precisa fazer a mesma coisa a vida toda. Esse livre arbítrio é do ser humano."