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Caso Evandro: 'Se tiver mudança de rumo vai ser pelo Leandro Bossi'

"Caso Evandro" - Globoplay / Montagem: Pedro Antunes
"Caso Evandro"
Imagem: Globoplay / Montagem: Pedro Antunes

Mari Monts

De Splash, em São Paulo

15/06/2021 04h00

A série sobre o "Caso Evandro", de direção de Aly Muritiba, inspirada no podcast de mesmo nome, que conta com uma longa investigação do jornalista Ivan Mizanzuk, teve seu último episódio, o caso extra sobre Leandro Bossi, disponibilizado há alguns dias no Globoplay.

Mas o interesse em saber o que, de fato, aconteceu com os meninos desaparecidos de Guaratuba ainda não acabou.

A série mostra o desaparecimento do menino Evandro, de 6 anos, em 1992, em Guaratuba, litoral do Paraná. E também o desaparecimento de outro menino da cidade, Leandro Bossi.

Após o corpo de Evandro ser encontrado numa mata sem vísceras, na época, o crime foi considerado um homicídio para realização de um ritual satânico. Sete pessoas foram condenadas pelo envolvimento no caso, entre elas a filha e esposa do prefeito de Guaratuba, Beatriz e Celina Abagge. Que ficaram conhecidas como as bruxas da cidade.

O menino Evandro - Reprodução - Reprodução
O menino Evandro
Imagem: Reprodução

Celina foi absolvida em 1998, quando completou 70 anos, porque o crime prescreveu. Já Beatriz teve perdão da pena em 2016. As duas, e os outros condenados, alegaram que foram vítimas de torturas para confessar o crime logo que foram pegos pela polícia militar.

A produção traz, em primeira mão, as fitas que comprovam que essas pessoas sofreram tortura enquanto eram obrigadas a assumir a autoria do assassinato do menino Evandro.

Apesar do crime ter prescrito, Ivan, jornalista que esmiuçou esse caso, conversou com Splash sobre o pedido que o advogado de defesa pode fazer para a Justiça agora com a revelação dessas fitas:

Ivan Mizanzuk, jornalista - Divulgação / Globoplay - Divulgação / Globoplay
Ivan Mizanzuk, jornalista
Imagem: Divulgação / Globoplay

O que eu imagino é que a defesa da Beatriz pelo Figueiredo Basto deve tentar as anulações das condenações para limpar a ficha, até porque isso tem implicações na vida da Beatriz, principalmente, até hoje. Eu também imagino que eles devam pedir uma indenização do Estado ou vão processar.

No Brasil, os crimes prescrevem em 20 anos. O caso aconteceu há quase 30. A investigação sobre a autoria da morte do menino Evandro foi encerrada.

O caso que ainda está aberto é do Leandro Bossi. Ele ainda está sendo investigado. Esse é um caso para ficar de olho, eu suponho que se formos ter mudança de rumo vai ser pelo Leandro Bossi e não pelo caso do Evandro.

Leandro Bossi tinha características físicas muito parecidas com Evandro, loiro de olhos claros. O menino estava com oito anos quando desapareceu, também em Guaratuba, dias antes do desaparecimento de Evandro. Mas esse caso não foi tão repercutido pela mídia.

A série mostra que existiam duas possibilidades para o destino do menino na época: ou realmente foi morto ou foi traficado.

Para Ivan, que acompanhou detalhe por detalhe deste caso, acredita que, infelizmente, ele esteja morto. E que aquele corpo que foi tido como de Evandro na época é, de fato, dele. E deixa uma hipótese.

Eu espero estar errado, mas eu acredito que ele tenha sido morto. Evandro está morto, pois o exame de DNA é muito confiável. Minha hipótese, depois de anos de pesquisa sobre o caso, é que ambos possam ter sido vítimas de um serial killer. E a ossada de menina encontrada pode ter sido uma outra vítima, anterior aos dois garotos.

Leandro Bossi - Divulgação - Divulgação
Leandro Bossi
Imagem: Divulgação

Sobre uma possível continuação da série ou do podcast, Ivan diz que o assunto foi esgotado e que os principais detalhes estão no podcast e na série. A não ser que tenham atualizações do caso: "Mas, se amanhã ou depois, a gente tiver algum desdobramento novo, pode ser que tenha continuação, mas não imagino uma temporada nova".

Ivan, na verdade, pensa em retratar essa história com um outro olhar, não de continuação, mas ficcional.

Eu tenho muito interesse, e já conversei sobre isso com um dos diretores da série, o Aly Muritiba, em pensarmos em uma ficção, com atores mesmo, sobre o júri de 1998, justamente porque ele foi o mais longo da história do Brasil.

Será que teremos essa versão no Globoplay?