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Como em 'The Crown', relação de Charles e Philip teve altos e baixos

Príncipes Charles e Philip em 1979, durante o funeral de Louis Mountbatten - Fox Photos/Getty Images
Príncipes Charles e Philip em 1979, durante o funeral de Louis Mountbatten Imagem: Fox Photos/Getty Images

Beatriz Amendola

De Splash, em São Paulo

09/04/2021 11h08

O príncipe Philip, que morreu hoje, aos 99 anos, fez história como uma das figuras mais desbocadas da família real —mas também chamou a atenção, publicamente, por seu relacionamento complicado com seu primogênito, Charles.

Philip e Charles, como atestado por vários biógrafos, tinham personalidades muito distintas: enquanto o marido de Elizabeth II era direto e atlético, seu filho era introvertido e tinha inclinações artísticas, o que causava tensão na família.

Tempos de escola

Esse conflito se refletiu na escolha da escola de Charles, como corretamente retratado na segunda temporada de "The Crown", a série da Netflix sobre a família real inglesa.

Philip insistiu para que o filho fosse estudar na escola escocesa Gordonstoun, a mesma que havia frequentado em sua adolescência. Mas a escola, de perfil mais atlético e rigoroso, não estava exatamente em sintonia com Charles.

O príncipe sofreu bullying dos colegas e, mais tarde, descreveu seu tempo na escola como "uma sentença de prisão".

Mas, depois, Charles seguiria os passos de seu pai de outras formas, mais positivas: ele teve passagens pela Força Aérea Real e pela Marinha, e, assim como Philip, se tornou um piloto.

'Falta de paciência'

As diferenças persistiram mesmo depois de Charles se tornar adulto. O jornalista Penny Junor, biógrafo de Charles e Diana, definiu da seguinte forma a relação dos dois:

Príncipe Philip é direto, franco, caloroso, durão e meio valentão. Ele não tem paciência com a busca de autoconhecimento do filho. A sensibilidade não é uma das qualidades que ele espera em um homem, e embora ele tenha grande afeição por Charles, ele passou uma vida o criticando e silenciosamente acabando com sua autoestima.
Penny Junor, a Tim Clayton, no livro 'Diana: Story of a Princess'

Príncipe Philip, rainha Elizabeth e príncipe Charles em 2017, no  Braemar Highland Gathering, na Escócia - Samir Hussein/Samir Hussein/WireImage - Samir Hussein/Samir Hussein/WireImage
Príncipe Philip, rainha Elizabeth e príncipe Charles em 2017, no Braemar Highland Gathering, na Escócia
Imagem: Samir Hussein/Samir Hussein/WireImage

Conselhos em cartas

Philip, no entanto, procurava aconselhar o filho, principalmente no que dizia respeito à vida amorosa dele. Ele enviou uma carta o criticando por ser indiscreto com suas namoradas e, anos depois, quando Charles estava namorando Diana há quase um ano, Philip o orientou a fazer uma escolha: casar com ela ou terminar o relacionamento.

Em 1992, depois da publicação do livro "Diana: In Her Own Words" ser publicado, Philip enviou mais uma carta ao filho, dessa vez elogiando o seu estoicismo durante o escândalo. Na época, Charles e Diana já estavam separados, embora o divórcio só fosse ser finalizado em 1996, um ano antes da morte dela.

Segundo Tina Brown, jornalista e também biógrafa de Diana, o falecimento da princesa do povo "amoleceu" bastante Philip.

Saudades durante a pandemia

Nos últimos anos, o relacionamento de Charles e Philip parecia ir bem, e o herdeiro ao trono, em um momento raro, falou publicamente sobre as saudades que sentia do pai e da família durante a quarentena imposta pela pandemia.

"Você pode falar por telefone, mas não é a mesma coisa. Às vezes, você só quer dar um abraço", disse ele a uma emissora britânica.

De pai pra filho

A história se repetiu entre Charles e o filho, Príncipe Harry. Os dois também vivem uma relação conturbada e cheia de problemas, especialmente depois da saída de Harry da Família Real, no ano passado.

Em entrevista a Oprah, Harry revelou que o pai deixou de falar com ele depois do anúncio que eles se afastariam da Coroa. Mas fontes ligadas à Família Real contaram, em matéria da PEOPLE, que o relacionamento entre os dois nunca foi fácil.

"Não é uma relação direta entre pai e filho. Ele é o pai e também o chefe dele, controlando todo o dinheiro", explicou a fonte.