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Pedro Antunes

Filipe Ret detalha faixa a faixa de 'Imaterial': 'Me sinto começando agora'

Filipe Ret lança o álbum 'Imaterial'
Filipe Ret lança o álbum 'Imaterial'
Lucas Sá / Divulgação
Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

20/03/2021 14h21

"Eu me sinto de fato começando agora", diz Filipe Ret.

É bonito quando um artista ainda sente a mágica do início de carreira. Impossível voltar no tempo, é verdade, mas a gente pode brincar com ele, jogá-lo entre passado, presente e futuro, ainda que na imaginação.

Filipe Ret  - Sant / Divulgação - Sant / Divulgação
Filipe Ret
Imagem: Sant / Divulgação
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Filipe Ret é rapper de números estrondosos (o primeiro single do novo EP, por exemplo, da música "F*F*M*", foi visto 1 milhão de vezes no YouTube em menos de 48 horas e, atualmente, o vídeo ultrapassou a marca dos 8 milhões), mais de uma década de carreira, uma trilogia de discos bem-sucedidos, mas…

Ainda sente o gostinho de como estivesse começando agora ao soltar "Imaterial", com cinco faixas, sendo quatro delas inéditas.

"Imaterial" flerta com a filosofia, com o material e o imaterial, a distância entre "ter" e "ser", enquanto também reflete sobre a existência do rapper. "F*F*M*", por exemplo, trata de quando o artista recebeu voz de prisão por porte de maconha em janeiro de 2021.

"A função do artista é instigar novas realidades e gerar novos questionamentos. Falar sobre sexo e drogas ainda é um tabu, mas é uma realidade que temos que enfrentar sem demagogia"
Filipe Ret

Filipe Ret - Sant / Divulgação - Sant / Divulgação
Filipe Ret lança o álbum 'Imaterial'
Imagem: Sant / Divulgação
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Abaixo, o artista nos leva por cada uma das faixas de "Imaterial", com bastidores e simbologias das cinco músicas do EP. Para ajudar, também coloquei os clipes ou music visualizers das canções. É só dar o play.

Vamos lá?

Capa de 'Imaterial', o EP de Filipe Ret - Fernando Schlaepfer / Divulgação - Fernando Schlaepfer / Divulgação
Capa de 'Imaterial', o EP de Filipe Ret
Imagem: Fernando Schlaepfer / Divulgação

1) 'War'

"Eu fiz essa música pra mostrar que é possível se manter no game mais forte do que nunca. Me sinto de fato começando agora e quis escrever um trap sobre guerra sem perder a suavidade musical. A letra propõe uma reflexão profunda."

"A gente odeia guerra, mas a verdade é que a história da humanidade é a história da guerra: seja entre países, seja pela nossa sobrevivência. O rap cresceu das batalhas de rima, e eu vim de lá. Além de eu ser de uma cidade (Rio de Janeiro) que, infelizmente, é recorrente o barulho de tiro."

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2) 'Além do Dinheiro'

"Eu acho importante as pessoas terem ambição material, mas quando as conquistas materiais deixam de ser um meio para a felicidade e passam a ser a conclusão da sua felicidade, a vida perde a graça. Essa diferença é sutil na teoria, mas é brutal na prática."

"Eu já sou rico, minha quantidade de dinheiro ou de bens não interfere nisso. A música é sobre essa vibe."


3) 'Acende a Vela'

"Não é um love song, mas também fala sobre amor. Tem a frase mais bonita do disco na minha opinião, que é 'Dê mais amor do que você recebe'."

"A humanidade evoluiu muito, mas toda essa evolução chega de forma muito atrasada pros mais pobres por causa de muita gente ruim e incompetente no meio do caminho. Nesse som eu toco na ferida, mas proponho uma solução nobre."

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4) 'F*F*M*'

"A gente vive num País onde eu nem pude colocar explicitamente o nome da música ('Fudendo Fumando Maconha'). Apesar da grande velocidade de informação no mundo de hoje, o Brasil é um país atrasado ideologicamente."

"A função do artista é instigar novas realidades e gerar novos questionamentos. Falar sobre sexo e drogas ainda é um tabu, mas é uma realidade que temos que enfrentar sem demagogia."

5) 'Cobaia de Deus'

"É minha preferida do disco. Essa música fala de sonho, tanto no sentido literal quanto no sentido de desejar algo. Ela traz algumas reflexões individuais que se encaixam na vida de muita gente. O refrão é uma viagem onírica."

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"Sempre dei atenção pros meus sonhos e busco interpretá-los porque o inconsciente revela muita coisa. Minha forma de cantar tem influência inconsciente do funk carioca, por isso chamei a primeira cantora de funk do Brasil, nossa querida MC Cacau."


Conte nos comentários qual é a sua favorita?