PUBLICIDADE
Topo

Pedro Antunes

BBB 21 pode ser a salvação de uma carreira mediana do drifteiro Fiuk

Fiuk prometeu novo disco em breve, em post no Instagram - Instagram / Reprodução
Fiuk prometeu novo disco em breve, em post no Instagram Imagem: Instagram / Reprodução
Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

20/01/2021 14h58

Sem tempo?

  • Fiuk ganha uma grande chance ao entrar no BBB 21.
  • Afinal, a verdade é que ele nunca saiu da média na carreira como ator e músico.
  • Com a sacudida oferecida pela exposição do reality da Globo, o astro tem uma chance de ouro diante de si.
  • Isso, é claro, se ele mostrar fogo nos olhos durante a presença na casa em Curicica.
  • Afinal, depois de 2020, possivelmente o público não "compre" a ideia de um fado sensato no BBB.
  • Fiuk, certamente, precisará mostrar mais.

Piloto de drift. Vocalista de uma banda de rock colorido (ou pop punk, ou pop rock). Adorador de camisetas com gola em "v". Ator de novela do horário nobre e de cinema. Gravou com Jorge Ben Jor.

Com um currículo desses e todo o garbo e elegância apresentados nos anos de estrelado, Fiuk poderia ser considerado um jovem de 30 anos bem-sucedido, mas não é exatamente o que parece.

Antes de qualquer coisa, reconheço, leitor amante da alta velocidade, que entendo patavinas de drift. Todo o meu conhecimento se resume ao que assisti no brilhante filme "Velozes Furiosos: Desafio em Tóquio", ou no que ouvi nos discos "Músicas Para Drift", do rapper Yung Buda.

Portanto, falta-me bagagem para analisar profundamente a carreira do participante do BBB 21 atrás do volante. Mas posso falar sobre música ou sobre a carreira de Fiuk como ator.

E, posso garantir, ciente do ódio que receberei das redes sociais e apesar de curtir a estrelar família do drifteiro, que, em nenhuma das duas outras opções de carreira, o jovem apresentou brilhantismo.

O que não é de todo ruim, claro. Afinal, estar na média é bom também. Na escola, passaria para o próximo ano, não é?

Com a banda Hori, Fiuk lançou um disco em 2009 (relançado no ano seguinte com uma quatro músicas inéditas).

O Brasil vivia aquela terrível época do rock colorido, uma dissidência ainda mais pop do movimento emo, que por sua vez também havia sido "perfumado" pela música mainstream.

A Hori fez sucesso com a molecada da época com músicas melosas de sentimentos absolutos que funcionam na pré-adolescência - quando tudo é imediato e infinito, sabe?

Vou dar um exemplo desse tipo de som: ouça "Segredo", da Hori. "Você sempre estará aqui no meu coração", diz a música. Quantas pessoas que hoje tem, sei lá, 35 anos e ainda guardam uma paixonite dessas de escola no coração? Fica aí a reflexão. Com jovens, esse discurso funciona, os hormônios estão a mil, tudo parece ser o fim do mundo de tão dramático.

O par de anos de 2009 e 2010 foi de ouro de Fiuk. Além da banda Hori bombando, o rapaz participou do filme fofo "As Melhores Coisas do Mundo" e estrelou a 17ª temporada de Malhação.

A verdade é que nada decolou muito depois disso.

Como ator, ele acumulou mais alguns papeis no cinema, embora nada relevante. Na TV, fez participações especiais episódicas em produções como "Guerra dos Sexos", "Geração Brasil" e "Loucos por Elas".

Não foi muito adiante no concorridíssimo "Dança dos Famosos", mas brilhou como vice-campeão do "Super Chef Celebridades". Eis um grande momento recente diante das câmeras.

Atualmente, Fiuk está no ar na reprise de "A Força do Querer", como Ruy, cuja atuação foi bastante criticada na época. O ator dizia não se importar com as críticas recebidas pela interpretação na novela. Se for verdade, é uma pena.

Vamos, agora, para carreira como artista solo de Fiuk.

O grande feito, sem dúvida, foi gravar uma música com Jorge Ben Jor, um dos maiorais da música brasileira. "Quero Toda Noite" apresentava uma vibe diferente daquilo que ouvimos com a Hori, com violões e uma pegada de sambinha chique.

O último álbum sozinho de Fiuk foi em 2013. No Instagram, recentemente, o perfil do artista avisou que o novo álbum chegaria em breve em uma postagem já realizada enquanto ele estava confinado para entrar no BBB 21.

Talvez, o disco chegue durante a participação dele no BBB (ou depois, também), de modo que gerará algum burburinho.

Mas há alguns passos a serem dados antes disso para que algo maior aconteça.

Veja, as redes oficiais do nosso querido drifteiro já estão cheias de conteúdo pré-gravado de Fiuk, com base na estratégia muitíssimo bem-sucedida de Manu Gavassi (ex dele, aliás, cóf cóf cóf), centrado no tema de BBB 21.

Assista ao vídeo abaixo, fiel fã do jovem Filipe Galvão, e me diga se realmente acredita que ele parece empolgado com essa história toda.

O BBB 21 é a chance de Fiuk evitar uma carreira artística mediana e insossa. Para o bem ou para o mal, é claro.

Se não derrapar demais (sacaram a referência à outra paixão dele?), o drifteiro favorito do Brasil tem tudo para sair do BBB brilhando, pronto para passos maiores.

Em uma entrevista para o GShow, Fiuk se disse sensível e tímido. O que pode ser um problema para alguém está prestes a ser exposto ao furacão de Curicica, na casa vigiada por milhões de pessoas.

Depois da edição de 2020, histórica, possivelmente o público não comprará facilmente a ideia de um "fado sensato" de rostinho bonito, apenas.

Fiuk vai precisar de mostrar mais sangue nos olhos durante a participação do reality. Vontade e comprometimento, mesmo. Algo que, sinceramente, não vimos fora do confinamento.