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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Não deixe que o 'BBB' te adoeça

Gilberto após eliminação de Sarah do "BBB 21" - Reprodução / Internet
Gilberto após eliminação de Sarah do "BBB 21" Imagem: Reprodução / Internet
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

31/03/2021 12h25

A cada temporada de "Big Brother Brasil", as redes sociais explodem ainda mais em engajamento. Participantes e torcidas têm se profissionalizado, com direito a equipes administrando perfis e fãs guardando vídeos cruzando informações e até mesmo produzindo narrativas falsas. Em tempos de pandemia, o programa potencializou - e polarizou - ainda mais discussões no Twitter e virou mina de ouro para Instagrams de fofoca.

Como tudo o que é muito intenso, há perigos. Há quem não durma. Há quem critique os espectadores da edição da Globo por não terem tempo - ou vontade - de acompanhar por 24 horas a vida de outra pessoa. Há quem seja fanático e parta a ofensa. Há quem prefira a cegueira a discutir os assuntos complexos propostos pelo programa.

Ao contrário de muita gente que torcia o nariz para o reality, entendo que o "BBB" mude a sociedade a partir dos debates que propõe. Eu mesmo, ao ver Jean Wyllys sair do armário em rede nacional ao ser indicado para o primeiro paredão da quinta temporada, saltei do sofá e descobri que estava tudo bem se afirmar no mundo como homossexual. Fiquei tenso, saltei do sofá, tive medo de minha família ter problemas, mas entendi. O programa tem, sim, o poder de transformar vidas, mas algumas das vidas parecem obcecar de tal maneira que parecem não permitir autocrítica.

Figuras como Gilberto, Camilla, João, Juliette e, sim, até mesmo Karol e Rodolffo, são importantes para promover reflexões e nos fazer entender como sociedade.

Acima de tudo, o "BBB" é entretenimento, mas é também uma maneira de acreditar na justiça. Não por acaso machismo, homofobia, racismo, assédio já viraram pautas e seguirão virando. Torna-se necessário, no entanto, algum distanciamento para analisar o jogo e também entender como a audiência se comporta ao se deparar com tais questões. Nem sempre é fácil, em meio a um Fla x Flu intenso.

Esse texto, então, tem como única função lembrar a quem só pensa no programa que há vida lá fora. Há um céu, uma família, uma busca por afetos. Os diretores merecem descanso, os participantes ao deixar o jogo também. E o espectador também merece um pouco de paz. Dá para pensar e viver intensamente o programa sem ficar mal. Não deixe o "BBB" te adoecer. Há que se estar bem para aproveitá-lo.

*Este é meu último texto no UOL. Parto para novos desafios e, desde já, sinto saudade. Foi um ano incrível. Obrigado demais pela companhia. E fiquem seguros!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL