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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Tina Turner encerra carreira alertando para violência doméstica em filme

Tina Turner em depoimento para o documentário sobre sua vida - Reprodução/HBO
Tina Turner em depoimento para o documentário sobre sua vida Imagem: Reprodução/HBO
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

29/03/2021 11h35

Depois de "Framing Britney Spears", mais uma estrela vira alvo de um documentário que passa em revista seus altos e baixos. Em "Tina", recém-lançado pela HBO Max, Tina Turner vira objeto de uma grande revisão de sua obra e mostra como sua história de vida mudou radicalmente o cotidiano de muitos de seus fãs.

Dirigido por Daniel Lindsay e T. J. Martin, o filme refaz os passos de uma jovem que assume os vocais de um grupo de soul e vira uma grande diva. Ingênua e sem saber o quanto valia aos olhos de empresários, Tina por muito tempo foi manipulada pelo marido, Ike Turner (1931-2007), e tornou-se vítima de violência. São inúmeros relatos, muitos deles testemunhados pelos filhos. Aqui, ainda que estivesse à frente de sucessos como "Proud Mary" e "River Deep", Tina, tomou coragem e decidiu reconstruir sua carreira.

Em um tempo de juventude sempre valorizada, esta mulher, que já havia passado dos 40 anos, venceu toda a descrença e se tornou uma das maiores cantoras solo do mundo. Em seu primeiro álbum, vendeu mais de 20 milhões de cópias e entrou para o panteão. Apesar disso, nunca conseguiu se desvencilhar do passado. O que "Tina" mostra é que, por mais sucesso que ela tivesse, falar sobre a brutal violência que sofreu ainda era uma ferida sempre aberta e constantemente cutucada pela mídia e fãs.

Por sua coragem em denunciar os abusos de que foi vítima, Tina Turner deixou de ser apenas uma estrela. Tornou-se um emblema. Talvez por isso queira, com este documentário, aos 81 anos, colocar um ponto final em sua carreira e despedir-se dos holofotes. Tina merece ser celebrada. Mas que isso aconteça sem que ela precise reviver traumas diariamente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL