PUBLICIDADE
Topo

Histórico

Fefito

Na primeira semana, 'BBB 21' deixou o entretenimento de lado e ficou pesado

Karol Conká tem sofrido duras críticas nas redes sociais - Reprodução / Internet
Karol Conká tem sofrido duras críticas nas redes sociais Imagem: Reprodução / Internet
Fefito

Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

01/02/2021 23h26

Após uma ansiosa espera, o "BBB 21" estreou embalado pelo sucesso de sua edição anterior e pela última "A Fazenda", mas frustrou as expectativas de quem espera encontrar pessoas tentando aparecer bebendo água da piscina ou tramando eliminações. Em seus primeiros dias, o reality show cedeu lugar ao medo do cancelamento e teve participantes pisando em ovos o tempo todos ou transformando simples interações em ações complexas. A convivência ficou tão pesada que o primeiro paredão não tem sido assunto.

Há dois fatores decisivos para a trava dos concorrentes. O primeiro é simples: o elenco. Embora diverso, ele pareceu ter sido escolhido para abarcar um tema específico. Faltou maior mistura equilíbrio e leveza com militância entre alguns dos selecionados. As discussões acabaram tomando rumos intensos e importantes, mas que não servem como entretenimento. De tão complexos e cheios de camadas, os debates não tiveram o didatismo visto na temporada anterior.

O segundo fator é de fácil compreensão: os participantes parecem presos nas duas últimas edições do programa. Ninguém quer ser acusado de racismo como a campeã do "BBB 19". Todos querem ser "fadas sensatas" como no "BBB 20". Houve até quem tenha feito curso para isso, caso de Fiuk, que decidiu estudar questões sociais para chegar ao confinamento cheio de empatia. Tanta teoria, no entanto, atrapalhou a prática.

Tentando "cancelar o cancelamento", os brothers do "BBB 21" esqueceram do básico: criar uma nova história. Cancelada do momento, Karol Conka acha que tem batido de frente com Lucas, a quem acusa de assediador e abusivo. Quem vê de fora acha que ela age com soberba e humilha o ator ao proibi-lo de comer sozinho. Para quem vê o programa apenas na Globo, é difícil entender como a situação chegou a esse ponto. A edição tem se empenhado ao máximo a aliviar o clima pesado, mas a cena choca a todos com ou sem contexto.

Sem saber o que fazer, a emissora não interferiu na exclusão de Lucas, assistida de camarote pelos amigos, todos calados. Não pediu conciliação. Tiago Leifert, no entanto, fez questão de parabenizar Projota por conversar com o ator no domingo (31). Nesse caso a direção precisa decidir: ou deixa o jogo rolar sem se importar comas consequências ou interfere de fato e de vez.

Falta leveza ao elenco do "BBB 21". E não é com humilhação, xenofobia ou homofobia - com participante que chamou gays de criaturas - que o entretenimento virá. É preciso mais jogo e menos problematização. Por enquanto, a edição está difícil de assistir.