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Fomos injustos ao rir de Vanusa e transformá-la em meme

A cantora paulista Vanusa - Reprodução / Internet
A cantora paulista Vanusa Imagem: Reprodução / Internet
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

08/11/2020 15h02

Resumo da notícia

  • Cantora morreu neste domingo (8), aos 73 anos, devido à insuficiência respiratória
  • Com longa carreira na música, Vanusa se viu reduzida a um meme por ter trocado a letra do "Hino Nacional"
  • Sabendo hoje que ela sofria de problemas de memória, é preciso se questionar se havia de alguma graça no episódio

Dona de sucessos como "Manhãs de Setembro" e "Como Vai Você?", Vanusa foi ícone da Jovem Guarda e embalou momentos importantes na vida de muita gente. Em 2009, no entanto, a artista viu sua carreira ser resumida a um infeliz momento quando, convidada para uma apresentação na Assembleia Legislativa de São Paulo, errou a letra do "Hino Nacional". O episódio fez a internet entrar em polvorosa e é até hoje lembrado. Todas as vezes em que teve de dar entrevista Vanusa se viu na obrigação de falar sobre o assunto. Não por acaso afirmou que entrou em depressão.

A artista morreu neste domingo (8), aos 73 anos, devido a insuficiência respiratória, mas há anos sofria, segundo seus filhos, de uma espécie de demência semelhante ao mal de Alzheimer. Já não reconhecia muitas pessoas e estava com a memória prejudicada. É de se questionar, portanto, se, na época em que trocou as bolas cantando o hino, Vanusa já não passava por sintomas do problema que a acometeria. Nesse caso, rimos de uma questão de saúde. E, ainda que não soubéssemos, criamos uma questão de saúde, uma vez que ela afirmou ter se deprimido.

Fomos muito injustos ao resumir Vanusa àquele erro. Ela merece ser lembrada por suas músicas, por suas parcerias com nomes como Eduardo Araújo, por sua ousadia ao experimentar estilos pouco comuns na época, por sua participação na Jovem Guarda, pela mulher independente que foi. Que o sol das manhãs de setembro sempre brilhe para ela.