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Por que 'Fina Estampa' é considerada uma novela tão ruim hoje?

Tereza Cristina (Christiane Torloni) e Griselda (Lilia Cabral) de Fina Estampa (Reprodução - TV Globo) - Reprodução / Internet
Tereza Cristina (Christiane Torloni) e Griselda (Lilia Cabral) de Fina Estampa (Reprodução - TV Globo) Imagem: Reprodução / Internet
Fefito

Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

11/08/2020 16h19

Resumo da notícia

  • Novela reprisada pela Globo foi criticada por Marco Pigossi durante live
  • Nas redes sociais, são muitas as queixas sobre a trama de Aguinaldo Silva
  • Originalmente exibida em 2011, a produção envelheceu mal e seria problematizada hoje

As declarações de Marco Pigossi sobre "Fina Estampa" parecem ter reacendido um debate que ocorre desde o início da reprise da trama de Aguinaldo Silva na Globo. Afinal, como pode um folhetim tão ruim estar no ar? Em conversa com João Vicente de Castro, o ator, que interpreta Rafael na história, afirmou: "Essa novela deveria ser proibida de reprisar, porque são tantas barbaridades".

Para Pigossi, "Fina Estampa" dificilmente estaria livre de problematizações atualmente. "Você passar uma novela dessas hoje é uma loucura. Eu tenho vergonha de algumas coisas que são faladas na novela, de como são tratadas na novela. Tenho vergonha da minha atuação, das minhas mechas loiras", brincou o ator. De fato, a trama envelheceu mal, mas, ainda assim segue com boa audiência. Afinal, por que "Fina Estampa" é tão ruim? A coluna lista algumas possibilidades a seguir.

cro - Reprodução / Internet - Reprodução / Internet
Crô rendeu muita problematização nas redes sociais
Imagem: Reprodução / Internet

Crô - Considerado um xodó do público, o mordomo gay vivido por Marcelo Serrado abriu diversas discussões sobre a maneira caricata como homossexuais são retratados na TV. Sem direito a afetividade com beijos e abraços, teve namorado misterioso e acabou a trama com um agressor de mulheres. Além disso, era constantemente ofendido por sua patroa e não se impunha, reagia a tudo passivamente, enquanto lhe conferia uma profusão de apelidos como "Rainha do Nilo" ou "Nefertiti". No fim, nem mesmo seu parceiro secreto foi revelado.

baltazar - Reprodução / Internet - Reprodução / Internet
Baltazar (Alexandre Nero) agride Celeste (Dira Paes)
Imagem: Reprodução / Internet

Baltazar - O personagem de Alexandre Nero começou a novela como um agressor de mulheres. Ele batia em Celeste (Dira Paes) e não teve esse episódio resolvido. Seguiu livre e migrou para o núcleo cômico, onde acabou virando paixão platônica de Crô. No final, o autor deu a entender que o motorista só era agressivo com a esposa porque tinha sexualidade mal resolvida e estava no armário, o que, por si só, já é passível de bastante discussão. Além disso, vale ressaltar, a música que acompanhava a agressiva relação entre Baltazar e Celeste se chamava "Amor Covarde", de Jorge & Mateus, e, quando tocava, entoava frases como "Quando a gente fica junto, tem briga. Quando a gente se separa, saudade". Puxadíssimo.

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Teresa Cristina, grande vilã da novela, se inspirou em Nazaré (Renata Sorrah)
Imagem: Reprodução / Internet

Teresa Cristina - A grande antagonista da história mais parecia uma vilã da Disney. Talvez animado com o sucesso de Nazaré (Renata Sorrah), em "Senhora do Destino", Aguinaldo Silva decidiu transformar a personagem de Christiane Torloni, obrigada a usar uma inexplicável lente de contato, em uma malvada que sempre se dá mal - ela nunca consegue levar a cabo o plano de matar os filhos de Griselda (Lilia Cabral) - e age de maneira afetada. Teresa Cristina acorda maquiada, usa figurinos de seda e fala de jeito empolado. Além do mais, chama seu mordomo homossexual de "slave" ("escravo", em inglês).

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Suzana Pires volta como gêmea após assassinato da irmã
Imagem: Reprodução/Internet

Absurdos da trama - Para além dos muitos clichês (o filho que tem vergonha da mãe ou a milionária proibindo o namoro da filha com um pobretão), "Fina Estampa" resolve sem cerimônia muitas de suas histórias. A mudança de vida da protagonista acontece por meio de uma loteria e o anúncio da riqueza é transmitido em tempo real, antes mesmo de achar o bilhete, sem levar a conta a violência do país. Uma gêmea surge para resolver o assassinato da irmã. Já o casal vivido por Eva Wilma e Thaís de Campos virou uma dupla de amigas inseparáveis. Está faltando vilão? O ex-marido de Griselda surge inexplicavelmente no mar. E não sabe como comunicar aos outros personagens um acontecimento importante? Simples! Uma vidente resolve esse problema por muitas vezes. No fim, até caça ao tesouro acontece.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL