PUBLICIDADE
Topo

Com preços menores, hostels em São Paulo atendem do mochileiro ao executivo

Débora Costa e Silva

Do UOL, em São Paulo

02/07/2014 13h40

Mochileiros, quartos lotados de beliches e clima de balada são as características de um hostel no imaginário de muita gente. E foi mais ou menos assim por um bom tempo na Europa e até aqui no Brasil. Mas de uns anos para cá esse meio de hospedagem vem se adaptando para receber mais pessoas e diferentes perfis de viajantes.

Hoje há hostels de diversos estilos e para todo tipo de público – não apenas para o clássico viajante itinerante, que cai na estrada de mochila, não se importa em dividir o quarto e que prioriza os baixos custos aliados à experiência de conhecer pessoas de outros cantos do mundo.

Em São Paulo, a diversidade é grande, mas há um estilo de albergue que tem despontado nos últimos dois anos: o hostel-design. Decoração moderna e assinada por arquitetos de grife é uma das particularidades. Também fazem parte do combo um número maior de quartos privativos (suíte ou com banheiro exclusivo), wifi grátis, espaço para trabalho ou estudo, ambientes sóbrios e refinados e festas que terminam cedo - ou que sequer fazem parte da programação.

Mais trabalho, menos balada
Claro que ainda há espaço para o hostel tradicional – e alguns bastante dedicados ao público jovem e baladeiro. Mas o fato de a cidade atrair mais turistas que viajam a trabalho talvez tenha moldado o perfil dos hostels paulistanos.

É o caso do Che Lagarto, rede de hospedagem argentina espalhada por toda a América Latina. Nos outros destinos, a marca é conhecida pelo perfil festeiro e jovem, enquanto a unidade paulistana é bem diferente. Localizado na Vila Mariana, o hostel tem apenas dois quartos coletivos de um total de 22 (os outros são suítes) e ambientes coletivos pouco convidativos a festas - apesar de contar com um bar que fica aberto 24 horas.

Curiosamente, o bairro da zona sul tem tido uma proliferação de hostels, e, pensando nessa nova tendência, fica fácil entender o porquê. Apesar de não ser uma região boêmia e turística, quem se hospeda na Vila Mariana acessa com facilidade o Parque Ibirapuera, os hospitais próximos ao metrô Santa Cruz e a Avenida Paulista, principal centro comercial de São Paulo, onde estão também museus e boas opções de restaurantes.

WE Hostel, na Vila Mariana - Divulgação - Divulgação
WE Hostel, na Vila Mariana
Imagem: Divulgação

Muitos destes hostels ainda se dividem quanto ao tipo de público, e os proprietários da maioria se dizem abertos para todos os perfis – daí a variedade de tipos de quartos. Sempre há um coletivo, mas também não podem faltar privativos e suítes. Afinal, por mais crescente que seja o turismo de negócios, também vem aumentando o número de viajantes que buscam lazer e diversão.

“Meu foco não é o mochileiro, mas se eles não vierem, já não é mais hostel. É importante para quem viaja a trabalho conhecer pessoas mais viajadas e diferentes. Daí a integração fica mais interessante, pois os perfis se misturam”, acredita Guilherme Perez, sócio-proprietário do WE Hostel, na Vila Mariana, aberto há dois anos.

O São Paulo Lodge Business Hostel é um dos poucos que já nasceu com uma proposta mais definida. É um hostel business, ou seja, voltado para o público de negócios e também para quem visita a cidade por conta de eventos, exames ou congressos. Há quartos com bancadas, pensadas em estudantes, outros com TV e até ofurô para os que se hospedam nas suítes.

Os preços também mudaram: não chegam a custar uma diária de um hotel (cerca de R$ 200), mas já está acima da média do que se cobra por leito em um hostel tradicional (cerca de R$ 35) e ficam em torno de R$ 50 (os coletivos) e chegam até R$ 190 (privativos) fora de temporada.

Brasileiro x estrangeiros
Independente do tamanho ou do estilo de hostel, todos os proprietários e funcionários entrevistados pelo UOL Viagem foram unânimes em dizer que a maior dificuldade é lidar com o turista brasileiro, que na maior parte das vezes não está familiarizado com o conceito de hostel.

Bee W, na região da Avenida Paulista - Divulgação - Divulgação
Bee W, na região da Avenida Paulista
Imagem: Divulgação

Dividir o banheiro, o quarto ou até a mesa do café da manhã ainda é encarado como um problema por muitos, que acabam escolhendo o local por conta do valor da diária e demoram a entender como funciona essa hospedagem. “O brasileiro ainda só olha o preço. O estrangeiro vê a experiência”, aponta Luciano Fanucchi, sócio-proprietário do Bee W Hostel, um dos únicos localizados na região da Avenida Paulista.

Na Europa e mesmo na América Latina os viajantes já se hospedam em hostels há muito tempo e estão mais habituados a essa cultura de compartilhar ambientes do que os brasileiros, que começaram a viajar para o exterior de uns anos para cá. “Alguns [brasileiros] saem daqui reclamando, pois esperam serviço de hotel com preço de hostel, mas outros se permitem mais, se abrem e acabam gostando, fazendo amizades e voltando”, comenta Danielle Cunha Oliveira, proprietária do Che Lagarto.

Agito, grafite e bar no quintal
Famoso reduto boêmio de São Paulo, a Vila Madalena atrai o perfil mais descolado para seus hostels. Durante a Copa do Mundo, o bairro é o epicentro das festas entre os turistas e os hostels têm se beneficiado com esse aumento no número de visitantes. De acordo com uma pesquisa elaborada pela SPTuris em junho de 2014, a média é 75% de leitos ocupados na região, 3,2% superior a do restante dos hostels da cidade consultados.

City Lights Hostel, em Pinheiros - Divulgação/CityLights - Divulgação/CityLights
City Lights Hostel, em Pinheiro
Imagem: Divulgação/CityLights

Um dos mais antigos da cidade, o hostel Ô de Casa, em funcionamento há oito anos em Pinheiros, bairro vizinho da Vila Madalena, é um dos que se mantém fiel à filosofia de albergue até hoje. Grafites nas paredes, ambiente informal e um bar instalado no quintal da casa dão o tom da hospedagem.

Perto dali está o City Lights Hostel, que parece transportar o visitante para fora de São Paulo graças ao toque rústico da decoração e um espaço aberto repleto de plantas e árvores. Ali, o foco também é o mochileiro: promovem festas temáticas com DJs e viagens para destinos ecoturísticos alternativos por meio da agência Flower Power, criada pelos proprietários do hostel.

Na Vila Madalena o turista encontra de tudo: desde hostels mais estilosos e modernos, como o HBB (Hostel Brasil Boutique) e o Namôa, até menores e mais simples, com cara de casa da avó, como o Hostel Alice. Há inclusive um que serve de refúgio para os que estão fartos do caos paulistano: o Zen Hostel, que como o próprio nome já indica, foi criado para proporcionar um clima tranquilo para os hóspedes que buscam relaxar e descansar do agito.

Mais informações: 

Hostels Brasil
http://www.hihostelbrasil.com.br

Associação dos Hostels de São Paulo
http://ahostelsp.com.br