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Brasileira promove presença de mulheres no setor mundial do azeite de oliva

Glenda é a representante brasileira no "Women in Olive Oil" - Reprodução Instagram
Glenda é a representante brasileira no "Women in Olive Oil" Imagem: Reprodução Instagram

20/07/2021 15h34

Apesar de sempre terem desempenhado um papel essencial na produção do azeite de oliva, nem sempre as mulheres puderam assumir um papel de liderança no setor.

Com o objetivo de corrigir essa desigualdade e empoderar a presença feminina neste universo, a rede mundial "Women in Olive Oil"(Mulheres do Azeite de Oliva) foi fundada e vem reunindo integrantes em todo o mundo.

Fundada no ano passado pela americana Jill Myers, a "Women in Olive Oil" conseguiu reunir em poucos meses mais de mil representantes em dezenas de países. A produtora de azeite de oliva Glenda Haas e a azeitóloga Ana Belotto lideram a iniciativa no Brasil, cujo grupo conta com 150 mulheres.

Glenda Haas é produtora de azeite e luta contra machismo no setor - Reprodução Instagram - Reprodução Instagram
Produção brasileira: valorização do local
Imagem: Reprodução Instagram

Em entrevista à RFI, Glenda explica que o setor do azeite de oliva é ainda dominado pelos homens, "como todo mercado muito tradicional". No entanto, no Brasil, por ser um nicho muito recente, muitas mulheres atuam na liderança dos negócios.

Ela explica:

As brasileiras do setor geralmente trabalham no marketing, no comercial, tem muitas que extraem o próprio azeite, são educadoras ou sommeliers. Então, no Brasil, as características deste mercado são bem diversas. Não deixa de ser um ambiente masculino, mas contamos com um grande número de mulheres".

Segundo ela, as maiores disparidades de gênero deste setor ocorrem nos países árabes. No entanto, mesmo nas nações ocidentais, o combate pela igualdade continua.

"Por isso, o principal objetivo da 'Women in Olive Oil' é combater esse comportamento dentro da indústria que é tão desafiadora para nós, mulheres. Estamos nos unindo para tentar fazer com que o mercado se modifique", diz.

A azeitóloga Ana Belotto e a produtora Glenda Haas: elas lideram a iniciativa no Brasil - Reprodução Instagram - Reprodução Instagram
A azeitóloga Ana Belotto e a produtora Glenda Haas: elas lideram a iniciativa no Brasil
Imagem: Reprodução Instagram

Para isso, as integrantes da plataforma promovem encontros que vêm sendo fundamentais para a integração e a representatividade feminina, além do compartilhamento de informações e o crescimento profissional das mulheres no setor do azeite de oliva.

"Criamos um grupo de trabalho e fizemos várias lives com o objetivo que essas mulheres viessem até nós para nos conhecermos, em um lugar seguro para a troca de experiências. Muitas delas disseram: 'me sinto muito mais confortável falando aqui do que em qualquer outro grupo profissional que eu faça parte'. Porque sabemos como é o trabalho com muitos homens e, entre nós, conseguimos nos expressar e nos compreender muito melhor", diz.

Glenda explica que, no ano passado, as ações do "Women in Olive Oil" foram principalmente internas, com o objetivo de descobrir e reunir as mulheres que trabalham no setor. Neste ano, a rede irá lançar um podcast voltado para o consumidor e também está promovendo webinars para todos os que tiverem interesse neste mercado.

Brasil no setor de azeite de oliva

Maiores disparidades de gênero no setor de azeites ocorrem nos países árabes - Reprodução Instagram - Reprodução Instagram
Maiores disparidades de gênero no setor de azeites ocorrem nos países árabes
Imagem: Reprodução Instagram

Segundo Glenda, até há pouco tempo, o Brasil importava 100% do azeite de oliva para consumo. A atual produção de cerca de 100 mil litros por ano é considerada pequena no país, mas vem evoluindo, especialmente na região da Serra da Mantiqueira e no Sul.

Hoje há cerca de sete mil hectares de cultivo de oliveiras, com uma estimativa de expansão de 20% ao ano em área plantada.

"Demora mais ou menos cinco anos para a primeira safra, ou seja, é uma cultura que precisa de um prazo longo para começar a produzir. Mas temos um potencial bastante grande no Brasil. A Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] estima que exista cerca de um milhão de hectares de áreas plantáveis de oliveiras", explica.

Glenda enumera o diferencial que a produção brasileira de azeite de oliva oferece.

"A gente consegue ter acesso a um produto de excelente qualidade e muito fresco. Então, para nosso consumo, qualquer produto daqui é melhor do que os importados já que ele é produzido localmente, o consumimos um ou dois meses depois de ter sido extraído, ao passo que os outros azeites internacionais demoram mais a chegar. Então, o ideal seria aumentarmos a nossa produção já que podemos ter um azeite mais saudável e mais saboroso", reitera.

A representante brasileira no "Women in Olive Oil" explica que o azeite de oliva ainda é considerado um produto elitizado e ainda pouco acessível à maioria da população no Brasl.

A média do consumo atualmente é de 400 gramas por habitante. "Mas quando a economia do país melhora, o consumo do azeite de oliva também melhora. Ou seja, as pessoas querem comprar, mas tem essa barreira [econômica]", diz.

Além disso, segundo a produtora, há pouca divulgação sobre os benefícios deste produto na alimentação - uma situação sobre a qual a "Women in Olive Oil" está trabalhando para tentar mudar.

"O azeite de oliva é uma gordura totalmente diferente de qualquer outra. Ele é rico em ácido oléico, que faz bem para o coração; o extravirgem também tem biofenois que combatem as ações oxidativas do nosso corpo. É um produto único e saudável", conclui.