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Helles, a "quase irmã" da Pilsen que você precisa conhecer (ou resgatar)

Os tradicionais canecões de um litro, com Helles de Munique - Getty Images/iStockphoto
Os tradicionais canecões de um litro, com Helles de Munique
Imagem: Getty Images/iStockphoto
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Juliana Simon

Juliana Simon é editora-assitente de Nossa, a plataforma de lifestyle do UOL, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Colunista e editora-assistente de Nossa

17/10/2021 04h00

Semana passada, falei de um estilo que merece bem mais destaque que uma simples menção — e que umas letras miudinhas nos rótulos: Helles de Munique é a cerveja que a gente quer nesse Brasilzão sedento por leveza e frescor.

De copo e coração, acredito que é um estilo que tem tudo para pegar o bebedor daqui de jeito. Por isso, aqui vão algumas muitas chances de você, leitor, colocar essa belezinha entre os seus favoritos do bar e você, cervejeiro, afinar suas receitas para oferecê-la tinindo do tanque para o copo.

"Adoro 'Pilsen', vou gostar da Helles?"

Antes de tudo, quero que você lembre para sempre que muitas cervejas populares vendidas como Pilsen, na verdade, pertencem a outro estilo (Standard American Lager). Mas, sim, se sua preferência é cerveja clara (mas não tão clara), leve (mas não tão leve) e se busca algo com mais sabor... você nasceu fã de Helles.

Sabe a expressão "pão líquido"? Podemos dizer que é a tradução do estilo.

Helles em Biergarten de Munique, na Bavária - Bohdan Stocek/Unsplash - Bohdan Stocek/Unsplash
Helles em Biergarten de Munique, na Bavária
Imagem: Bohdan Stocek/Unsplash

É uma cerveja de amarelo claro a dourado (aliás, helles em alemão é claro), refrescante, de corpo médio e sem exageros no álcool (com até 5,3% ABV) ou no amargor — menos amarga que a Pilsen verdadeira, por exemplo. É o equilíbrio perfeito entre malte (que dá aroma e sabor que remetem a pão) e lúpulos florais.

Em resumo: uma cerveja leve sem ser sem graça, gostosa sem ser enjoativa.

Já tem versão BR e não é de hoje

Hoje a gente até tem ouvido um pouco mais sobre a Helles, mas existem ótimos exemplares nacionais do estilo já há algum tempo e bem acessíveis - os favoritos da casa: Bamberg Helles, Jackpot da Blondine e Hellbeirão, da Invicta.

Para quem quer provar clássicos, um aviso: eles podem sofrer um tanto com a viagem e/ou armazenamento. Entre eles, HB e Paulaner que são bem fáceis de achar no mercado.

Helles da tradicional Hofbräu München - Alana Harris/Unsplash - Alana Harris/Unsplash
Helles da tradicional Hofbräu München - HB para os chegados
Imagem: Alana Harris/Unsplash

Mas e a Spaten?

Ah, sim... ela também está entre nós agora, mas para falar da cervejaria que tem dominado a divulgação cervejeira, melhor contar toda a história do estilo — já que os minutos da TV e o espaço do post não permitem, né?

Nascida em Munique, um dos maiores berços cervejeiros do mundo, a Helles não surgiu tããão antigamente como se pode imaginar pelas datas alardeadas por aí.

Antes do estabelecimento da Lei da Pureza (que já explicamos aqui), era cerveja gruit. Depois disso até meados do século 19, o que se entendia como lager da Bavária era a Dunkel, com coloração bem mais escura e sabor mais tostado.

Garrafa de Helles da Augustiner - Illiya Vjestica/Unsplash - Illiya Vjestica/Unsplash
Garrafa de Helles da Augustiner
Imagem: Illiya Vjestica/Unsplash

Não muito longe, porém, surgia um estilo claro, leve, saboroso, feitinho para aquele biergarten com a galera: em 1842, nascia a Pilsen tcheca.

A novidade era tão irresistível que conquistou até os bávaros mais conservadores. E não demorou muito para que eles batalhassem para criar uma cerveja para competir com a vizinha: nasce a Helles, em 1894, na Cervejaria Spaten (olha lá ela).

Hoje, o estilo é considerado a cerveja do dia a dia em Munique, conta com deliciosos exemplares por toda a cidade e consegue presença até em outras regiões da Alemanha — que são super apegadas às criações próprias.

No Brasil, uma piada que deu bem errado

Nos círculos cervejeiros do Brasil, a Helles já foi alvo de uma disputa tão ferrenha, quanto ridícula. Em 2019, a cervejaria Fassbier de Caxias do Sul notificou outras empresas do Rio Grande do Sul pelo nome "indevido" do nome Helles.

Isso porque, em 2007, havia conseguido o registro do nome do estilo como marca Helles no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Claro que o mercado ficou pistola, muitas manifestações, muita revolta e? bem, meio mundo ainda faz a Helles (o estilo) sem a intenção de imitar a Helles da Fassbier. A última notícia sobre o caso foi destrinchada por gente muito mais especialista que o Siga o Copo: vai que é sua Advogado Cervejeiro.

Helles da Augustiner-Bräu - Max Kratzer/Unsplash - Max Kratzer/Unsplash
Helles da Augustiner-Bräu
Imagem: Max Kratzer/Unsplash

Helles é amor pra sempre

Se você nunca provou a Helles e agora ficou com vontade, minha missão está quase cumprida. Fica o recado também para quem já tomou muito do estilo e agora só bebe e produz estripulias da moda: voltar ao básico de uma lager tradicional e bem feita é joia para o mercado e para equilibrar o paladar.

Geladeira com diversidade cervejeira, aí vão seus novos apaixonados. Prosit ;)

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