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Jogadora de vôlei cogitou nova carreira após tumor: "Tive bastante medo"

Juliana Mello, jogadora de vôlei, passou por radiocirurgia após descobrir tumor - Divulgação
Juliana Mello, jogadora de vôlei, passou por radiocirurgia após descobrir tumor Imagem: Divulgação

Leandro Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

01/04/2021 04h00

Era fevereiro de 2020 quando Juliana Mello, ex-central de Flamengo, Osasco e Sesi-SP, passou a experimentar sensações estranhas. A jogadora de vôlei notou que estava perdendo a sensibilidade no lado esquerdo do rosto. Pouco depois, percebeu também que perdia a audição. Foi só em agosto daquele ano que ela descobriu o motivo: tratava-se de um neuroma do acústico —um tumor benigno que cresce lentamente e passa a pressionar o cérebro, afetando funções vitais como o equilíbrio e a audição.

Tudo isso aconteceu pouco antes do início da Superliga. Juliana ainda não havia acertado contrato para a disputa da temporada e, sem plano de saúde, se viu em meio a uma situação delicada. "Foi um período muito difícil pra mim e pra minha família", contou a jogadora, em entrevista ao UOL Esporte.

"Eu tinha recém-perdido a minha avó para o câncer. Ter que dar uma notícia dessa foi mais complicado ainda."

De início, com poucas informações sobre o tumor, Juliana temeu pelo pior. O medo de ter a carreira interrompida aos 26 anos foi um golpe duro para a atleta, que chegou até a pesquisar novas possibilidades de trabalho caso não conseguisse mais retornar às quadras.

"Li depoimentos de pessoas que chegaram até mim falando que fizeram a cirurgia e que ficaram com sequelas. Fiquei com bastante medo de não conseguir retomar a carreira depois da cirurgia, tanto que, quando eu estava afastada, cheguei a procurar opções de carreira, caso eu não conseguisse voltar para o vôlei. Temi muito pela minha vida também", revelou.

Juliana Mello - Divulgação - Divulgação
Juliana Mello, jogadora de vôlei, teve perda de audição por conta de tumor
Imagem: Divulgação

Havia ainda a questão financeira. O custo para realizar a cirurgia para a retirada do tumor e o tratamento após o procedimento ultrapassava R$ 85 mil. Nem mesmo a ajuda da mãe, que vendeu o carro para cobrir parte dos gastos, foi suficiente. Foi então que Juliana Mello teve a ideia de criar uma vaquinha virtual para arrecadar o valor.

A jogadora gravou um vídeo explicando a situação pela qual estava passando e pediu a ajuda de seus seguidores nas redes sociais. Ganhou muito mais do que isso. A publicação viralizou e nomes como Nalbert e Jaqueline apoiaram na divulgação. Ali, o jogo começa a virar a favor de Juliana.

"Fiquei tão surpresa, nem acreditei. Eu já tinha ideia de fazer uma vaquinha, mas não achava que ia conseguir o valor. Eis que eu lancei a vaquinha em dezembro e dois dias depois já estava atingindo o valor", contou.

"Quem me ajudou muito foi a Jaqueline, do Osasco. Ela divulgou bastante. A maioria das atletas ajudaram, sou imensamente grata. Mas a Jaque, por todo apoio que ela me deu, fora a divulgação, ela conversou comigo, deu todo um apoio extra. Foi muita coisa que somou. Teve muita gente que chegou, ganhei quatro mil seguidores em um período de dois dias. Muita gente chegou em mim por causa do vídeo, tinha mais de mil solicitações de mensagens pra responder. Foi muito bacana receber apoio de pessoas que nunca vi na vida", acrescentou Juliana.

Jogadora passou por procedimento inovador

Juliana já se preparava para a cirurgia, que seria realizada em janeiro deste ano, quando recebeu a notícia de que a data precisaria ser remarcada em função da pandemia do novo coronavírus. "Fiquei sem saber o que fazer", contou a atleta.

Foi então que a jogadora teve conhecimento, por meio de um neurologista que a acompanhava, de um novo procedimento disponível para o seu caso: o CyberKnife, um equipamento de radiocirurgia que permite atacar células tumorais de maneira não invasiva e com precisão submilimétrica. O procedimento não elimina o tumor, mas o invalida geneticamente e interrompe o seu crescimento.

A nova alternativa agradou a atleta. Depois de uma conversa de mais de três horas com a neurocirurgiã Alessandra Gorgulho, do Hospital Vila Nova Star, optou pelo novo método.

"No caso específico da Juliana, o risco de ter um déficit após a cirurgia convencional variaria entre 25% e 50%. Era um risco considerável. Com a radiocirurgia, o risco é em torno de 1,5% a 2%. É muito menor", explicou Alessandra Gorgulho.

"A Juliana optou pelo CyberKnife porque representava um risco mínimo de comprometimento do facial. A outra questão era em relação ao equilíbrio. Se isso continuasse evoluindo, como ela se comportaria em quadra? Não ia conseguir", acrescentou a médica.

A radiocirurgia foi realizada no dia 16 de março. O procedimento durou cerca de meia hora e foi considerado um sucesso. "Saio muito mais forte. É um recomeço. Novos ares", comemorou a jogadora, que agora espera a oportunidade para retornar definitivamente às quadras. Ela já está clinicamente liberada para voltar às atividades físicas.

"Estou tirando muita coisa positiva disso, estou tendo muita visibilidade pra mim. Está sendo ótimo, colhendo frutos positivos de tudo isso. Meu sonho é voltar a jogar e voltar bem, fazer o que eu gosto, da melhor forma possível", finalizou.

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