PUBLICIDADE
Topo

Vôlei

Bicampeãs olímpicas apoiam Tifanny e a comparam com Tandara

Neide Carlos/Vôlei Bauru
Imagem: Neide Carlos/Vôlei Bauru

Adriano Wilkson

Do UOL, em Barueri (SP)

16/02/2018 22h41

Tifanny foi a melhor pontuadora da partida entre Hinode Barueri e Vôlei Bauru, na noite desta sexta-feira (16), mas não bateu o recorde que divide com Tandara há uma semana. Além disso, sua equipe foi derrotada por 3 sets a 2. No entanto, a jogadora transexual foi elogiada por duas bicampeãs olímpicas do time adversário: Thaisa e Jaqueline.

“Eu vou ser muito sincera: ela é tão forte quanto a Tandara. A Tand é muito forte também. Obviamente, ela [Tifanny] é alta, tem força e tudo, mas ela também recebe 80% das bolas do time! Como é que não vai pontuar muito? A Tandara também sempre pontua muito, porque recebe 60% das bolas do time. Não tem como, a pontuação vai ser alta. A gente não pode focar só no tanto de pontos que faz, tem que ver o tanto de bola que está recebendo, entendeu?”, disse Thaisa.

A partida foi realizada no ginásio José Correa, em Barueri, que contou com a presença de ativistas LGBT nas arquibancadas. Tifanny, porém, fez 36 pontos e não voltou a bater a própria marca de 39, que divide com Tandara. No início do mês, a jogadora do Vôlei Nestle chegou a se posicionar contra a presença da atleta trans na Superliga Feminina. O discurso de Thaisa foi de apoio a Tifanny, cujo trabalho de transição fisiológica teve início aos 29 anos.

“Não cabe a mim falar o que deve ou não deve, eu não tenho que achar nada. Não sou eu que defino nada, eu não estudei pra isso. Eu não estou ali pra julgar e dizer se pode ou não. Isso fica pros órgãos competentes. Eu sempre comento que tem que se ver o lado humano da Tifanny. Está ali, é uma jogadora tanto quanto eu. Eu tenho que dar força pra ela, tenho que falar pra correr atrás dos sonhos”, comentou a meio-de-rede.

Thaisa Jaque - Marcelo del Pozo/Reuters - Marcelo del Pozo/Reuters
Thaisa e Jaqueline defenderam a seleção brasileira nos Jogos Rio 2016
Imagem: Marcelo del Pozo/Reuters

“Se amanhã as pessoas certas decidirem que ela não pode mais jogar, eu vou apoiá-la também e vou seguir o jogo. Eu estou aqui pra jogar voleibol, não estou aqui pra discutir. Eu acho que tenho que dar o meu melhor pra tentar pará-la, pra tentar defender. Como é jogar contra ela? Eu adoro, porque sou amiga e converso muito com ela. A gente tem uma amizade absurda, é uma pessoa muito carinhosa e doce”, acrescentou Thaisa, em sintonia com Jaqueline.

“Ela é muito forte, a bola pegava em mim e ardia, pela força que ela tem. Mas tem a Tandara, tem outras jogadoras também. É diferenciada, né? A gente sabe que ela é diferenciada. Ela é uma jogadora que voltou agora pro Brasil, não a conhecia. Estou conhecendo agora. Amo a Tifanny, sabe? Quando me encontrou hoje de manhã, me deu um beijo e me cumprimentou”, disse a ponteira de 34 anos.

Para efeitos meramente comparativos, a segunda melhor pontuadora da partida desta sexta-feira foi a polonesa Katarzyna Skowronska, que fez 24. A jogadora atua como oposto do Barueri e, com o uniforme de sua seleção, foi a melhor pontuadora da Copa do Mundo de Vôlei Feminino de 2007.

Vôlei