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Futebol Sem Fronteiras

O jogo por trás do jogo. Com Jamil Chade e Julio Gomes


OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Futebol sem Fronteiras #28: Como M. United ficou tão para trás do Chelsea?

Do UOL, em São Paulo

25/11/2021 16h00

Um saboreia a fase iluminada: atual vencedor da Liga dos Campeões, líder do Inglês e exibindo bom futebol. O outro passa por grande tormenta: demitiu seu técnico, é criticado pelo estilo de jogo pouco vistoso e tem sido salvo pelas atuações do seu grande astro. Chelsea e Manchester United se enfrentam neste domingo (28), pela 13ª rodada da Premier League, com um cenário incomum de superioridade londrina. O duelo, às 13h30 (horário de Brasília), terá transmissão minuto a minuto do Placar UOL.

No podcast Futebol sem Fronteiras #28 (ouça na íntegra no episódio acima), o colunista Julio Gomes e o correspondente internacional Jamil Chade conversaram com o jornalista escocês Duncan Castles sobre a partida. Eles discutiram como o Manchester United passa por um momento turbulento, com queda de treinador e futebol pouco convincente, mesmo com a contratação de Cristiano Ronaldo.

"O clube esperava que a chegada do Cristiano Ronaldo fosse a cereja do bolo de um time já muito bom e fazê-lo competitivo a ponto de lutar pelo título da Premier League. Mas não foi isso o que aconteceu. O Solskjaer, que jogava mais em um futebol de contra-ataque, tenta implementar um sistema de jogo mais ofensivo com Cristiano Ronaldo. Não deu certo. O time caiu para oitavo no Inglês e atuou mal em todas as partidas na Champions", explicou Castles.

O jornalista escocês falou sobre o retorno de CR7 aos Diabos Vermelhos e como o clube o convenceu a aceitar o desafio de liderar a equipe. "O Manchester United pensava que Cristiano Ronaldo pudesse ter esse papel. Ele precisava sair da Juventus. Existia a questão financeira e o agente dele também buscava um lugar para sair. Cristiano Ronaldo sabia que não poderia vencer mais na Juve porque o clube não tinha dinheiro para ter um time competitivo. Ele tem a percepção de que tem quatro, cinco, seis anos de Champions League e que poderia aproveitar esse tempo. Cristiano gostaria de ser o maior atleta do mundo e, para isso, precisaria continuar ganhando títulos", afirmou.

Castles destacou um detalhe crucial da negociação do astro português, que estava em conversas com o Manchester City, e que o influenciou de forma decisiva para a volta ao United. "O Manchester City tenta convencê-lo e há uma intervenção do Alex Ferguson. O Guardiola conversou com Cristiano Ronaldo, que ficou convencido de que isso poderia acontecer. Houve uma questão financeira com a Juve. Acima de tudo, houve a intervenção do Ferguson, até com uma chantagem emocional de que ele não poderia ir para o City. Se ele quisesse voltar a ser o herói, voltaria a ser no United", contou.

O jornalista escocês não acredita que CR7 tenha participação na queda de Solskjaer, como insinuam alguns comentários. "Há uma versão de que Cristiano Ronaldo teria contribuído para um desempenho abaixo da expectativa, porque estaria tirando do modelo que o treinador gostaria de colocar para o time. Acho uma loucura esse argumento", opinou. Para ele, o Manchester United pode continuar com um técnico interino até o fim desta temporada.

Rivalidade M. United x Chelsea

Julio ressaltou que a rivalidade entre Manchester United e Chelsea ficou mais acirrada com a chegada do técnico José Mourinho ao clube londrino, em 2004. "Ela se desenvolve naquela época, com um time poderoso, papa-tudo, que ganhava Champions e uma Premier League atrás da outra. Aí chega um clube tradicional, mas não campeão nem vencedor, desafiando esse domínio. E com um técnico, digamos, escandaloso, bem diferente daquele padrão britânico", enfatizou o colunista do UOL.

Castles mostrou como a gestão e a forma de pensar o futebol levaram o Manchester United a seguir um caminho distinto do Chelsea. Enquanto os Diabos Vermelhos amargam um longo jejum de títulos, os londrinos empilham troféus e são os atuais vencedores da Champions. "Os Glazers [família dona do Manchester United] fazem dinheiro com o Manchester United, mais de US$ 1 bilhão em lucros e dividendos. O objetivo não é basicamente ganhar títulos, mas sim lucrar com o time. Para um time como o Manchester United, nove anos sem títulos é muito tempo", concluiu.

Ouça o podcast Futebol sem Fronteiras e confira também a discussão sobre quem pode ser o próximo técnico do Manchester United.

Não perca! Acompanhe os episódios do podcast Futebol sem Fronteiras todas as quintas-feiras às 15h no Canal UOL.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL