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Acidente tira Pietro Fittipaldi da Indy-500 e interrompe ascensão

Divulgação/Instagram
Imagem: Divulgação/Instagram

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

05/05/2018 04h00

O grave acidente sofrido na última sexta-feira (4) colocou Pietro Fittipaldi sob os holofotes, mas da maneira que nenhum piloto sonha em estar. Neto do bicampeão da Fórmula 1 Emerson Fittipaldi, o piloto quebrou as duas pernas ao colidir com o muro de contenção de Spa-Francorchamps, na Bélgica, e por isso perde a chance de disputar uma prova lendária que marcou a carreira do avô: as 500 Milhas de Indianápolis.

Pietro tem acordo para correr em parte da atual temporada da Fórmula Indy, revezando um carro da equipe Dale Coyne. A série de lesões sofridas nas pernas, porém, impossibilita a participação do piloto na Indy-500, cujos treinos começam em 15 dias. Não será desta vez que a família Fittipaldi voltará a ter um representante nas 500 milhas, prova que o avô Emerson Fittipaldi venceu duas vezes (1989 e 93).

A expectativa é de que Pietro fique pelo menos oito semanas em recuperação. Ele sofreu duas fraturas, uma em cada perna, além do rompimento dos ligamentos do joelho direito. O tempo longe das pistas cria um obstáculo quanto ao arranjo na F-Indy como um todo: três das sete provas que ele disputaria na temporada acontecem durante o período estimado para a recuperação.

O acidente interrompe uma carreira promissora, que aos poucos se consolidava apesar das dificuldades na busca por acordos de patrocínio. O piloto mira a elite do automobilismo mundial, a Fórmula 1, e os meses de recuperação atrasam qualquer evolução neste sentido. Ainda assim, a atual temporada tem sido de conquistas inéditas para Pietro, que além da F-Indy assinou também para estrear no Mundial de Endurance (WEC) e na Super Fórmula do Japão. 

Pietro Fittipaldi - Christian Petersen/STF - Christian Petersen/STF
Temporada de 2018 marca estreia de Pietro na Indy, mas fraturas atrasam aprendizado na categoria
Imagem: Christian Petersen/STF

Quem é Pietro Fittipaldi?

Pietro representa a quinta geração de uma família que tem o automobilismo nas veias e na árvore genealógica. Wilson Fittipaldi, seu bisavô, foi entusiasta e pioneiro nas transmissões de corridas pelo rádio. Emerson, o avô, foi o primeiro brasileiro campeão (e bicampeão) mundial da Fórmula 1, nos anos 70, e repetiu o feito na F-Indy nas décadas seguintes. A ascendência de Pietro inclui ainda Wilson Fittipaldi Jr., seu tio-avô, e o tio Christian, que também correram na F1.

Nascido em 1996, em Miami, o piloto de 21 anos tem dupla nacionalidade e corre sob a bandeira brasileira. Ele destacou-se nos Estados Unidos logo aos sete anos, no kart; e aos 15 tornou-se o primeiro latino-americano a vencer a categoria Limited Late Model da Nascar.

O talento no volante o levou a estrear nos circuitos europeus em 2013, quando fez quatro pódios em campeonatos da Fórmula Renault. Dois anos depois Pietro competiu na Fórmula 3 Europeia, e em 2017 juntou-se à Lotus para a temporada da Fórmula V8 3.5, da qual foi campeão.

O sucesso levou Pietro Fittipaldi a subir um degrau e apostar na Fórmula Indy. O acordo com a Dale Coyne prevê participação em sete das 17 etapas da temporada, mas ele só correu uma até aqui: largou em décimo em Phoenix, mas abandonou após bater. Na ocasião, o piloto escreveu que, quando o carro quebra em uma curva, "você realmente sente o impacto, é muito pesado".

O acidente no treino classificatório das 6 horas de Spa-Francorchamps adiou a estreia de Pietro no Mundial de Endurance. De qualquer forma, ele ainda tem outra etapa para correr: a de 14 de outubro, em Fuji, no Japão.

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