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Advogado nega corrupção em contrato negociado por Ricardo Teixeira e Rosell

12/03/2019 12h05

Madri, 12 mar (EFE).- O advogado do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira, Michel Assef Filho, afirmou nesta terça-feira que o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell não cometeu corrupção quando negociou um contrato de direitos audiovisuais de partidas da seleção brasileira.

As declarações do advogado foram feitas na Audiência Nacional da Espanha, onde é realizado o julgamento de Sandro Rosell, da esposa do ex-dirigente e de outros quatro acusados, para os quais o Ministério Público espanhol pede penas de seis a 11 anos de prisão por supostos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O Ministério Público acusa os seis processados de participarem da lavagem de 20 milhões de euros da CBF, dos quais Rosell supostamente ficou com pelo menos 6,5 milhões.

Ricardo Teixeira presidiu a CBF entre 1989 e 2012. Em 2006, negociou com Rosell a assinatura da cessão dos direitos televisivos de 24 amistosos da seleção brasileira por 27 milhões de euros à empresa International Sports Events (ISE), pertencente a um grupo da Arábia Saudita.

Ao se pronunciar no julgamento, no dia 26 de fevereiro, Rosell negou que os 5,8 milhões de euros que recebeu por esse contrato correspondessem a comissões ilegais que teria dividido com Teixeira. O espanhol alegou que eram a remuneração acordada com a ISE por ter feito a intermediação entre a empresa e a CBF.

A sessão desta terça-feira começou com a fala de Michel Assef Filho. O advogado explicou que, por motivos de saúde, Ricardo Teixeira não pôde comparecer ao julgamento, para o qual também tinha sido convocado inicialmente para hoje como testemunha.

Michel Assef Filho declarou que a Espanha pediu a extradição de Teixeira diante desses fatos, solicitação que foi negada pelo Brasil, onde não há nenhum processo jurídico aberto contra ele, enfatizou.

Diante disso, o promotor apresentou ao tribunal um documento que recebeu do Ministério Público brasileiro sobre um "procedimento investigatório criminal declarado secreto" aberto em relação a Teixeira.

Assef Filho insistiu que não há nenhum processo jurídico contra Teixeira e que desconhece se o MP abriu uma investigação interna, já que não foi comunicado.

O advogado ressaltou que a CBF é uma entidade "totalmente privada, que não trabalha com recursos nem com dinheiro público" e lembrou que a mesma emitiu um comunicado na qual confirmou que "não sofreu nenhum tipo de prejuízo pelos fatos que estão sendo processados".

De acordo com o advogado, Ricardo Teixeira deixou a presidência da CBF em 2012 por motivos de saúde e "o seu mandato não foi denunciado nem rejeitado pelas autoridades brasileiras".

Além disso, evidenciou que quando Teixeira assumiu a presidência da CBF a confederação tinha muitos problemas financeiros e não havia dinheiro nem para o Campeonato Brasileiro, nem para formar jogadores nem para a seleção, e que quando deixou o cargo tinha conquistado 11 títulos, incluindo duas Copas do Mundo.

A testemunha mencionou que a CPI do Futebol do Senado brasileiro, que investigou o futebol nacional, concluiu que não identificou corrupção nos contratos investigados. Michel Assef Filho acrescentou que o relatório oficial foi aprovado por 15 dos 17 senadores da comissão em 2016.

Os únicos senadores que votaram contra na ocasião foram Randolfe Rodrigues e Romário, que denunciaram irregularidades em um relatório paralelo.

"Segundo foi publicado na imprensa, o sonho de Romário era ser presidente da CBF", disse Assef Filho. EFE

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