PUBLICIDADE
Topo

Esporte

Sandro Rosell irá a julgamento em fevereiro por caso envolvendo a CBF

Albert Gea/Reuters
Imagem: Albert Gea/Reuters

Da EFE, em Madri (Espanha)

17/10/2018 13h06

O ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell irá a julgamento a partir do dia 25 de fevereiro, pela Audiência Nacional da Espanha, das acusações de formação de quadrilha, desvio e lavagem de dinheiro, em caso que envolve a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

O dirigente, que será julgado com outros acusados de pertencer ao grupo, que teria ficado irregularmente com de 20 milhões de euros (R$ 85,9 milhões, em valores atuais) da entidade, enfrentará pedido do Ministério Público de 11 anos de prisão, somado ao pagamento de uma multa de 59 milhões de euros (R$ 253,5 milhões).

De acordo com fontes consultadas pela Agência Efe junto à Audiência Nacional, o julgamento na Primeira Seção da Sala Penal do tribunal deverá será dividida em três fases. A primeira, que será iniciada em 25 de fevereiro, durará três dias. Depois, de 11 a 14 de março, e a última de 25 a 27 do mesmo mês.

Além de Rosell, sentarão no banco dos réus a mulher do dirigente, Marta Pineda, o advogado andorrano Joan Besolí, o libanês Shahe Ohanneissian, além de dois homens acusados de atuarem como "laranjas" do ex-presidente do Barcelona, Pedro Andrés Ramos e Josep Colomer.

De todos, apenas Rosell e Besolí estão atualmente em prisão preventiva. Ambos são apontados como integrantes do esquema iniciado a partir do repasse de comissões irregulares ao dirigente, por ter intermediado contrato entre a Nike e a CBF, assinado em 2008, e direitos de transmissão de 24 amistosos da seleção brasileira.

Os dois acordos foram firmados ainda quando a entidade era dirigida por Ricardo Teixeira. Ao todo, o desvio seria de 14,9 milhões de euros (R$ 64,3 milhões), pelos jogos, e de 5 milhões de euros (R$ 21,4 milhões), pelo acordo com a marca esportiva.

Rosell e a mulher receberam 6,5 milhões de euros (R$ 28,2 milhões) dos amistosos e, com a colaboração de outros acusados, ocultou parte da comissão de 5 milhões de euros que recebeu e teria devolvido ao dirigente brasileiro, em seguida, pelo contrato com a Nike, afirma o Ministério Público, em comunicado.

A acusação aponta que os envolvidos "pelo menos, desde 2006, formaram uma estrutura estável, reforçada por vínculos de amizade e parentesco, dedicada a lavagem de dinheiro, em grande escala". A promotoria, ainda, aponta que Rosell era o líder da quadrilha.

Além disso, o MP da Espanha afirma que Ricardo Teixeira - que está sendo investigado no Brasil, Estados Unidos, Andorra e Suíça - também recebeu uma parte das comissões ilegais, "em claro abuso da posição e em prejuízo aos interesses da administração" da CBF.

Com relação aos jogos amistosos, o contrato de gestão foi assinado em 2006 pelo ex-presidente da entidade com a International Sports Events, sediada nas Ilhas Cayman e ligada ao grupo saudita Dallah Albaraka Group, que, por sua vez, é dirigida pelo xeque Saleh Kamel.

Pelos direitos desses jogos, Rosell recebeu 6,5 milhões, em cinco transferências feitas entre novembro de 2010 e janeiro de 2011, em contas na Espanha que mantêm com a mulher. O dinheiro vinha de bancos da Suíça e Arábia Saudita em nome do xeque Kamel.

O dirigente afirmou à Receita do país natal que os pagamentos eram referentes a venda, em maio de 2011, de uma empresa que mantinha com Marta Pineda, a um grupo no Líbano, pertencente a Shahe Ohanneissian, que é amigo pessoal de Rosell. A argumentação não convenceu o Ministério Público.

Sobre o contrato da Nike, em que uma empresa do espanhol, Ailanto, figurava como intermediária, foram descobertas série de movimentações em uma conta em Andorra, pertencente a Rosell, que serviria, segundo o Ministério Público, para ocultar a transferência de 5 milhões de euros para Ricardo Teixeira.

O ex-presidente do Barça se defendeu, dizendo que a transação se referia ao pagamento de um empréstimo adquirido junto ao brasileiro, em 2008, o que também não convenceu a acusação. O MP diz, ainda, que o montante acabou parando nas contas do francês Jérome Valcke, antigo secretário-geral da Fifa, que foi afastado por corrupção.

Esporte