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Alpinista polonês se torna o primeiro a descer K2 esquiando

24/07/2018 12h12

Nacho Temiño.

Varsóvia, 24 jul (EFE).- Aos 30 anos, o alpinista polonês Andrzej Bargiel se transformou nesta semana no primeiro atleta a descer em esquis do cume de uma das montanhas mais altas e mortais do mundo, o K2, que tem mais de 8.600 metros de altitude e está situada na cordilheira de Karakorum, no Paquistão, uma façanha que ele finalmente conseguiu concluir após uma tentativa frustrada no ano passado.

"Estou muito feliz de ter conseguido descer esquiando do cume do K2", disse à Agência Efe o aventureiro polonês, que também reconheceu que, em alguns momentos, chegou a temer pelas condições meteorológicas e para o risco de avalanches, mas acabou sendo capaz de realizar o percurso conectando trechos com neve em boas condições até concluir com sucesso a descida.

Bargiel começou a ascensão do K2, que tem 8.611 metros de altitude, partindo do acampamento-base no vale de Karakorum no Paquistão, e chegou ao topo da "Montanha da Morte" na madrugada do último domingo, para depois iniciar a descida de 3.600 metros até retornar ao campo base, situado a 5 mil metros de altitude.

Ao chegar ao cume, Bargiel, que não usou oxigênio suplementar para a ascensão, "hasteou" uma bandeira polonesa porque, como ele mesmo havia dito antes da expedição, "é um orgulho ser polonês e poder representar" seu país no topo da segunda montanha mais alta do mundo, no mesmo ano em que a Polônia comemora o centenário da recuperação de sua independência (11/11/1918).

"Quando cheguei ao cume e comecei a esquiar, surgiram alguns problemas técnicos, estava muito nublado e tive que esperar no Campo 4 para que o tempo melhorasse, porque a fase seguinte da descida seria muito difícil, através de uma encosta extremamente íngreme", explicou Bargiel.

Andrzej Bargiel esteve acompanhado nesta expedição por quatro pessoas, todas de seu círculo mais próximo, entre elas o seu irmão Bartek, que operou o drone com o qual registrou a façanha o tempo todo, com imagens impressionantes que serão parte de um futuro documentário.

Porém, além de fazer imagens impactantes, o drone também serviu para localizar e salvar a vida de um alpinista que estava desaparecido na parte superior da montanha vizinha Broad Peak, o escocês Rick Allen, que tinha sofrido uma queda a 8.400 metros quando tentava alcançar o cume sozinho e que seus companheiros davam por desaparecido.

Bargiel esteve no ano passado no K2 com a intenção de descer do mesmo em esquis, mas o mau tempo impediu que ele conseguisse realizar a façanha. No entanto, a viagem serviu para que ele analisasse as possíveis rotas mais uma vez, graças à ajuda de um drone.

A tecnologia sempre esteve presente nas expedições de Bargiel, que pertence à nova geração de alpinistas capazes de utilizar em seu benefício as possibilidades que oferecem, por exemplo, a utilização de drones para planejar as ascensões e as descidas.

O montanhista polonês é um autêntico aventureiro e mantém contato com os esportes de montanha desde a infância, sua autêntica paixão e modo de vida.

Em 2013, Bargiel conseguiu descer em esquis do cume do Shishapangma (China, 8.013 metros), e realizou a ascensão mais rápida do Manaslu (Nepal, 8.156 m) registrada até agora em 2014.

Entre as suas façanhas também estão a descida em esquis do cume do Broad Peak (na fronteira entre Paquistão e China, 8.051 m) em três horas e a ascensão do Leopardo das Neves, um conjunto de montanhas situadas em Tadjiquistão, Quirguistão e Cazaquistão, e no menor tempo da história.

Este aventureiro polonês foi agraciado em 2015 com a Cruz de Ouro Polonesa ao Mérito e, no mesmo ano, a revista National Geographic da Polônia o nomeou "Homem do Ano" por suas impressionantes descidas em esquis de algumas das montanhas mais altas do mundo.

Agora, depois de realizar a façanha, Bargiel retorna à Polônia, onde deve passar alguns dias com sua família no litoral já que, como ele mesmo diz, "não se pode viver somente nas montanhas".

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