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Özil anuncia que deixa seleção alemã após polêmica foto com presidente turco

22/07/2018 16h32

(Acrescenta mais declarações do jogador).

Berlim, 22 jul (EFE).- O meia Mesut Özil anunciou neste domingo que não jogará mais com a camisa da seleção da Alemanha, uma decisão tomada quase dois meses depois de ter tirado uma polêmica foto ao lado do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, provocando críticas que o acompanharam desde antes da Copa do Mundo.

O anúncio foi feito pelo jogador, de 29 anos, por meio do Twitter, veículo usado por ele horas antes para explicar a decisão de posar ao lado do presidente turco.

"Tenho dois corações, um alemão e outro turco. Nasci e fui educado na Alemanha. Por que há gente que segue sem aceitar que sou alemão? Ganhei a Copa do Mundo pela Alemanha", questionou o meia do Arsenal, que fazia parte do elenco que conquistou o Mundial em 2014.

Özil também acusou o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Reinhard Grindel, de ser incompetente e de não tê-lo defendido após a polêmica publicação da foto com Erdogan.

O meia também citou os casos dos ex-companheiros de seleção Miroslav Klose e Lucas Podolski, de origem polonesa, e que não são questionados como alemães, deixando no ar se também há preconceito com ele pelo fato de ser muçulmano.

Na explicação sobre a foto, Özil afirmou que negar o encontro com Erdogan seria uma "falta de respeito" com as raízes turcas de sua família. Além disso, o meia-atacante disse que não se arrepende e que posaria novamente ao lado de Erdogan no futuro.

"Para mim, tirar uma foto com o presidente Erdogan não tem nada a ver com política ou com eleições, mas com o respeito para o cargo máximo do país da minha família", explicou o jogador.

Esta tinha sido a primeira vez que Özil, filho de imigrantes turcos que foram para a Alemanha, se pronunciava sobre a foto tirada em julho. O volante Ilkay Gündogan, outro dos convocados pelo técnico Joachim Löw para a Copa do Mundo, também estava na foto.

A imagem foi interpretada como um apoio explícito de ambos à campanha pela reeleição do presidente turco, que mantém uma relação de tensão com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Apesar da polêmica, Löw decidiu manter ambos na seleção e a própria Merkel pediu que os torcedores parassem de vaiá-los quando eles tocavam na bola.

Özil era considerado como uma peça-chave da seleção e também para a imagem da integração de imigrantes na Alemanha. São 3,5 milhões de descendentes de turcos no país, metade deles com direito a voto na Turquia.

As críticas acompanharam os jogadores durante toda a Copa do Mundo e persistiram após a eliminação prematura da seleção da Alemanha, que defendia o título, na fase de grupos do torneio.

O diretor da seleção, Oliver Bierhoff, e Grindel chegaram a recriminá-los posteriormente por não terem explicado a foto antes do Mundial. As declarações foram vistas como uma tentativa de responsabilizar os dois atletas pelo fracasso na Copa do Mundo.

Özil explicou que repetiria a foto com um presidente da Turquia, independentemente de quem ele fosse. E afirmou que ele é simplesmente um jogador de futebol, não um político.

O meia ainda garantiu que só conversou de futebol com Erdogan e lembrou que a única vez que se encontrou com ele antes da foto foi em um amistoso entre as seleções alemã e turca. Na ocasião, Merkel também estaria junto com o jogador.

A postagem encerra o mistério sobre o futuro do jogador na seleção, questão que já prometia marcar a próxima convocação de Löw, que será anunciada no dia 29 de agosto.

A Alemanha tem dois amistosos marcados para os dias 6 e 9 de setembro, o primeiro contra a França e o segundo diante do Peru.

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