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França "acorda" na Copa, bate Argentina em jogo de 7 gols e vai às quartas

30/06/2018 13h24

Kazan, 30 jun (EFE).- Depois de uma passagem segura, mas sonolenta, pela primeira fase, a França enfim mostrou o futebol que a credenciou como uma das favoritas ao título da Copa do Mundo e se tornou a primeira seleção classificada para as quartas de final, ao vencer a Argentina por 4 a 3 neste sábado, em Kazan.

Os 'Bleus' levaram a melhor em seus dois primeiros jogos, contra Austrália e Peru, e empataram com a Dinamarca, resultados suficientes para que ficassem em primeiro no grupo C, mas em diversos momentos pareceram preguiçosos em campo.

No jogo de hoje, assistido por Diego Maradona e Ronaldo em um camarote da Kazan Arena, a França começou arrasadora e abriu o placar com gol de pênalti de Griezmann, mas voltou a ser sonolenta e levou a virada, graças a Di María e Mercado, que marcaram uma vez cada.

A partir de então, porém, o que se viu foi os 'Bleus' avassaladores e a 'Albiceleste' batendo cabeça. Pavard balançou a rede uma vez, e Mbappé, duas. Nos acréscimos, Agüero ainda anotou o terceiro dos atuais vice-campeões, que, todavia, não evitaram a eliminação.

O time dirigido por Didier Deschamps - que hoje se tornou o técnico com mais partidas como técnico da seleção francesa, com 80, um a mais que Raymond Domenech - avançou para encarar Uruguai ou Portugal, que medirão forças ainda hoje em Sochi. A partida acontecerá na próxima sexta-feira, em Nizhny Novgorod, e a França estará desfalcada do volante Matuidi, que levou o segundo cartão amarelo.

Para a Argentina, a queda foi a mais precoce desde 2002, ano em que foi eliminada na fase de grupos. Depois disso, caiu nas quartas em 2006 e 2010 e ficou com o vice-campeonato em 2014. Craque da equipe, Lionel Messi continuou sem fazer gols em mata-matas de Mundiais e pode ter feito seu último jogo em Copas com a camisa 'albiceleste', já que terá 35 anos na próxima, em 2022.

Após ter poupado metade do time no empate com a Dinamarca em 0 a 0, na última terça, a França voltou com a jogar com a equipe considerada titular. Giroud, que foi reserva na estreia, contra a Austrália, se consolidou como opção principal e formou trio de ataque com Mbappé e Griezmann.

Na Argentina, Jorge Sampaoli surpreendeu ao escalar a equipe sem centroavante, barrando Higuaín e Agüero. Messi atuou como falso 9, com Di María e Pavón nas pontas.

Os 'Bleus' começaram o jogo com tudo e mandaram uma bola na trave aos oito minutos do primeiro tempo. Giroud escorou de cabeça depois do balão do goleiro Lloris, Mbappé tentou disparar e foi parado com falta na meia direita. Griezmann cobrou e carimbou o travessão.

Pouco depois, aos 11, Mbappé partiu para mais uma arrancada, desta vez da intermediária de defesa, e foi parado apenas na área de ataque ao sofrer um tranco de Rojo. O árbitro marcou pênalti, Griezmann bateu rasteiro com categoria, no canto direito, e fez 1 a 0 para a campeã de 1998.

Mbappé estava "endiabrado" e voltou a colocar velocidade para cima da zaga argentina aos 18. O companheiro de ataque de Neymar no Paris Saint-Germain sofreu falta a um passo da área, mas desta vez Pogba foi para a bola e isolou.

Sufocada até então, a 'Albiceleste' deu sinal de vida aos 21, em tentativa solitária de Banega, que levou para o meio e arriscou, mas a bola desviou e saiu por cima. Na sequência, aos 25, Pérez recebeu nas costas de Umtiti e ia tocando para trás, mas foi marcado falta do meia do River Plate no defensor do Barcelona.

A Argentina crescia na partida e reclamou de pênalti aos 36 minutos, quando Messi recebeu de Di María e recebeu um tranco de Varane, mas a arbitragem considerou que o desarme foi limpo.

Errando muito desde a primeira fase, Di María enfim fez lembrar as boas atuações que teve na Copa de 2014, em que foi o principal ajudante de Messi na caminhada até a final. Aos 40, Tagliafico tocou para o camisa 11, que teve liberdade para chutar de longe e acertar o ângulo esquerdo de Lloris para deixar tudo igual.

A virada, que em certo momento da etapa inicial pareceu improvável, aconteceu logo aos dois minutos do segundo tempo. Banega cobrou falta da ponta esquerda e a defesa não conseguiu tirar da área. Messi recolheu, fez o giro e chutou. A bola desviou em Mercado, traiu o goleiro Lloris e entrou.

Entretanto, a alegria dos argentinos e a tristeza dos franceses não duraram muito. Aos dez minutos, Fazio, que havia substituído Rojo, foi recuar para Armani, mas não percebeu o posicionamento do goleiro e deu um presente para Griezmann. Porém, pressionado, o atacante do Atlético de Madrid não conseguiu mandar para a rede.

Um minuto depois, veio o novo empate, em descida de Hernández pela esquerda. Otamendi furou a cabeçada, Pavard acertou bonita finalização de fora da área e marcou um golaço, guardando no canto direito.

A virada aconteceu aos 18, no lado que era a válvula de escape dos franceses. Hernández progrediu e, desta vez, cruzou por baixo. Matuidi bateu de primeira, a defesa bloqueou, mas a sobra ficou com Mbappé, que chutou rasteiro e superou Armani.

Nem deu muito tempo para os argentinos respirarem. Na sequência, aos 22, a França marcou mais um. Em apenas seis toques, de pé em pé, sem chutões, a bola foi do goleiro Lloris a Mbappé. O atacante do PSG aproveitou assistência de Giroud e arrematou no canto direito para marcar o quarto dos 'Bleus'.

O quinto poderia ter acontecido aos 24, em outra descida rápida, mas pela direita. Pogba limpou a marcação e cruzou para Giroud, que acertou a rede, mas pelo lado de fora.

A partir de então, os europeus passaram a "cozinhar" o jogo com trocas de passes mais lentas. A 'Albiceleste' até tentava reagir, mas se mostrava muito pouco organizada. Aos 34, Messi costurou pelo meio e passou para Meza, que havia entrado na vaga de Pavón e bateu travado, o que facilidou a defesa de Lloris.

Na única vez em que tentou resolver sozinho, aos 39 minutos, Messi foi acionado na intermediária, deu um bonito drible em Varane e ficou livre na área, mas concluiu de pé direito e praticamente recuou para o goleiro.

Sem se entregar até o fim, a Argentina fez o terceiro nos acréscimos, aos 47. Messi levantou da meia direita, Agüero apareceu sozinho nas costas da zaga e cabeceou no canto direito para diminuir.

Com o apito final, a torcida argentina, em grande maioria no estádio, não escondia a decepção. Ao mesmo tempo, no gramado, Messi estava calado e cabisbaixo. Esta foi a quarta Copa disputada pelo craque, que não conquistou nenhuma. Terá sido a última?



Ficha técnica:.

França: Lloris; Pavard, Varane, Umtiti e Lucas Hernández; Kanté, Pogba e Matuidi (Tolisso); Mbappé (Thauvin), Griezmann (Fekir) e Giroud. Técnico: Didier Deschamps.

Argentina: Armani; Mercado, Otamendi, Rojo (Fazio) e Tagliafico; Mascherano, Pérez (Agüero) e Banega; Di María, Pavón (Meza) e Messi. Técnico: Jorge Sampaoli.

Árbitro: Alireza Faghani (Irã), auxiliado pelos compatriotas Reza Sokhandan e Mohammad Mansouri.

Gols: Griezmann, Pavard e Mbappé (2x); Di María, Mercado e Agüero (França).

Cartões amarelos: Matuidi, Pavard e Giroud (França); Rojo, Tagliafico, Mascherano, Banega e Otamendi (Argentina).

Estádio: Kazan Arena, em Kazan (Rússia).

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