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Químico russo Grigory Rodchenkov acusa COI de simular luta contra o doping

24/02/2018 09h14

Moscou, 24 fev (EFE).- O ex-diretor do laboratório antidoping de Moscou Grigory Rodchenkov, que denunciou em 2016 um programa de doping de Estado na Rússia, acusou o Comitê Olímpico Internacional (COI) de simular uma luta contra o doping, em entrevista publicada neste sábado pelo serviço russo da "BBC".

"As pessoas entendem a que se dedica o COI: a simular a luta contra o doping", disse Rodchenkov, que concedeu a entrevista com o rosto coberto por um capuz e óculos escuros para não ser reconhecido pelos serviços secretos russos após ter feito uma cirurgia plástica.

O COI decide hoje se permitirá à equipe olímpica russa desfilar amanhã com a bandeira de seu país na cerimônia de encerramento dos Jogos de Olímpicos de Inverno de PyeongChang.

"Se for permitido desfilar com a bandeira, será a pior das decisões. O COI deve demonstrar que é consequente na luta contra o doping", disse Rodchenkov.

A equipe russa viajou reduzida a PyeongChang devido às exclusões de muitos atletas e participa do evento com bandeira neutra, mas o COI pode devolver hoje mesmo o direito a desfilar com sua bandeira nacional.

Podem pesar na decisão os dois casos de doping registrados durante a competição olímpica, da atleta russa do bobsled Nadezhda Sergeeva e de Aleksandr Krushelnitskii, do curling, que teve que devolver a medalha de bronze conquistada nas duplas mistas ao lado de Anastasia Bryzgalova.

Rodchenkov afirmou que o problema do doping não afeta apenas a Rússia e acusou as federações internacionais de "encobrir" dezenas de casos.

"Em geral, muitos países e muitas organizações antidoping nacionais não têm interesse em descobrir (o doping) entre seus atletas de ponta", afirmou o homem que revelou em 2016 uma dos maiores escândalos de doping da história em entrevista publicada pelo jornal "The New York Times".

Na ocasião, Rodchenkov denunciou que dezenas de atletas russos, incluindo pelo menos 15 medalhistas, foram dopados pelas próprias autoridades do país anfitrião durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014.

Na entrevista à "BBC", o químico insistiu que o próprio presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o então ministro de Esportes, Vitaly Mutko, sabiam da trama.

"Eu cumpria ordens. Era um trabalho de equipe. Quando era necessário coordenar, o FSB (Serviço Federal de Segurança) era acionado. Mutko sabia de tudo e transmitia ao presidente. Putin nega tudo, mas é normal", apontou o informante da Agência Mundial Antidoping (AMA).

Putin tachou Rodchenkov de "imbecil" e pôs em dúvida sua saúde mental, mas o ex-diretor do laboratório antidoping de Moscou insiste que o Kremlin quer calá-lo a qualquer custo.

"Há testemunhos claros quanto a minha vida correr perigo. Não quero menosprezar a ameaça", disse Ródchenkov, que acrescentou que "já estaria em um túmulo se não tivesse deixado a Rússia para se tornar informante da AMA.

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