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Em busca de visibilidade, Rani Yahya promete mudança de postura no UFC

Diego Ribas, em Las Vegas (EUA)

Ag. Fight

23/08/2018 10h00

São 14 lutas no UFC e apenas três derrotas (todas elas por pontos). Tal currículo seria de dar inveja a qualquer competidor dos pesos-galos (61 kg) do evento, não fosse o fato de que o dono desta marca Rani Yahya sequer figura no top 15 do ranking da categoria. Cenário este que, de acordo com o atleta, é em grande parte culpa sua.

Finalizador, o especialista em jiu-jitsu por anos pareceu escondido da mídia, e nos poucos momentos em que dava uma entrevista preferia adotar um discurso mais ameno e cauteloso. Por isso, o brasiliense de 33 anos analisa como falha a sua caminhada até o momento rumo ao topo da divisão.

"Com toda certeza falta . Vacilei muito durante um tempo, não pensava nessa parte de me promover, essa parte de mídia, e comecei a correr atrás recentemente, porque o próprio UFC me alertou. Mas acho também que o UFC poderia estar me divulgando mais, me colocando em posições melhores. Eles tem um material muito grande, desde a época do WEC que eu finalizo as lutas, vitórias rápidas, lutas aí que as pessoas nunca nem viram. Então eu acho que os dois lados podem melhorar, com certeza", ponderou durante entrevista exclusiva com a reportagem da Ag. Fight.

Sem tempo a perder, Rani, que foi campeão do ADCC em 2007, parece ter um novo plano de autopromoção no evento. A partir de agora, cada oportunidade que tiver de falar no microfone não será desperdiçada. Desta forma, quem sabe, ele consiga recuperar a lacuna que ficou entre suas conquistas dentro do cage e a visibilidade fora dele.

"Entrar realmente no 'business', chegar lá, porque quando você vence, finaliza, faz bonito, uma semana depois todo mundo já esquece. Então entrar mesmo no business, desafiar mesmo quem estiver na frente, acho que isso seria importante. Quando tiver a oportunidade de desafiar, fazer mesmo, essa parte de desafiar ajuda muito. E continuar trabalhando na social, fazer crescer essa parte de mídia que é importantíssima", planejou o brasiliense.

Rani realizou seus primeiros treinos na American Top Team em julho do ano passado. Apesar disso, o atleta revelou que apenas para essa luta ele conseguiu fazer um camp completo com a equipe. Ainda sobre a mudança de academia, o brasileiro admitiu que migrou seus treinos para os EUA de forma tardia, muito por conta da "zona de conforto" que se encontrava após seguidas vitórias no cage.

"Demorei sim, fui acordar depois da minha última luta que eu fui derrotado. Estava numa zona de conforto, porque vinha de quatro vitórias consecutivas, mesmo sabendo que estava performando bem, eu estava meio que confortável né, porque tinha ali minha família, meu filho e estava conseguindo treinar lá em Brasília também. Então acho que demorou sim um pouquinho . Mas nunca é tarde para nada, estou me sentindo muito melhor agora, e sinto que essa mudança me deu uma sobrevida boa para continuar lutando aí por mais uns anos", analisou.

Mas como diz o ditado: 'antes tarde do que nunca'. De acordo com o peso-galo, após mudar seus treinos para a ATT, tudo melhorou, até mesmo sua qualidade de vida. Rani ressaltou não somente a qualidade das atividades feitas na equipe, mas também a preocupação demonstrada pelos técnicos com a integridade física dos atletas envolvidos.

"Eu evoluí muito aqui , me sinto completo, um lutador de MMA. Porque aqui a gente treina tudo equilibradamente, as principais modalidades: boxe, wrestling, muay thai e jiu-jitsu, a gente treina tudo na medida certinha e também faz preparação física. Então isso vai tornando a gente um lutador melhor de MMA. Outra coisa que eu gosto muito na ATT é que eles querem que eu esteja no meu melhor lá no dia. Não é todo dia que eu treino forte ou fraco, tem dia que é de técnica, e os treinadores vão acompanhando tudo aquilo, vão medindo bem como você está para obter a melhor das performances no dia da luta", opinou Rani.

"E tem dado super certo, melhorei qualidade de vida por causa disso. Antes da ATT era porrada todo dia, e eu passava o dia todo com dor no corpo, dormia mal, acordava sem disposição, e agora não, é o oposto. Faltam três dias, estou cortando peso, mas estou comendo, bebendo água, to com energia, vou fazer mais dois treinos leves hoje, então acho que a principal diferença está aí", completou.

Aos 33 anos, o peso-galo aposta na mudança de postura fora do octógono para assumir um papel de protagonismo no Ultimate. Mas primeiro o brasileiro terá de vencer seu próximo compromisso na organização. No próximo sábado (25), Yahya enfrenta o americano Luke Sanders pelo UFC Lincoln (EUA). O duelo promete ser um confronto de estilos interessante: o jiu-jitsu de Rani contra a perigosa trocação de 'Cool Hand'.

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