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'Bate-Estaca' analisa divisão e promete luta em pé contra Kowalkiewicz

Felipe Paranhos, em Salvador (BA)

Ag. Fight

27/07/2018 14h19

Mesmo em tempos nos quais campeões chegam a ter o cinturão ameaçado por falta de atividade, como aconteceu recentemente com Michael Bisping e Tyron Woodley, ainda há atletas que sentem agonia por estarem distantes do octógono. É este o caso de Jéssica 'Bate-Estaca' Andrade, que declarou à reportagem da Ag. Fight estar muito ansiosa para voltar a lutar. E ela teve o pedido atendido: sete meses depois de derrotar Tecia Torres, a brasileira vai enfrentar Karolina Kowalkiewicz no UFC 228, em 8 de setembro, em um combate que provavelmente definirá a próxima desafiante ao cinturão dos palhas (52 kg).

E a atual campeã da categoria, Rose Namajunas, já está no radar de Jéssica. Em entrevista exclusiva à Ag. Fight nesta sexta-feira (27), Bate-Estaca analisou todo o panorama da divisão e opinou que Kowalkiewicz, a quem já acusou de 'fugir' do embate, acabou percebendo que a única chance de chegar à disputa do título seria encarando o desafio, marcado para a cidade de Dallas, no estado americano do Texas.

"Por eu ser uma das mais próximas de poder disputar o cinturão, foi a única forma que ela encontrou de ela ser a próxima. Porque provavelmente o UFC iria me colocar agora para disputar o cinturão, e ela ia ficar para depois. De todo jeito, lá na frente, se eu vencesse a Namajunas, ela teria que lutar comigo. Então, acho que ela falou assim: "Quer saber? Vamos antecipar logo isso aí. Se eu ganhar, eu já vou pro cinturão; se eu perder, eu já lutei com a Jéssica'. Acho que ela deve ter pensado isso", arriscou.

Andrade criticou a constante tendência no MMA de atletas buscarem escolher adversários ou ficarem muito tempo parados, a fim de esperar a perspectiva de rivais melhorar. "Quando a gente está bem ranqueado, no top 5, a gente tem que lutar com os melhores. Tem que uma enfrentar a outra e dar seu melhor. Não vai ficar enrolando, correndo. Eu sabia que uma hora ou outra ela iria cair na minha mão de novo. E não teve jeito: ela vai ter que lutar comigo agora", afirmou.

Karolina, assim como Joanna Jedrzejczyk ? última algoz de Andrade ?, é conhecida por ter uma trocação polida e baseada no volume de golpes, características parecidas com o jogo da ex-campeã e que dificultaram a vida da atleta da PRVT. Com isso em mente, a brasileira mostrou estar afiada na análise de suas principais rivais e ampliou a visão também para Namajunas, já de olho em um futuro embate pelo cinturão.

"Elas têm um estilo de luta muito parecido, mas algumas coisas mudam. A Joanna é agressiva, tem golpes rápidos, mas não tão fortes, e ela se movimenta muito bem para as laterais. A Karolina, pelo que eu estudei do jogo dela, é uma menina que também se movimenta bem, mas anda mais para frente e para trás. Só se agora ela adquiriu também esse estilo de caminhar para as laterais, de sair e movimentar bem. Acho ela um pouco mais agressiva, bate um pouco mais lento, mas bate mais forte", comentou.

Rose, por sua vez, é destacada por Jéssica tanto pela movimentação quanto pela ofensividade. "Ela tem uma movimentação muito boa, luta saltando", ressaltou. "E caminha o tempo inteiro para a frente. Bate e caminha para a frente. Aí, quando ela vê que a situação está difícil, ela sai pelas laterais", completou.

Segundo Jéssica, em uma vitória contra a polonesa em setembro, seu desempenho contra Kowalkiewicz deve ser um bom parâmetro do que pode fazer e do que terá de melhorar para desafiar a campeã. E, como usou o grappling para vencer Claudia Gadelha, em setembro de 2017, e Tecia Torres, em fevereiro deste ano, agora a brasileira pretende se provar em pé novamente. Se em seus últimos dois combates ela conseguiu 14 quedas somadas, desta vez promete fazer diferente. De acordo com a paranaense, "pode acontecer o que for", os 15 minutos do confronto serão de striking.

"Contra a Karolina, eu quis moldar meu estilo novamente. Eu estou em constante evolução sempre, mas nesta luta eu quero fazer mais trocação. Eu estou muito muay thai, aperfeiçoando minha técnica, melhorando as falhas que tenho em movimentação. Eu vou buscar a luta em pé. Vou ficar em pé o tempo inteiro, tanto para me testar, como para saber como vou lutar com a Namajunas. Se eu me sentir bem em pé, eu sei que, quando eu tiver minha oportunidade de disputar o cinturão com a Namajunas, vou estar bem preparada para o que ela tiver para mim", disse.

Mas nem sempre o planejamento sai conforme o esperado. Rose Namajunas lutou três vezes em doze meses e, por isso, pediu um tempo até voltar ao octógono. Embora a americana tenha sinalizado com um retorno ainda este ano, Jéssica afirmou ter um plano B caso 'Thug' leve mais tempo para retornar ao cage.

"Eu pediria um interino. Aí poderia me colocar com a Joanna para ver quem ganha. Ou com a Claudinha, que já está ali entre as mais próximas. Acho que seria mais viável. Mas, pelo que eu estou vendo, se eu ganhar da Karolina, a Namajunas já vai querer lutar no fim do ano, talvez no card da virada do ano ", declarou à Ag. Fight.

Uma possível disputa de cinturão resultaria em um camp seguido do outro. Esta possibilidade, entretanto, não incomoda a brasileira. "Para mim vai ser bom. Eu gosto de lutar, gosto de estar lá dentro. Quase fiquei maluca de ficar quase oito meses sem lutar. Quase que falei 'Pelo amor de Deus, eu perco a luta, mas lutem comigo!' (risos) Se acontecer de ela puxar para o ano que vem, eu vou pedir pelo menos o cinturão interino para que, quando ela estiver preparada, a gente dispute o cinturão de fato mesmo", afirmou.

Com apenas 26 anos, Jéssica já tem 24 lutas profissionais na carreira, com 18 vitórias e seis derrotas. Destas, porém, só uma aconteceu na categoria dos palhas, para onde mudou-se em 2016. Na divisão mais leve de todo o UFC, a lutadora de 1,57m derrotou Jessica Penne, Joanne Calderwood, Angela Hill, Claudia Gadelha e Tecia Torres, perdendo apenas para Joanna Jedrzejczyk.

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