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Anistia Internacional indenização de US$ 440 mi da Fifa para trabalhadores

Anistia Internacional exige da Fifa indenização para trabalhadores migrantes vítimas de abuso no Qatar - Arnd Wiegmann
Anistia Internacional exige da Fifa indenização para trabalhadores migrantes vítimas de abuso no Qatar Imagem: Arnd Wiegmann

18/05/2022 22h53

A Anistia Internacional (AI) pediu hoje à Fifa que pague uma indenização de pelo menos 440 milhões de dólares aos trabalhadores migrantes que sofreram abusos no Qatar, país anfitrião da Copa do Mundo de 2022.

O pedido, apoiado por outras organizações de direitos humanos e grupos de torcedores, veio após reclamações de que a Fifa demorou demais para proteger os trabalhadores que chegaram ao país para construir a infraestrutura antes do torneio, que começa no dia 21 de novembro.

"A Fifa deve alocar pelo menos 440 milhões de dólares para reparar os danos sofridos por centenas de milhares de trabalhadores migrantes que foram vítimas de violações de direitos humanos no Catar durante os preparativos para a Copa do Mundo de 2022", disse a AI em um comunicado.

A entidade, com sede em Londres (ING), fez um apelo ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, no sentido de "trabalhar com o Qatar para estabelecer um programa de reparação".

A Anistia Internacional alegou que desde 2010 houve uma "litania de abusos", quando a Fifa concedeu ao Qatar a sede da Copa do Mundo de 2022 "sem pedir melhorias em suas práticas trabalhistas".

"Dado o histórico de abusos dos direitos humanos no país, a FIFA sabia - ou deveria saber - dos riscos óbvios para os trabalhadores quando concedeu o torneio ao Catar", disse Agnes Callamard, secretária-geral da Anistia.

Acrescentou que persistem alguns abusos e considerou que 440 milhões de dólares é o "mínimo necessário" para cobrir os pedidos de indenização. A soma é próxima ao total de prêmios que a Copa do Mundo vai conceder.

Questionada sobre o assunto, a Fifa disse que está "avaliando o programa proposto pela Anistia", observando que "envolve uma ampla gama de infraestrutura pública que não é da Fifa ou específica da Copa do Mundo".

O Qatar garante que "trabalhou incansavelmente" com grupos internacionais pelos direitos dos trabalhadores nos estádios e outros projetos para o torneio.

Mas muitas das críticas foram direcionadas à construção fora do torneio oficial, onde centenas de trabalhadores morreram na última década.

"Melhorias importantes foram feitas nas condições de acomodação, regulamentos de saúde e segurança, mecanismos de reclamação e compensação por recrutamentos ilegais", disse um porta-voz do Comitê Supremo de Entrega e Legado, o organizador local do torneio.

A Anistia saudou as iniciativas da Fifa e do Qatar para melhorar os canteiros de obras da Copa do Mundo e as reformas trabalhistas adotadas desde 2014.

Em 2017, o Qatar adotou o salário mínimo, reduziu as horas que podem ser trabalhadas em calor extremo e aboliu os regulamentos que limitavam a mobilidade dos trabalhadores.

Operários estrangeiros, especialmente do sul da Ásia, representam mais de dois milhões da população catari de 2,8 milhões.

A Anistia destacou que os 440 milhões representam uma "pequena fração" dos 6 bilhões de dólares que a Fifa deverá receber nos próximos quatro anos, em grande parte da Copa do Mundo.

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