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Chama olímpica de Pequim-2022 é acesa em cerimônia marcada por presença de ativistas pró-Tibete

Manifestantes pró Tibete foram detidos após protestos durante cerimônica na Grécia - ARIS MESSINIS / AFP
Manifestantes pró Tibete foram detidos após protestos durante cerimônica na Grécia Imagem: ARIS MESSINIS / AFP

18/10/2021 09h43

A chama olímpica dos Jogos de Inverno de Pequim-2022 foi acesa nesta segunda-feira (18) na cidade grega de Olímpia, em uma cerimônia marcada pela presença de manifestantes pró-Tibete.

"No Genocide Games" - "sem jogos genocidas", em tradução livre -, afirmava um cartaz exibido pelos manifestantes, que foram detidos pelos seguranças. A chama foi acesa pouco depois das 11h locais (6h de Brasília) nas ruínas do templo antigo de Hera, em Olímpia, berço dos Jogos da Antiguidade.

A cerimônia teve a presença apenas de Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), da presidente da Grécia, Katerina Sakellaropoulou, de representantes dos comitês olímpicos grego e chinês, além de jornalistas credenciados.

Pela segunda vez consecutiva, e terceira na história dos Jogos modernos, a cerimônia tradicional foi realizada sem público, devido à pandemia da covid-19. O mesmo aconteceu quando a chama dos Jogos de Tóquio-2020 foi acesa.

"Nestes tempos difíceis que vivemos, os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim-2022 serão um momento importante para reunir o mundo em um espírito de paz, de amizade e de solidariedade", declarou o presidente do COI, Thomas Bach.

A cerimônia para os Jogos Olímpicos de Verão de Pequim-2008 também foram afetadas, em Olímpia, por integrantes da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Os pedidos de boicote aos Jogos de Pequim e os protestos contra a gestão dos direitos humanos na China, especialmente contra a minoria uigur, mas também em Hong Kong, aumentaram nos últimos dias.

No domingo (17), três ativistas tibetanos foram detidos na Acrópole de Atenas, depois de hastearem a bandeira tibetana e a da "revolução de Hong Kong", com gritos de "Boicote a Pequim-2022" e "Liberdade para o Tibete". Eles devem comparecer a uma audiência nesta segunda-feira em Atenas.

Na terça (19), uma entrevista coletiva será organizada em um hotel de Atenas por representantes tibetanos, uigures e especialistas em direitos humanos para "denunciar o profundo fracasso do COI quando a chama olímpica, símbolo de paz e esperança, é entregue a Pequim-2022".

O presidente do COI fez um apelo por "mais solidariedade dentro das sociedades". "Como a pandemia mundial de coronavírus mostrou claramente, podemos enfrentar os muitos desafias do mundo apenas com solidariedade. Não há paz sem solidariedade", afirmou.

Percurso mais curto

O atleta grego Vasilis Papavassiliou será o último a carregar a tocha em Olímpia, depois que os organizadores decidiram adotar um percurso mais curto do que em outras edições. Tradicionalmente, a chama olímpica percorre centenas de quilômetros em vários dias, atravessa 50 cidades e áreas arqueológicas da Grécia, com um revezamento que inclui artistas e atletas de todo mundo.

Em março de 2020, com os primeiros casos de coronavírus na Grécia, os espectadores autorizados a acompanhar o revezamento da chama olímpica se aproximaram para aplaudir atores de Hollywood. Isso forçou os organizadores a interromperem a prova.

Desta vez, em um fato sem precedentes no passado recente, a tocha olímpica será carregada por apenas duas pessoas, um chinês e um grego, em menos de 24 horas, até o estádio Panathinaiko. Lá, será entregue ao comitê de organização de Pequim-2022, também sem a presença de público.