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VAR se consolida na Europa apesar das polêmicas

24/01/2019 11h00

Berlim, 24 Jan 2019 (AFP) - Seis meses depois de sua estreia bem sucedida na Copa do Mundo da Rússia em 2018, o VAR (árbitro assistente de vídeo) vai se consolidando na Europa, apesar de surgirem, de vez em quando, polêmicas relacionadas a sua utilização.

"O VAR é como um airbag: pode ajudar em caso de urgência, mas unicamente em caso de verdadeira urgência": essa visão do sistema, proposta pelo ex-árbitro suíço Urs Meier, foi a que prevaleceu na Rússia e a que serve habitualmente de referência nos campeonatos europeus.

Os alemães, que utilizam o vídeo desde a última temporada, classificaram recentemente sua filosofia: "O assistente de vídeo não deve se perguntar se o árbitro tomou a decisão correta, mas o contrário, se o árbitro tomou uma má decisão", explica Jochen Drees, chefe do projeto do VAR na Federação Alemã de Futebol (DFB).

Dito de outra maneira: o objetivo do VAR não é o de melhorar a arbitragem, mas unicamente o de eliminar erros gritantes.

Tudo o que possa trazer a necessidade de uma interpretação, as situações polêmicas que costumam animar os debates que ocorrem depois dos jogos, deve ser deixado apenas para a decisão do árbitro de campo.

O árbitro principal é confirmado como o dono absoluto da situação.

O assistente de vídeo não pode tomar nenhuma decisão. A impressão de 'dupla arbitragem' que pode ter existido no início do uso do VAR foi desaparecendo.

- O gol de Suárez -"O árbitro não deve, em nenhum caso, tomar uma decisão se ele não viu a ação", insiste Drees.

Isso significa que se o VAR ou um de seus assistentes assinala uma falta, uma ação violenta ou uma situação que não conseguiu enxergar, deve consultar sua tela de controle para formular sua própria opinião. Logo, é impossível dar um cartão vermelho ou anular um gol confiando apenas no testemunho dos responsáveis do VAR.

Em toda a Europa, o balanço é globalmente positivo.

"O assistente de vídeo possibilitou uma queda de três vezes no número de erros com impacto no resultado de uma partida", disse em outubro Pascal Garibian, diretor técnico de arbitragem na França.

Mas as controvérsias, sem falar das falhas como a que ocorreu no fim de semana no jogo entre Monaco e Strasbourg na liga francesa, não desapareceram.

Na Espanha, um gol do Barcelona neste domingo no triunfo de 3 a 1 diante do Leganés aconteceu após uma falta de Luis Suárez, que entrou com a chuteira levantada na direção do goleiro rival.

Uma falta que não foi assinalada pelo VAR, já que supostamente não entrava na categoria de erros evidentes. O gol foi validado e provocou grande irritação do lado do Leganés.

"Golpe contra o VAR" foi a manchete na terça-feira do diário esportivo madrilenho As.

- "Saídas da pista" -Os italianos, que assim como os alemães estão na segunda temporada com a vídeo-arbitragem, reconhecem que há ajustes a serem feitos. Em dezembro, a Sky Sport publicou as declarações de um árbitro não identificado, que comparava o VAR a um carro de Fórmula 1.

"Começamos um pouco rápido na última temporada e no início desta temporada tivemos que diminuir a velocidade. Voltamos a acelerar para tentar ver onde estão os limites, mas de repente aconteceram várias saídas da pista", avaliou.

Devido à fluidez do jogo, o futuro do VAR passa pela discrição.

Os ingleses, que serão os últimos a introduzir o sistema em seu campeonato, no ano que vem, já o testaram em suas Copas nacionais.

Ainda são procuradas soluções para acelerar o processo de decisão, que atualmente é considerado longo demais.

A solução passa provavelmente pela elaboração de protocolos muito mais estritos para a comunicação entre a sala de vídeo e o juiz.

"Por enquanto, cada um segue dizendo o que pensa", constata o alemão Drees.

Seu colega espanhol Carlos Velasco Carballo, chefe do comitê técnico dos árbitros da Liga espanhola, também reconhece a necessidade de "continuar trabalhando para unificar os critérios de julgamento entre o campo e o VAR".

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