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Globo avisa para mercado publicitário que não vai exibir Fórmula 1 em 2021

Lewis Hamilton com a Mercedes durante o GP da Grã-Bretanha de Fórmula 1 - WILL OLIVER/AFP
Lewis Hamilton com a Mercedes durante o GP da Grã-Bretanha de Fórmula 1 Imagem: WILL OLIVER/AFP

Gabriel Vaquer

Colaboração para o UOL, em Aracaju

27/08/2020 23h09

A Globo comunicou nesta semana para anunciantes da Fórmula 1 e para o mercado publicitário que não vai transmitir a categoria na próxima temporada, pela primeira vez em 39 anos. O fato se deve pela falta de acordo entre a emissora carioca e a dona da competição, a Liberty Media, nas tratativas de renovação do contrato, que termina ao fim das disputas de 2020.

A informação foi dada inicialmente pelo jornal publicitário Meio & Mensagem e confirmada pelo UOL Esporte com fontes na emissora e com penetração junto aos anunciantes. A expectativa é que a Globo oficialize a questão em breve. Procurada pela reportagem, o grupo de comunicação não se posicionou até o fechamento. Caso o faça, o conteúdo será atualizado.

Segundo apurou a reportagem, a decisão de não renovar se deve por uma série de fatores. O principal deles é a alta pedida financeira da Liberty Media pelos direitos de transmissão da categoria. A empresa americana, em conversas no ano passado, queria pelo menos US$ 22 milhões. A Globo tinha como projeção máxima investir US$ 20 milhões. Com o dólar em alta em tempos de crise de coronavírus, a emissora carioca não vê vantagem em gastar nesse patamar.

Nas últimas semanas, a Liberty tentou uma reaproximação com a Globo para retomar conversas, porque temia não conseguir uma empresa para exibir a Fórmula 1 no Brasil. A empresa sabe do poder de penetração da emissora, que dá a maior audiência mundial da categoria em televisão. Mas o grupo de comunicação se mostrou irredutível, principalmente por causa de valores.

Hoje, a Globo não tem a categoria como uma prioridade, e concentra os seus investimentos em futebol. Para os anunciantes, a Fórmula 1 valia pela exposição em programas campeões de audiência da Globo, como a novela das 21h e o Jornal Nacional, do que exatamente pelas corridas, que não marcam mais os índices que já atingiam no passado - ainda que os dados atuais sejam bons para os padrões atuais.

Em maio, o UOL Esporte já afirmava que o risco de a Fórmula 1 sair da Globo era grande. Os anunciantes receberam a notícia porque é por volta deste período, entre o terceiro trimestre do ano, que a Globo lança o pacote publicitário da Fórmula 1 no mercado. No ano passado, a cota master de patrocínio valia R$ 98,9 milhões, e foi vendida para cinco empresas. Com isso, a Globo faturou R$ 494,5 milhões ao todo.

Se nada mudar, será a primeira vez que a emissora carioca não vai exibir a principal categoria de automobilismo mundial em 39 anos anos. A última vez que isto aconteceu foi em 1980, quando a temporada que teve Nelson Piquet como destaque foi exibida pela Band, com grande performance de audiência na ocasião.

Foi neste ano, inclusive, que Galvão Bueno ganhou projeção e virou a voz da F1 no Brasil - tanto que foi contratado pela Globo no ano seguinte, onde virou o narrador número 1 da emissora pouco depois. Internamente Galvão era um dos defensores da manutenção da categoria, principalmente por causa da importância que as corridas possuem para a história da televisão no país.

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