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"Paizão", Neto adapta discurso para conquistar a seleção de basquete

Técnico José Neto orienta a seleção brasileira de basquete feminino em seu jogo de estreia - Alexandre Loureiro/COB
Técnico José Neto orienta a seleção brasileira de basquete feminino em seu jogo de estreia Imagem: Alexandre Loureiro/COB

Karla Torralba

Do UOL, em Lima (Peru)

07/08/2019 04h00

O sonho de José Neto de assumir a seleção de basquete foi realizado. Talvez não da maneira como ele inicialmente planejou. Ele não esconde que tinha a ambição de dirigir a equipe nacional masculina. Agora no Pan de Lima-2019, porém, ele inicia um desafio que nunca esperou, começando do zero. Neto comandou as mulheres da seleção pela primeira vez ontem (6), em vitória sobre o Canadá, e demonstrou que sua postura como técnico é a mesma, independentemente do gênero. Às vezes, porém, o discurso pede uma adaptação.

Quando o argentino Rubén Magnano deixou a seleção brasileira masculina, após a Rio-2016, Neto, que era seu assistente, acreditou que poderia ser o escolhido para sucedê-lo. Não aconteceu, apesar de ter comandado algumas vezes o time B do Brasil. O técnico tetracampeão do NBB assumiu, então, a seleção feminina em maio deste ano com a missão de colocar a equipe no rumo certo.

Mesmo em pouco tempo de trabalho, sua disposição, com os constantes pedidos por mais intensidade em quadra, virou referência para as jogadoras. Até mesmo para as mais veteranas, como a pivô Érika, que o chamam de "paizão".

"Ele está sendo super paizão para a gente, deixando a gente super à vontade. Toda sua vida foi trabalhando com o masculino, ele às vezes ele fica meio assim: quer falar uma coisa que iria falar para o masculino e se prende. A gente diz que é para ele falar. A gente está acostumada. Está sendo maravilhoso. A gente está jogando finalmente o nosso jogo e eu acho que o caminho é esse", comentou Érika.

No fim, a seleção é a feminina, mas o jeito de trabalhar tende a ser o mesmo. Mas há situações em que ele entende que deve se controlar. "Por não ser muito da rotina delas ter alguém que chegue mais forte, é um processo de adaptação e é mais fácil um se adaptar a 12 que o contrário. Eu uso às vezes a linguagem do masculino, até peço desculpas para elas, estou me policiando. Elas estão dedicadas, querem que as coisas aconteçam", analisou.

A pivô Stephanie, de 19 anos e em seu primeiro Pan, está encantada. "Está sendo muito bom. Eu não o conhecia, e acho que ele está trazendo muita coisa do masculino para a gente aprender aqui. É muita intensidade, muita agressividade. Ele faz a gente jogar livre. Cada uma pode fazer o que tem de melhor", analisou.

De qualquer forma, Neto se mostrou confortável em sua estreia, com seu tradicional agito na lateral da quadra. É daqueles técnicos que dificilmente vai ficar sentado. Ao final, com o triunfo garantido, se emocionou. "Tanto faz se estou com o masculino ou feminino, eu fico na volúpia do mesmo jeito. Independe o gênero. Elas confiam muito no trabalho. Elas veem quanto a gente está fazendo por elas. Mas no fim eu não faço nada. São sempre elas", ressaltou o treinador.

Sobre a definição de "paizão", Neto brincou: "Só se for pelos cabelos brancos".

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