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Basquete feminino vence a primeira no Pan na estreia de um emocionado Neto

Clarissa jogando contra o Canadá na estreia do basquete feminino no Pan - Alexandre Loureiro/COB
Clarissa jogando contra o Canadá na estreia do basquete feminino no Pan Imagem: Alexandre Loureiro/COB

Karla Torralba

Do UOL, em Lima (Peru)

06/08/2019 17h22

O Brasil estreou no basquete feminino nos Jogos Pan-Americanos de Lima com vitória de 79 a 71 sobre o Canadá. Os destaques na partida de estreia do técnico José Neto no comando das mulheres do Brasil foram a ala Patrícia e a capitã e pivô Clarissa.

O time do Canadá era uma incógnita. Jovem, é considerado um time B. No entanto, atuam há tempos juntas, o que poderia ser um fator de complicação para o Brasil. A seleção iniciou a partida tentando dominar o ataque e deixou a defesa mais desprotegida com falhas no setor. No garrafão, Erika não conseguia conter as canadenses, que apertaram o placar. A veterana desencantou apenas no último quarto.

Na beira de quadra, toda a energia do estreante técnico Neto, que praticamente não sentou um minuto e parecia estar em quadra jogando com a equipe. Fez jus ao seu discurso de que pretende pôr em quadra um time "intenso" - esse é praticamente um mantra para ele. O único momento que o treinador descansou mais as pernas foi no intervalo de jogo, quando as jogadoras faziam aquecimento e ele, no banco, estudava a tática para o segundo tempo.

No final, a seleção mostrou pouco mais de volume de jogo e venceu por falhar menos, principalmente no ataque. Emocionado ao falar sobre sua primeira vitória como treinador da seleção feminina, Neto, multicampeão pelo Flamengo e assistente de longa data da seleção sempre no masculino, se controlou para segurar um choro."É gratificante. Até difícil falar", afirmou. "A gente veio para tentar fazer o melhor. Foi um bom começo, mas a gente quer mais. Elas merecem isso. É um processo todo de trabalho, não é só um jogo. Estamos com muito apoio da confederação, então não em peso nenhum."

Jogadora mais experiente da seleção, referência técnica durante toda a década, a pivô Érika não estranhou o comportamento irrequieto do treinador, mesmo que fosse sua estreia à frente do time. "Já estamos acostumadas porque no treinamento é assim, então a gente já está um pouquinho acostumada com ele, a gente já sabe quando ele está feliz, quando não está feliz, então a gente está tentando fazer de tudo para que ele continue feliz e até o final do campeonato ele sente um pouquinho e relaxe como a gente", afirmou a gigante.

"A gente está construindo nosso castelo, e acho que foi uma vitória muito importante para o novo ciclo, Tanto o Neto quanto as meninas... A gente está no caminho certo, tenho certeza que o caminho é esse, e a gente tem que construir cada dia para, no final, sair daqui com nosso castelo construído", completou o pivô.

O Brasil volta à quadra amanhã (07), às 23h (horário de Brasília) contra Porto Rico.

Primeiro quarto

Seguindo as diretrizes de seu técnico, a equipe brasileira começou o primeiro quarto tentando impor o ritmo de jogo e estreou o placar do jogo com três pontos de Patrícia, que levantou o Coliseo Eduardo Dibós, em Lima. Se no ataque a seleção demonstrava fazer um bom trabalho, a defesa, nervosa, deixou as canadenses encostarem logo no placar com faltas e falhas.

Na beirada da quadra, Neto não sentou um minuto. Os gritos de "volta", "passa", eram ouvidos pela torcida e pelas jogadoras. Em um dos ataques, Raphaella armou a jogada e ia deixando o lado direito da quadra, quando Neto soltou "volta". A obediência deu a cesta ao Brasil, feita na sequência por Clarissa. Apesar de algumas descidas ao lado ofensivo desperdiçadas, a seleção terminou à frente o primeiro quarto de jogo: 24-21.

Segundo quarto

O time brasileiro voltou para o segundo período com postura bem diferente, principalmente na defesa. O Canadá teve dificuldades para acertar o ataque, e as brasileiras chegaram a abrir diferença de 32 a 24.

Neto começou a revezar mais as jogadoras brasileiras em quadra, uma marca de seu trabalho em times masculinos, o que acabou refletindo no placar. Apenas Izabella Sangalli e Tainá Paixão não foram colocadas em quadra até o final do segundo quarto, que terminou empatado: 40-40.

Terceiro quarto

O terceiro quarto começou o mais nervoso da partida. Com erros na defesa, Erika foi substituída pela novaa Stephanie no garrafão. A defesa teve a missão de parar principalmente Ruth Habilin, cestinha do Canadá . A substituição deu resultado, e o Brasil abriu distância no placar forçando os erros da equipe canadense e se dando bem no garrafão.

Neto teve até um tempinho para sentar quando o Brasil abriu dez pontos pela primeira vez, mas logo se levantou quando os erros da equipe brasileira começaram a se acumular novamente. Brasil desperdiçava arremessos simples e ainda perdeu posses com Clarissa e Stephanie. O placar que chegou a 13 pontos de diferença acabou caindo para apenas sete no final do terceiro quarto: 59-52.

Último quarto

A seleção continuou focada em não deixar as canadenses atuarem e finalmente conseguiram abrir a maior vantagem do jogo: 73-58. A liderança para que isso acontecesse foi justamente de Erika, apagada nos três primeiros quartos. A veterana conseguiu se firmar na defesa e ainda ajudar o ataque com 9 pontos.

O Brasil ainda passou por um momento de grande susto com a jovem pivô Aline Moura. Aparentemente com uma torção no joelho, a camisa 12, jogadora do Ararquara, deixou a quadra nos últimos minutos de jogo de cadeira de rodas.