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Gafe da AT&T expõe ponto fraco do streaming de esportes

Esporte ainda não está acostumado aos serviços de streaming - Arte/UOL
Esporte ainda não está acostumado aos serviços de streaming
Imagem: Arte/UOL

Gerry Smith

Da Bloomberg

27/11/2018 15h11

Os esportes estão se transferindo para a internet. Mas a internet ainda não está preparada para os esportes.

A gigante de mídia AT&T foi obrigada a disponibilizar gratuitamente uma partida de golfe pay-per-view entre Phil Mickelson e Tiger Woods, na sexta-feira, após uma falha no processamento das compras on-line dos clientes.

Esta foi a última tentativa fracassada de realizar streaming on-line de eventos esportivos, uma tendência que ameaça minar a transição da televisão para um futuro digital. Da ESPN, pertencente à Walt Disney, à Amazon, mais empresas estão transmitindo esportes importantes pela internet, que pode ser mais propensa a problemas do que a TV a cabo ou via satélite.

"As pessoas pensam nisso como se fosse TV, mas nunca será tão confiável quanto a TV", disse Dan Rayburn, analista-chefe da Frost & Sullivan, que escreve para o website Streamingmediablog.com. "A internet não foi criada para a entrega confiável de vídeos."

Até mesmo gigantes da tecnologia estão tendo problemas. Em agosto, a Amazon teve problemas ao realizar streaming ao vivo do Aberto dos EUA para espectadores britânicos, oportunidade em que os fãs reclamaram da baixa qualidade de imagem e da funcionalidade. Em julho, o serviço de TV do YouTube caiu durante a partida entre Inglaterra e Croácia pelas semifinais da Copa do Mundo. Em fevereiro, alguns espectadores do Hulu receberam mensagens de erro durante os momentos finais do Super Bowl.

O streaming de esportes ao vivo é mais difícil do que o de programas de TV e filmes -- como faz a Netflix. O motivo principal é que os esportes ao vivo são disponibilizados apenas por algumas horas, o que os torna vulneráveis a quedas quando muitas pessoas assistem ao mesmo tempo. O serviço também é mais complicado. Envolve pegar uma transmissão, garantir que funcione em aparelhos como Xbox ou Roku, criptografá-la, inserir anúncios e entregá-la a um terceiro que o entrega a um provedor de internet -- tudo em tempo real. Se há uma queda, o espectador podem perder a emoção de um touchdown, de uma cesta no estouro do cronômetro ou de um erro em uma tacada final no golfe.

Mas isso não impediu as empresas de tecnologia de se aprofundarem no esporte. A Amazon atualmente realiza o Thursday Night Football e estaria apresentando ofertas por emissoras esportivas regionais.

Investimentos em tecnologia

O desafio do streaming ao vivo de esportes é tão grande que muitas empresas de mídia confiam a tarefa a empresas terceirizadas. A Disney, dona da ESPN, comprou no ano passado uma participação majoritária na BAMTech, que é líder em streaming de esportes na internet, para reforçar seu leque cada vez maior de serviços de streaming.

Em 2015, a Turner Broadcasting, da WarnerMedia, comprou uma participação majoritária em uma empresa chamada IStreamPlanet para ajudar em suas iniciativas de streaming.

Na segunda-feira, um porta-voz da Turner disse que a falha durante a partida de golfe foi provocada pela falta de memória e da capacidade necessária no servidor para processar "um grande volume de pedidos de acesso de consumidores em um prazo condensado".

A AT&T e outros provedores de TV paga afirmaram que emitiriam reembolsos para os clientes que pagaram para assistir a partida. Não houve relatos de problemas nas transmissões de TV a cabo e por satélite.

-Com a colaboração de Eben Novy-Williams e Christopher Palmeri

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