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Entidade que revelou campeões paraolímpicos cria centro de esportes

Luciano Luna de Oliveira, atleta pentacampeão brasileiro de remo e 6º nas paraolimpíadas de Londres - Jones Rossi/UOL
Luciano Luna de Oliveira, atleta pentacampeão brasileiro de remo e 6º nas paraolimpíadas de Londres Imagem: Jones Rossi/UOL

Jones Rossi

do UOL, em São Paulo

14/10/2013 17h26

O ano era 1995. Luciano Luna de Oliveira, então com 18 anos, passava pelo portão da escola com um amigo quando se viu no meio de um tiroteio. O alvo era justamente seu colega, que, para se proteger, o usou como escudo humano. Dois tiros o acertaram. Um deles quebrou quatro costelas e se alojou na coluna. Luciano ficou um mês em coma. Quando despertou, estava paraplégico.

Em 2002, Joyce Fernanda de Oliveira, com apenas 12 anos, estava esperando o ônibus em Jundiaí quando o ponto caiu em suas costas. "Passei um ano sem sair de casa", afirma.

Corte para os dias atuais. Luciano Luna de Oliveira é pentacampeão paraolímpico brasileiro de remo em sua categoria e vice em um categoria acima da sua. Conseguiu um terceiro lugar no último mundial e foi um dos finalistas em Londres, ficando na sexta colocação.

Joyce Fernanda de Oliveira, que não conseguia sequer sair de casa, se tornou a melhor do Brasil no tênis de mesa. Depois de um começo claudicante em 2005, quando não ganhou nada, aos poucos foi melhorando até atingir a perfeição em solo nacional. Simplesmente não perde uma partida para outra brasileira desde 2007.

Em comum, os dois têm o fato de terem sido reabilitados e incentivados a praticar esportes na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), em São Paulo. A entidade pretende revelar mais Joyces e mais Lucianos com a inauguração, realizada nesta segunda-feira, do projeto AACD Esportes, um espaço com infraestrutura e equipamentos adequados para formar novos atletas para os esportes paraolímpicos. 

"Enquanto a AACD concentra seus esforços na recuperação dos pacientes com deficiências, o  AACD Esportes vai além. É a evolução da reabilitação esportiva. Alguns podem mais e conseguem se destacar em esportes de alto rendimento, por isso criamos este centro com enfoque competitivo para além da reabilitação", afirma João Octaviano Machado Neto, CEO e superintendente geral da AACD.

O diretor executivo do Palmeiras, José Carlos Brunoro, que é conselheiro da AACD e coordenador do projeto AACD Esportes, diz que, embora o objetivo seja competir, a intenção final é formar e reabilitar os atletas. "Se tiver alguém muito bom vamos ceder sem problemas para algum clube", afirma.

Em São Paulo, haverá uma academia para treinamentos no Lar Escola São Francisco, para modalidades como tênis de mesa, bocha, capoeira e natação. O treinamento de remo continuará sendo feito na raia olímpica da USP. Já participam do projeto 83 atletas. "Precisamos de mais doações. Até agora não atingimos nem o montante para cobrir os custos fixos", diz Brunoro.

Novos talentos

Luna é um exemplo de como alguns pacientes podem ser escolhidos para a prática de esportes de alto rendimento. Ele não começou no remo. Ele jogava basquete e nadava quando foi convidado para praticar remo pelo seu treinador de natação.

Joyce, que começou a reabilitação na AACD em 2005, sempre praticou tênis de mesa, mesmo antes do acidente. Tanto que foi um dos raros casos em que no primeiro dia de reabilitação foi escolhida para o grupo de pacientes que já são encaminhados para o grupo de competição.

Embora os resultados não tenham vindo no início, a aposta se mostrou acertadíssima com o passar dos anos. Se não ganhou nada no Brasil em 2005, desde 2007 nunca mais perdeu. Também não ganhou nada no primeiro ano de disputa no exterior (2009), mas em 2011 já conseguiu o primeiro bronze na categoria individual. Este ano, na República Tcheca, ficou em segundo na categoria individual.

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