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Homem mais rico do país jogou Wimbledon e continua vencedor aos 73 anos: "tinha esquerda incrível"

Jorge Paulo Lemann, no auge no tênis, e depois campeão do Paulistano Seniors 2012 (à direita) - Reprodução e Seniors Brasil/Divulgação
Jorge Paulo Lemann, no auge no tênis, e depois campeão do Paulistano Seniors 2012 (à direita) Imagem: Reprodução e Seniors Brasil/Divulgação

Bruno Freitas

Do UOL, em São Paulo

21/02/2013 06h00

Jorge Paulo Lemann venceu campeões de Roland Garros, jogou em Wimbledon e desfruta do status de um dos melhores tenistas brasileiros dos anos 60. Mas certamente nenhuma fatia da sua fortuna de US$ 19 bilhões veio das polpudas bolsas de torneios profissionais. O homem que recentemente superou Eike Batista como o mais rico do país acumula uma impressionante história de sucesso no mundo dos negócios, mas também tem suas façanhas nas quadras para se gabar, mesmo na condição de amador.

Os feitos de Lemann são moderadamente conhecidos por frequentadores do universo do tênis brasileiro. Mas, fora do mundo das quadras, pouca gente sabe que um dos principais acionistas de empresas como Heinz, Burger King e Anheuser-Busch InBev acumula títulos e segue jogando competitivamente aos 73 anos.

Lemann é um dos poucos tenistas da história a ter disputado a Copa Davis por dois países diferentes. Em 1962 defendeu a Suíça, nação de seu pai, e 11 anos mais tarde foi à quadra pelo Brasil diante da Argentina.

Em 1973, um ano depois de fundar o banco de investimentos Garantia, na arrancada de sua ascensão empresarial, Lemann foi convocado para defender o Brasil em Buenos Aires. Na época, Thomaz Koch, o principal jogador do país, estava machucado. Assim o empresário foi recrutado para integrar a equipe junto com Carlos Alberto Kirmayr e Édson Mandarino.  

Descendente de imigrantes suíços, Lemann começou a jogar tênis com sete anos, no Country Club do Rio de Janeiro. Seu técnico era o chileno José Aguero, pai de um ex-campeão universitário norte-americano.

Mais adiante, o futuro empresário foi aos Estados Unidos estudar economia em Harvard, entre 1957 e 1961, e conseguiu jogar pela equipe de tênis da universidade. Após concluir os estudos, partiu para a Europa, onde levou o esporte a sério, como prioridade, durante um ano.

Nesta época, o futuro bilionário brasileiro foi campeão suíço e defendeu a terra de seu pai na Copa Davis. No mesmo período disputou o célebre torneio de Wimbledon, sendo eliminado na primeira rodada na grama sagrada de Londres. No entanto, apesar de vitórias contra alguns jogadores de nome, Lemann entendeu que não estaria no topo. Assim, decidiu priorizar sua trajetória empresarial.

"Ele levou Vilas a quatro sets na Davis. Vilas era um dos primeiros do mundo, foi uma façanha inacreditável para um amador. Ele treinava de manhã, às 6h, antes de ir trabalhar, e depois no final do trabalho, se desse tempo. Por isso falo que era um fenômeno. Tinha uma esquerda incrível, atual, com top spin, uma esquerda clássica, norte-americana, com uma mão só. Se destaca pelo backhand e pela concentração absurda. Se o [Thomaz] Bellucci tivesse um quinto da concentração dele seria outro jogador. E além do mais tinha um preparador físico bárbaro, pela pesca submarina", conta o jornalista e ex-jogador Roberto Marcher, um dos autores do livro O Tênis no Brasil – de Maria Esther Bueno a Gustavo Kuerten.

Apesar do acúmulo de negócios e constantes viagens pelo mundo, Lemann segue ativo com a raquete na mão, mantendo-se em forma com treinos na quadra de saibro de sua casa, no bairro do Jardim Europa, em São Paulo.

O empresário carioca tirou de Eike Batista o título de homem mais rico do Brasil no fim de 2012. Meses antes, em setembro, Lemann venceu o Paulistano Open de Seniors diante de adversários bem mais jovens, na categoria até 60 anos.

"Estava ganhando dele de 5 a 3, no segundo set. Ele foi com calma, tranquilidade, perseverança, até fazer 7 a 5. Em tese eu estava com o jogo na mão, mas ele virou, com a técnica dele, sem se afobar, calmo, preciso. Foi ponto a ponto, muito sereno. Não inventa, é muito esperto em quadra", relata o gaúcho Sérgio Malinoski, 62 anos, derrotado por Lemann em dois sets na decisão do torneio.

FAÇANHAS: VITÓRIAS CONTRA CAMPEÕES E JOGO DE SEIS HORAS

O brasileiro Jorge Paulo Lemann venceu Mike Sangster quando o rival era tratado como o melhor tenista britânico, em 1961
Em 1962 defendeu a Suíça em duelo com a África do Sul na Copa Davis. Perdeu os dois jogos de simples. Em um deles, enfrentou Gordon Forbes, considerado na época entre os dez melhores do mundo
Venceu em uma exibição no Rio em 1965 contra o italiano Nicola Pietrangeli, campeão de Roland Garros em 1959 e 1960
Derrotou o tcheco Jan Kodes no Rio, em 1970. Naquele ano o adversário conquistou Roland Garros pela primeira vez (ganhou também em 1971)
Em 1973 foi recrutado para defender o Brasil na Davis. Foi batido por Guillermo Vilas por 3 sets a 1. O rival argentino ganhou quatro torneios de Grand Slam e foi um dos maiores jogadores dos anos 70
Lemann venceu o Brasileiro de adultos em cinco oportunidades: 1968, 1969, 1971, 1974 e 1975. Além disso, foi campeão estadual do Rio de Janeiro 16 vezes
Na final do Brasileiro de 1975, Lemann derrotou o paulista Fernando Gentil em uma partida de mais de seis horas. O jogo começou às 18h no Country Club do Rio. Quando o relógio já passava de meia-noite, o adversário desmoronou em quadra, com cãibras
Bicampeão mundial da categoria 50-55 anos, em Barcelona (ESP) e em Palermo (ITA); campeão mundial da categoria 45-50 anos, em Pörtschach (AUT)

FORTUNA COM CERVEJAS, VAREJO E AGORA KETCHUP AMERICANO

A trajetória de negócios de Jorge Paulo Lemann começou com o Banco Garantia em 1971, sempre em parceria com Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Uma década depois, o empresário ingressou na base acionária das Lojas Americanas.

O salto do tenista para o status de grande jogador do mundo dos negócios começou em 1989, com a compra da Brahma. Mais tarde articulou a fusão com a Antarctica para a formação da Ambev. Adiante o grupo se uniu à belga Interbrew e comprou a norte-americana Anheuser-Busch, para finalmente virar a maior cervejaria do planeta.

A empresa de investimentos 3G Capital foi criada por Lemann em 2004, em sociedade com os parceiros de sempre, Telles e Sicupira. Em alguns anos o grupo conseguiu o controle acionário do Burger King e da gigante de ketchup Heinz, em negócio fechado nos últimos dias em associação com o ilustre investidor norte-americano Warren Buffett [transação avaliada em US$ 28 bilhões].

Atualmente o empresário carioca possui uma fortuna estimada em US$ 19,1 bilhões, quase o dobro de Eike Batista, com US$ 10,8 bi, segundo ranking de magnatas da revista Bloomberg.

No mundo dos negócios, a paixão pelo tênis ajudou o empresário brasileiro a estreitar relações com o norte-americano Sam Walton, lenda do varejo, que fundou o gigante Wal-Mart.

"O tênis me ajudou demais nos negócios. Me deu vontade de competir, persistência, força de vontade, disciplina. Com o tênis aprendi a superar situações difíceis, e rapidamente. Ou seja, o tênis foi uma escola para minha vida como empresário", afirma Lemann em entrevista contida no livro O Tênis no Brasil, dos jornalistas Roberto Marcher e Gianni Carta.

O BILIONÁRIO JORGE PAULO LEMANN

Carioca de origem suíça, Jorge Paulo Lemann tem 73 anos e é na atualidade o empresário mais bem-sucedido do Brasil, com atuação em setores diversificados.

 

Recentemente Lemann fechou a compra da Heinz em associação ao magnata norte-americano Warren Buffett.

 

Foto: Alan Marques/Folhapress

 

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