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Bela e multicampeã do jiu-jítsu quer agora derrubar "estereótipos" no MMA

Fernando Notari

Do UOL, em São Paulo

22/07/2016 06h00

A estrela do jiu-jitsu Mackenzie Dern, uma “gringa brasileira” de 23 anos, concretizará na noite desta sexta-feira (21) sua transição para o MMA, em duelo contra a norte-americana Kenia Rosas, e tem como motivação a vontade de derrubar estereótipos do mundo das lutas.

Mackenzie é filha do brasileiro Wellington “Megaton” Dias, lenda viva do jiu-jítsu, e seguiu os passos do pai: faixa-preta, foi campeã mundial da arte suave em 2015, ano em que também levou o título do ADCC (maior torneio de grapling do mundo). Para tanto, desde o começo da carreira, precisou superar desconfianças estimuladas por sua beleza.

Dern é uma jovem de olhos claros e longos cabelos pretos, dona de um largo sorriso e um corpo atlético – natural para uma esportista de alto nível. No jiu-jítsu, provou que mulher bonita também pode ser “guerreira”, e é isso que pretende fazer no MMA.

“Dentro do jiu-jítsu sempre falaram muito da minha imagem, de coisas assim. Isso me motiva ainda mais a mostrar que não sou só um rosto bonito e que mulher bonita também pode ser guerreira”, explica a moça ao UOL Esporte.

E ela acrescenta: “É importante que eu consiga usar a minha imagem para muitas meninas. Há uma ideia geral de que mulheres que fazem artes marciais não podem ser femininas. Posso mostrar que é possível ser feminina, sim. Espero poder quebrar esse pensamento”. 

Natural do Arizona (EUA), mas com nacionalidade brasileira – e um português quase impecável –, Mackenzie Dern lutará MMA no evento Legacy 58, marcado para Los Angeles. Acostumada bater 59 kg nos eventos de jiu-jítsu, estreará no novo esporte na divisão peso-palha, com limite de 52,2 kg. E, confessa: tem sofrido com o regime...

“Minha equipe decidiu que sou muito pequena para os galos [a categoria de cima, até 61 kg], estou sofrendo um pouco para chegar aos 52,2 kg. Está sendo sinistro”, conta, bem-humorada. “É muito sofrimento, mas me sinto muito forte”, faz a ressalva.

A adversária, Kenia Rosas (dos EUA), também fará sua estreia no MMA profissional – ela vem do muay thai, e isso de alguma forma ainda “assusta” Mackenzie. A moça não esconde: a pior sensação que sentiu nos treinos ocorreu logo depois de receber um chute na barriga: “Eu caí no chão sem conseguir respirar. Foi horrível”. A luta em pé não é seu forte. No cage, tentará desde o começo levar o duelo para o solo. “Isso não é nem segredo”, admite. 

Mackenzie, ao menos, livrou-se do receio de levar golpes no rosto. “Tinha medo de quebrar um dente, cortar a sobrancelha, uma coisa mais de ficar feia. Meu pai sempre me dizia: ‘Minha filha, você é muito bonita para lutar MMA’”, diverte-se. “Depois que tomei os primeiros socos [nos treinos], no entanto, percebi que não dói tanto assim”.

Inspirada por Ronda Rousey, Dern completará um movimento de transição que vem sendo estudado há pelo menos dois anos. E ela já tem projetos futuros dentro do MMA: se gostar mesmo da “nova aventura”, pretende lutar mais duas vezes ainda em 2016, depois passar para o UFC e por lá conquistar o título da divisão.

“Meu objetivo é defender um título do UFC algumas vezes e ter uma trajetória que as pessoas possam se lembrar”, afirma. Com sinceridade afiada, acrescenta que não deseja ter uma carreira muito longeva nas artes marciais mistas: “Não quero tomar soco na cabeça por muito tempo, não”, diz, rindo, e já planejando seu retorno ao jiu-jítsu.

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